quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O preço da educação!

Sempre me questionei muito sobre a forma com que as escolas ensinam, muitas vezes de uma totalmente desinteressante, desconexa da realidade, sem criatividade ou interação. Sempre pensava, imaginando uma aula de matemática através da culinária, seria demais!!Ou aulas de geografia e história com visitas a espaços reais.
No meu estágio, tenho prezado por possibilitar experiências ricas, de materiais, de possibilidades e sempre prezando pela integração de mente e corpo. Mas o ponto que quero tocar é a respeito dos materiais, pontualmente o investimento financeiro. Tenho descoberto que este meu desejo por estas aulas criativas, só é possível com o investimento em materiais. Como não tenho materiais na escola, somente neste mês já investi quase R$100,00 em folhas, papéis, canetas e outros mais. Tenho percebido que para proporcionar experiências ricas para os alunos, pensar em geração e no investimento em materiais é fundamental, pois para fazer uma culinária tem que ter os ingredientes e todos os outros utensílios. Para fazer um passeio precisa ser pago o ônibus e assim por diante. Para ter um espaço educador, precisa ter brinquedos de qualidade. Assim, não há como pensar em educação de qualidade sem pensar neste aspecto! Dessa forma, será que podemos dizer que uma epistemologia também tem seu preço?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Nossa, que bagunça!!!

Depois de observar a escola, as crianças, um dos meus focos principais do estágio era potencializar a brincadeira das crianças, pensando materiais, tempo, e principalmente garantindo a ação delas sobre os objetos e as interações entre elas. Desde o início sabia que teria que ir com calma, devagar, para não assustar as colegas, pois esta "dinâmica" não era adotada pela escola. Na primeira semana, enquanto brincavam, exploravam, criavam livremente, a coordenadora entrou na sala e disse: "Nossa, que bagunça!", na mesma hora eu gelei! Algumas coisas, rapidamente, passaram sobre minha mente, exemplo, agora ela vai barrar o brincar das crianças, ela vai fazer uma má avaliação do meu trabalho, isso vai prejudicar meu estágio! Mas rapidamente, já veio a minha mente que estar em sala é uma "luta", pois é necessário lutar pelo que acredita e saber se colocar teoricamente tanto para si mesmo quanto para os questionamentos. Se eu acredito em uma pedagogia relacional, que as crianças estão na fase do jogo simbólico, que precisam ter garantidas ações de qualidade, eu devo ter em mente que aquilo não era bagunça, mas resultado de exploração, manipulação, interação. Que a bagunça dos outros, não bagunce aquilo que acreditamos!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

E o estágio começou!!

Como já é sabido, não consegui realizar o estágio em minha escola, mas acredito que na vida tudo tem um propósito e já tenho entendido algumas razões de eu estar no lugar onde estou hoje!
Há 5 anos no município de Novo Hamburgo, considero minha escola como uma escola para mim também!! Temos muiiiitas formações, lemos muito sobre a educação infantil e estamos sempre buscando aprender e aperfeiçoar nossa prática. Tenho liberdade para criar, experimentar e possibilitar das mais diversas experiencias para as crianças. Quando preciso de materiais, seja o que for, apenas entrego a lista para minha diretora que imediatamente consegue o que solicitei. Agora, estou vivenciando uma realidade que já nem lembrava que existia. Não há formação, não há reflexão sobre o cotidiano, sobre a jornada das crianças na escola, sobre o brincar, rotinas, apenas o momento da Atividade de Tarde tem evidência e recebe importância. Sem falar que não há investimentos de materiais, todas as propostas que estou realizando, estou providenciando os materiais do meu "bolso". Esta semana fiquei espantada com o valor do pote de tinta, R$6,00, que muitas vezes, simplesmente eu cheguei na minha diretora do município e apenas solicitei e depois recebi. Nestas três semanas, minhas propostas foram basicamente relacionadas a valorização do jogo simbólico, um olhar diferente para as rotinas e uma ampliação do desenho, permitir que as crianças saíssem do "quadrado" para fluir todo o seu potencial criativo. Algo que em minha escola é algo tão natural, corriqueiro, para as crianças tem sido algo de grande valor e percebo o quanto estão sendo alcançados e se sentindo respeitados pelos retornos deles, das famílias e das próprias colegas que tem observado minha prática e refletido a sua prática. Resumindo, hoje consigo ser muito grata a Deus pela minha escola "oficial", consigo ver o quanto a gestão faz pelo seu grupo de professores. Também consigo verificar o quanto há uma falha nas formações de professores, pois toda essa prática que "não acontece" se dá em razão de um desconhecimento de outras formas de fazer  e estou feliz, por além de estar refletindo minha prática, estou podendo compartilhar saberes e outras formas de fazer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Que pedagogia quero?

         Por ter sido inviável realizar o estágio em minha escola, tive que me aventurar e realizar o estágio em um outro local. Não posso deixar de ressaltar o quanto o texto de Fernando Becker sobre modelos epistemológicos e modelos pedagógicos foi e tem sido libertador para mim! Libertador no sentido de entender que toda a prática docente de um professor é embasada em cima de uma crença sobre como acontece a relação de ensino e aprendizagem no aluno, mesmo que o professor não se dê conta disso, sua ação revela um modelo. Assim, desde que tomei posse desse conhecimento, estou certa de que acredito em um modelo epistemológico construtivista e tenho tomado cuidado para assegurar que minhas práticas estejam de acordo com isso. Nas visitas que fiz a escola de meu estágio, ia sempre com essa curiosidade, qual modelo epistemológico desta escola? Qual pedagogia é colocada em prática? Salas de Educação Infantil com mesas e um lugar privilegiado para o professor, professores usando jalecos, crianças brincando com brinquedos escolhidos pelo professor, sentados nas mesas. Estes fatos já me dizem muito sobre o modelo pedagógico da escola, agora me pergunto, será que a escola tem ciência disso, será que conhecem outras formas de ensinar e aprender? Penso que minha prática de estágio, além de colocar meus saberes em reflexão, pode ajudar a própria escola a pensar seus fazeres.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Com o corpo inteiro!

  Fico me questionando sobre quantas propostas, atividades, "trabalhinhos" eu já realizei  na intenção de ensinar algo, porém desconsiderando totalmente o corpo como ator envolvido neste processo! Folhas e folhas xerocadas!
Mas que bom que " evoluímos" e que através de novos conhecimentos e novas reflexões, podemos aperfeiçoar nossa prática.
Na escola que trabalho entendemos o quanto é importante conscientizar as crianças sobre a importância da natureza. Cuidar da água, preservar as árvores, respeitar os animais, etc. De um tempo para cá temos pensado sobre a melhor forma de ensiná- los sobre educação ambiental. Como respeitar e amar algo que não conheco? Como preservar algo que não passou pelo meu corpo? Concluímos que a melhor forma de ensiná- los é, inicialmente, permitir com que entrem em contato com a natureza! Por isso, brincar e tocar na água, terra, grama, deslizar o barranco é a melhor forma da criança sentir e perceber o quanto a natureza é fundamental! Além do que tocar a natureza possibilita diversas experiências e aprendizagens! E é isso que fazemos na escola, permitimos que as crianças conheçam a natureza pelo e com o corpo inteiro!
Vale lembrar que o tato é o sentido que nos confere a sensação da realidade " não apenas nossa geometria e nossa física, mas toda a concepção do que existe fora de nós, baseiam-se no tato ( RUSSEL, apud MONTAGU, 1988, p.30)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Por uma proposta pedagógica construída sobre o poder constitutivo e criador da Ação Humana

Se formos parar para observar e estudar sobre as crianças, cada faixa etária nos apresenta características e ações bem específicas. No berçário, tudo é estréia, um mundo todo colocado a disposição, onde tudo é novo e é preciso ser conhecido, experimentado, observado, explorado. Coloque uma caixa de brinquedos para que bebês ( 0 a 1 ano e 6 meses) brinquem! O que acontece? De repente, tudo está fora da caixa!Sim, eles exploram e investigam tudo o que é posto, devido a necessidade de desbravar o novo! Infelizmente, já ouvi colegas dizendo: amigo, não precisa retirar tudo da caixa, escolhe um e brinca! É preciso compreender que a aprendizagem numa perspectiva relacional se dá através da ação do sujeito sobre o objeto, porém é preciso ter bem definido que tipo de ação é esta. A ação que possibilita a aprendizagem, dá significado as coisas, possibilita a realização dos desejos humanos e suas necessidades. Assim, bebês necessitam agir sobre tudo o que está posto e precisam ter este direito garantido. Fernando Becker alerta que há a ação aprisionada: interação pautada no treinamento, monotonia da repetição e pela imposição autoritária.
Tenho uma filha de 1 ano, desde recém nascida tentamos possibilitar e garantir que suas necessidades de ação sejam garantidas. Nas fotos abaixo (com 6 meses), ela com um cesto, onde colocávamos vários objetos e as ações pegar, observar, explorar e abandonar se repetia até que o cesto ficasse vazio.











Neste dia, o mais interessante foi que depois de agir sobre tudo o que estava dentro do cesto, o próprio cesto virou um objeto de exploração.


Teve um outro dia, que ela encontrou o pacote de fraldas sobre o sofá, conseguiu pegar e logo já começou a explorar. Quando eu vi, meu impulso quase me levou a chamar a atenção dela, consegui me segurar, afinal ela não sabe ainda que as fraldas são caras e que pode danificar. Resolvi deixar ela explorar e comecei a observar e registrar! Depois fiquei pensando, será que não fui permissiva demais? Obviamente não vou deixar ela brincar sempre com o pacote de fraldas, depois que ela retirou e observou todas as fraldas conversei com ela, ela me ajudou a guardar e disse que ela tinha outros brinquedos adequados. Fiquei feliz, por que permiti que minha filha tivesse sua necessidade de investigação respeitada naquele momento. 




Entro uma vez por semana no berçário de minha escola e lá também tento garantir que os bebês possam agir conforme seus interesses e necessidades. Disponibilizamos diversos cestos pela sala, cada um com objetos diferentes e as interações são das mais diversas. A sala também conta com brinquedos motores onde podem subir, descer, etc.







 Possibilitar ações ricas para as crianças não é fácil, observo que os brinquedos pela sala, visto muitas vezes como "bagunça", a livre exploração, o fato de não estarem fazendo tudo igual ao mesmo tempo incomoda muitos colegas. Mas sei que preciso seguir com o que acredito e cada vez mais me respaldar teoricamente para fazer um trabalho de qualidade e de respeito à infância. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Se meu caderno falasse?

Em 2005 realizei meu estágio de magistério. Lembro que quando fui conversar com a diretora, solicitei uma 2 série! Com toda educação, ela me disse que não seria possível, pois a professora não aceitaria. Tudo certo, fiz meu estágio com uma 4 série e foi muito bom!
Na medida que fui conhecendo melhor a escola, meus colegas professores, fiquei sabendo que a professora da 2 série atuava há mais de 15 anos na mesma faixa etária e utilizava sempre o mesmo caderno/roteiro de atividades. O mais interessante foi uma das minhas crianças dizendo "Sôra, todo mundo faz os mesmos exercícios da Sôra ....., eu fiz e agora meu irmão está fazendo!". Achava aquilo um pouco estranho, era possível alguém utilizar as mesmas propostas por tanto tempo? Mas na época não tinha muita bagagem teórica para realizar reflexões mais profundas! Depois de um tempo, lembrando sobre ela, ficava pensando que talvez tivesse sido o jeito que ela"aprendeu a ser professora".
O texto de Fernando Becker " Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos" mostra que é um pouco mais do que o jeito de aprender a ser professor, mas de uma concepção teórica que o professor tem sobre a forma com que se dá a relação ensino aprendizagem no sujeito e com o sujeito. Concepção esta que muitas vezes, infelizmente, o professor nem se dá conta que tem, mas que está impregnada em todas as suas práticas, na forma de agir, na forma de organizar a sala, de elaborar as propostas, dispor os móveis, tratar com as crianças, tudo revela a epistemologia que o professor tem sobre aquisição de conhecimento. No caso, verifico agora uma professora que tinha sua prática embasada em uma epistemologia empirista, onde acreditava que seus alunos nada sabiam, que tudo o que transmitia era o suficiente para ensinar sobre os conteúdos e que em 15 anos recebia todas as crianças como iguais (mesmo sendo tão diferentes).
Fernando Becker cita, no mínimo, umas duas vezes que mesmo sem saber, os professores agem de acordo com uma epistemologia sobre o conhecimento. Tendo este conhecimento agora, penso que isso deveria ser a matéria principal em qualquer curso formativo de professores, pois como disse, aquilo que eu acredito sobre a gênese e como se dá o desenvolvimento do conhecimento é o que vai nortear todo o meu agir docente. Fico pensando sobre mim, que teoria sustenta minha prática, estou agindo com coerência de acordo com que acredito? Acredito na epistemologia construtivista, onde o conhecimento se dá através da ação e da problematização das crianças sobre os assuntos, interesses, materiais, etc, onde o professor assume seu lugar realizando intervenções necessárias para possibilitar aprendizagens. Agora fico pensando... meus planejamentos, minhas propostas sustentam o que acredito? Se meu caderno falasse, qual epistemologia ele apresentaria e revelaria?


domingo, 26 de agosto de 2018

Renovar é preciso!

Estou fazendo um curso de extensão na UFRGS: Docência na Educação Infantil. Mesmo sendo na UFRGS com professores tão conceituados, um fator tem me chamado a atenção. Não vou citar nomes, porém há professores e professores ali. Não vou entrar nos méritos teóricos, pois todos quando "abrem a boca" esbanjam conhecimentos e conhecimentos. Mas quando entramos no mérito pedagógico, observo algumas deficiências. Poucos são os que levam elementos, aulas práticas, propostas diferentes, parece que basta chegar na sala e compartilhar o conhecimento teórico através de uma aula expositiva, bem tradicional. Toda essa cena, me foi esclarecida através da leitura do texto Inovações Pedagógicas e a Reconfiguração de Saberes no Ensinar e Aprender na Universidade de Maria Isabel da Cunha . As formações nas Universidades tem exaltado os conhecimentos teóricos, o que vale é o saber sobre os assuntos, sobre as ciências, deixando de lado e desvalorizando os saberes pedagógicos, aquele conhecimento que vai ajudar a entender melhor o sujeito que irá aprender. Porém, fico feliz em saber que isso já está sendo observado, refletido e identificada essa necessidade da própria universidade repensar sua forma de ensinar e ver o aluno. Na última quinta-feira, participei de uma palestra da professora Lea Tiriba, professora do curso de pedagogia, mestrado e doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela colocou o quanto tem investido em uma formação que ela denomina teórico-brincante com seus alunos de graduação. Através de brincadeiras e muitas outras dinâmicas tem tentado trabalhar e despertar o humano, o sensível, o alegre em seus alunos, sem falar que trazer o conhecimento de uma forma diferente, viva e concreta torna o aprendizado bem mais interessante. Colocou também que tem iniciado esse trabalho teórico-brincante com seus alunos do mestrado, o que tem considerado um grande desafio. Acho todo este movimento de uma importância grandiosa, vivemos num país, onde quem tem mais conhecimento, títulos, formações ao invés de usar isso para ensinar e despertar o conhecimento no outro parece que vai criando uma "redoma", intocável, se sentindo superior em relação aos menos desprovidos de saberes. Torço para que essa discussão avance, se propague , que nossas universidades renovem com formações cada vez mais teórico-brincantes, humanas, sensíveis e que o conhecimento nunca seja para se colocar acima do outro, mas para que uns consigam levar outros adiante.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

É hora do Estágio!

Estava ansiosa pela aula de hoje, pois afinal o estágio se aproxima e com ele as  dúvidas e incertezas aumentam também. Explicado e esclarecido alguns pontos importantes, Rosane pede para que registremos aqui como estamos neste momento pré-estágio, nossas expectativas, anseios, sentimentos. Uau!! É uma mistura considerável de sentimentos e acontecimentos. Semestre puxado, infelizmente preciso confessar que não me organizei com meu blog, por conta disso fiquei no período de recuperação e com a tarefa de melhorar minha escrita. No primeiro momento desanimada, triste e chateada, tive que criar forças, reconhecer minhas falhas e seguir em frente. E aqui estou tentando ampliar minhas reflexões e melhorar minha escrita. Como se não bastasse, descubro que terei que pagar minhas horas de estágio caso eu queira realizar o mesmo na escola que trabalho. E agora? PEAD entra em contato com SMED/NH, SMED/NH não responde, os dias do estágio se aproximam. Para desenrolar a situação, decido fazer o estágio em outra escola, perto de minha casa, pois já que terei que pagar horas, faço logo num local mais acessível para mim. Acessível até certo ponto, pois conheço pouco da metodologia, nada das crianças, pouco da comunidade. Junto a isso segue o workshop (e ainda tenho que recuperar um), apresentação, horas complementares, blog, trabalho, família e por aí vai....Mas de tudo isso, confesso que realizar o estágio em uma escola diferente tem me causado expectativas boas, expectativas da novidade! Será um semestre de muito trabalho, de muitos estudos, buscas teóricas, escritas, mas quero viver este momento com a maior possibilidade da leveza e tentar seguir a dica preciosa da professora Aline: "Com tudo, Divirtam-se!".

Três Teorias!

Refletindo sobre a forma com que se deu o primeiro estudo sobre aquisição de linguagem, penso que este momento foi tomado com ares de radicalismos e por que não dizer crueldade. Me chocou saber que duas crianças, na verdade bebês, foram confinadas do nascimento até os dois anos, sem o convívio com adultos, sem receber atenção, afeto, ou poder entrar em contato com outros tipos de linguagem, como ouvir sua mãe ou simplesmente perceber o olhar dela! Enfim, colocados ali como "cobaias" para que observassem suas primeiras "palavras"! Fico pensando em tantos outros estudos que foram feitos de maneira tão surreal e bizarra como esta, mas que acabaram contribuindo para se chegar a algum conhecimento que temos hoje. Felizmente os estudos evoluíram, passaram a se realizar através de observações, registros, até chegar em algumas concepções teóricas que conhecemos hoje. Behavioristas acreditam que a linguagem se dá pela exposição ao meio através da imitação e reforço. Inatistas dizem que a linguagem é inata, instintiva, como dotação genética. Interacionistas dizem que a aquisição da linguagem se dá devido a interação com o ambiente e outras espécies. E agora, qual ideia seguir, com qual concepção conversar? Para mim, nenhuma concepção está totalmente errada ou totalmente certa, me parecem ter relações entre elas. Acredito que o cérebro já está predisposto a aprender porém a criança precisa estar em um ambiente falante, onde as pessoas falem e ela escute, observe e aos poucos vá se apropriando cognitivamente deste novo vocabulário. A criança precisa de um estímulo, e como já disse, esse estímulo é muitas vezes, observar um diálogo.
Eu sempre convivi em ambientes falantes, frequento a igreja, estou sempre no meio de muitas pessoas, eu e meu marido gostamos muito de conversar. Tenho uma bebê com 1 ano e 1 mês e desde que ela estava no meu ventre, estes ambientes falantes já eram de seu conhecimento, até porque eu fazia questão de conversar com ela. Com 10 meses ela proferiu a primeira palavra "auau"e não parou mais: mãman, papa, quáquá, até google (gugou) ela fala. A Sophia representa para mim a prática do que estamos teorizando. Ela me mostra que já nasceu predisposta para desenvolver a fala, pois é impressionante o qual rápido ela arquiva as palavras que ouve e a forma com que logo as reproduz. Também os ambientes que proporcionamos para ela conviver somados aos incentivos, já tem feito dela uma pequena falante! Penso que precisamos encontrar concordâncias entre as três teorias, coerências nas três teorias e nunca pensar na ideia de uma verdade absoluta!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Questão de Sobrevivência!

Segundo pesquisa do IBGE (2016), o Brasil conta com 11,8 milhões de analfabetos, ou seja, 7,2% de sua população não sabe ler e escrever.
Destes números, a região com maior índice de analfabetos é o nordeste, onde 14,8% de sua população não possui a habilidade da "leitura das palavras". Acompanhe o mapa brasileiro de analfabetismo (dividido por regiões):


Realizando uma busca por "como a pobreza se distribuí no Brasil", encontrei uma pesquisa da revista virtual Super Interessante que aponta que na região Nordeste, 53% de sua população vive na pobreza ou em uma linha ainda abaixo da pobreza.
Teriam estes números alguma relação? A pobreza e o analfabetismo estariam interligados? Totalmente!
O texto "Analfabetismo de Adultos: ainda um desafio" de Regina Hara, aborda os fatores de ordem social como grandes responsáveis por estes dados.
Fico pensando em uma família, pai e mãe, alguns filhos. Com salário insuficiente para prover todas as necessidades básicas como alimentação, moradia e saúde, o que fazer? Logicamente aqueles filhos que vão crescendo, precisam abandonar as salas de aula para auxiliar na busca de recursos. Sendo assim, é mais que "normal"  o abandono da escola, pois o trabalho mesmo que difícil e muitas vezes indigno traz uma solução rápida para suas necessidades básicas. Passado o tempo, agora adultos, estas pessoas decidem retornar a sala de aula, porém precisam continuar trabalhando e chegam as salas de aulas cansados, exaustos, desmotivados após uma longa jornada de trabalho. Alguns persistem, muitos desistem! Sem falar naqueles que nem tentam!
Então, voltando para o Nordeste, encontramos uma população pobre, onde estas histórias acontecem, se repetem e infelizmente se revelam nos dados! E certamente uma situação que acomete outras realidades, outras famílias, outras populações, não somente na região citada, pois bem como diz a autora, as camadas populares compreendem a escolarização como peso menor de necessidade, pois precisam garantir o básico para viver ou talvez, simplesmente sobreviver!









segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Os Nativos e os Imigrantes

De extrema importância conhecer bem nosso tempo, o que estamos vivendo e o que nossos alunos estão vivendo!
Fico espantada ao ver um bebê manuseando com tanta destreza um celular! Mas como poderia ser diferente se ao sair do ventre da mãe, tem ali algum registro que automaticamente já cai na web? Sim, as crianças que estão em nossas salas, convivem, respiram tecnologias, são os chamados NATIVOS DIGITAIS!
Conosco foi um pouco diferente. Lembro do meu ensino médio, lugar onde pela primeira vez me deparei com um computador. Antes disso, jamais havia visto! Pesquisas e outros trabalhos, a biblioteca pública de minha cidade era minha grande aliada. Aos poucos a tecnologia digital foi surgindo com mais força até alcançar nossos dias e nossas vidas, somos os IMIGRANTES DIGITAIS. penso que não podemos negar a contemporaneidade de nossas crianças e buscar estratégias, ferramentas, criatividade para utilizar as tecnologias como aliadas no processo de ensino e aprendizagem.

Inovações e as Universidades

A ordem natural encaminhou para a compreensão de que são os "técnicos" que sabem mais que os pedagogos. Essa frase do texto de Maria Isabel da Cunha, no meu ver é bem real. Na universidade é interessante a forma com que os professores atuam. Eles chegam, passam os conteúdos e é isso aí. Poucos são os que utilizam alguma forma inovadora. Ensinam sempre da mesma forma. E se alguém precisa de elementos concretos e se algum adulto não alcançou o estágio operatório formal? Creio que estas conversas são bem pertinentes para pensar nossa atuação em todas as instituições, inclusive na universidade, lugar onde os professores parecem muitas vezes intocáveis!

Fala aí Paulo!

Por que alfabetizar? Para que uma pessoa saiba ler e escrever! Para que ela possa se deslocar, ir e vir sobre suas escolhas, seus olhares. Essa seria minha resposta, simples e sem encantamento. Vou perguntar para Paulo Freire! Freire por que Alfabetizar?

"Para que pessoas que vivem numa cultura que conhece letras não continuem roubadas de um direito- o de somar a "leitura" que já fazem do mundo, a leitura da palavra, que ainda não fazem" (FREIRE, apud BARRETO, 1998, p.77).
SIMPLES assim!

Freire transforma!

Soares descreveu que a concepção de alfabetização de Paulo Freire, transforma:

Material: as palavras são extraídas do universo vocabular dos alunos e as palavras são aquelas que possuem significados para eles.

Objetivo: de aprendizado de técnicas para ler e escrever para alfabetização como tomada de decisão.

Relações Sociais: de aluno para participante de um grupo. A aula deve ser dialógica, onde os alunos devem cansar e não dormir.

E transforma o professor, de uma pessoa que poderia apenas ensinar uma técnica, para alguém que pode alavancar pessoas, fazer suscitar sonhos, histórias, possibilidades. Não há nada mais encantador do que proporcionar novas possibilidades e perspectivas aos alunos.

Educar para libertar! Educar para conscientizar!

Já entendi que Freire nos apresentou um conceito bem mais amplo sobre Alfabetização. Ainda sobre, ele diz que alfabetização não é um jogo de palavras é a consciência reflexiva da cultura, a reconstrução crítica do mundo humano, a abertura de novos caminhos. Importante sempre ressaltar que ele não criou um método, mas uma concepção de alfabetização como prática da liberdade, educação como conscientização (SOARES, 2007,p.119). De fato, não tenho dúvidas, que o que me marcou neste semestre foi enxergar a alfabetização nesta perspectiva e claro, penso que eu posso ampliar este conceito, visando esta concepção para as crianças que estão em nossas escolas.

Vamos Planejar?

Confesso que este é um dos temas que mais me interesso. Gosto de planejar e estudar sobre. Seguem algumas definições de PLANEJAMENTO, que me ajudaram a ter um entendimento mais claro sobre o assunto:
1. Planejar é antecipar e projetar de modo consciente, organizado e coerente todas as etapas de uma determinada atividade que visa alcançar certos objetivos que levam a transformações concretas do que se pretende realizar.

2. Na instância educacional, é um momento de decisão e previsão de situações didáticas para um grupo de alunos num determinado momento histórico, visando colaborar na formação de um determinado tipo de profissional. É um ato político, mas também pedagógico.

Empoderamento

Os textos de Paulo Freire falam muito sobre Empoderamento. Pensando sobre a palavra, desprovida de qualquer conceito prévio, obviamente me vem algum significado relacionado a PODER. Mas será um poder dado a mim por alguém? Será um poder provido de um outro lugar? Que PODER é esse?
Para Freire, Empoderamento não é no sentido de dar poder a alguém, mas no sentido de ATIVAR a potencialidade criativa de alguém, como também de desenhar e potencializar a capacidade das pessoas. Empoderamento não é apenas um ato psicológico, individual, mas um ato social e político! Fico pensando em adultos que analfabetos e que aprendem a refletir, questionar, ler e escrever, o quanto isso deve despertar neles uma nova forma de ser e de viver! Atuo com educação infantil a anos, mas confesso que adoraria ter e viver esta experiencia de perto, empoderar pessoas, ajudá-las a reviver e ter novas perspectivas, deve ser realmente gratificante!

Educação Problematizadora

Ainda pensando sobre a importância de conhecer formas de se fazer educação, já decidi que não quero fazer uso de uma Educação Bancária. Já sei o que não quero, mas o que quero, o que seria o ideal? Paulo Freire me apresenta a Educação Problematizadora, ou seja, uma forma de se fazer educação que consiste na força criadora do aprender, de que fazem parte a comparação, repetição, constatação, dúvida rebelde e uma curiosidade não facilmente satisfeita (FREIRE,1996,p.28). Uau!!! Que incrível seria formar pessoas com todas as capacidades! Pessoas inteligentes, com alto nível intelectual! Sonho com o dia onde teremos estes seres pensantes e não mais seres ignorantes que muitas vezes não sabem nem o nome do prefeito de suas cidades!

Na onda de Freire

Acho bem importante eu saber, conhecer, nomear formas de trabalho na educação, pois assim vou poder refletir e definir sobre quais perspectivas e definições irei construir minha prática. No texto Educação Bancária de Jerônimo Sartori ele define a Educação Bancária, uma forma bem ao contrário da perspectiva de uma educação para o empoderamento como lutava Paulo Freire. Educação Bancária perpetua as antigas práticas, educa para a consciência ingênua, reprime a curiosidade, a crítica, o questionamento.  Desestimula a capacidade de desafiar-se, de arriscar-se, tornando o sujeito passivo. Como já disse, bem ao contrário da visão de Freire, que acredita que o professor deve problematizar todos os assuntos, nunca entregar algo pronto, elaborado ou seja, fazer os educandos pensar sobre as coisas. Assim, penso que quero embarcar "na onda de Freire", aprender a ensinar de uma forma onde meus alunos possam se tornar críticos, pensantes, pessoas de opinião que lutam por seus direitos e que fazem a diferença. Ensinar para o empoderamento, grande desafio em uma era onde o pensar é o que menos se quer e se faz!

Analfabetismo, muito mais do que não saber ler e escrever...

O que é analfabetismo? Simples, um indivíduo que não sabe ler e escrever, certo?
Depende, a concepção de Paulo Freire enxerga o ato da alfabetização de uma forma bem mais profunda do que simplesmente aprender símbolos e seus respectivos sons.
Nesta visão mais ampla, analfabetismo é uma forma de privação cultural, visto que vivemos em uma sociedade letrada onde tudo se dá através da leitura e escrita. Imagina como não deve se sentir alguém que precisa pedir ajuda para identificar o ônibus que precisa pegar? Tudo bem, alguém pode ajudar ou a pessoa aprende outras formas de identificar, mas como fazer para ler ou escrever uma receita, anotar o número de um telefone, escrever uma carta? De fato em uma sociedade regida pelas letras, com certeza um analfabeto deve se sentir triste, excluído e deve passar por diversas dificuldades e privações. Por isso, para Paulo Freire Alfabetização é um projeto onde indivíduos afirmam seus direitos e sua responsabilidade não apenas de ler, compreender e transformar suas experiências pessoais, mas também de reconstituir sua relação com a sociedade mais ampla.

Muito mais que....

Alfabetização como um conceito e como uma prática social que devem estar vinculados a configurações de conhecimento e de poder e também a luta política e cultural pela linguagem e pela experiência. Alfabetização poderia ser para o empowerment individual ou social ou para perpetuação de relações de repressão e dominação (trecho de Alfabetização e pedagogia de empowerment político de Henry A. Giroux).
Uauuu!! Como antes não havia percebido que alfabetização é muito mais do que apenas ler e escrever! Sim, a partir do momento em que a pessoa aprende a ler e escrever, ela passa a compreender melhor seu entorno, sua sociedade. Ela se empodera, pois a partir deste ato ela pode desbravar, conhecer, ter acesso a um mundo letrado que revela tantas coisas. Mas é claro, quem não lê e escreve acaba tendo diversas informações, conhecimentos, saberes negados. É preciso sempre de alguém para lhe revelar as mensagens ao seu redor. Quem lê e escreve discerne de alguma forma seu entorno. Quem não lê e não escreve fica a mercê do que outros sabem, dependentes. Talvez por isso a educação em nosso país é tão atacada e desvalorizada. É muito melhor ter pessoas ignorantes, do que pessoas empoderadas de saberes que podem revelar tantas coisas.

O princípio...

Sempre me interessei em saber como se dá o nascimento do pensamento. Bebês pensam? Nascem pensando? A partir de quando isso acontece?

Vigotsky traz alguns esclarecimentos, pois para ele pensamento e linguagem tem origens diferentes. No início da vida o pensamento não é verbal e a fala não é intelectual. O balbucio são estágios do desenvolvimento da fala que não tem relação com a evolução do pensamento. Vygotsky ressalta que a descoberta mais importante da vida da criança acontece por volta dos dois anos, as curvas da evolução do pensamento e da fala se cruzam e se unem para formar uma nova forma de comportamento, surgindo assim a fala racional ou pensamento verbal.

Mas, o que é linguagem?

Linguagem pode ser considerada como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade. Sem ela , o ser humano não é social, nem cultural. E ela que permite as trocas, o conviver, o se relacionar com outros!

Inatistas x Interacionistas

É de extrema importância conhecer as correntes e teóricos que falam sobre a construção da linguagem!
Behaviorismo de Skinner: aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Est;imulo, resposta, reforço.

Inatismo de Chomsky: a linguagem é inata. Para ele a mente deve ser estudada assim como se estuda o corpo humano, cada parte do cérebro tem sua função e existe uma parte responsável pela linguagem. A linguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. Fator biológico e cognitivo.

Interacionismo de Vygotsky: Para ele são encontrados dois tipos de determinação do sujeito (interações com outros sujeitos e linguagem). Destas determinações resulta o sujeito interativo, isto é, aquele que não é ativo e nem passivo, mas que é constituído na e pela relação interpessoal e o sujeito semiótico: sujeito constituído na e pela linguagem, sujeito resultante da relação. Linguagem é processo pessoal e ao mesmo tempo social.

Linguagem, mais que invenção cultural, necessidade humana!

Esses dias peguei uma carona para POA. Comecei um curso e encontrei umas professoras que também estavam indo para o mesmo caminho. Foi meu primeiro contato com elas e mesmo assim, conversamos muito! Fomos o caminho inteiro encontrando assuntos comuns, compartilhando histórias, narrando acontecimentos! Fiquei feliz sobre o momento e pensando sobre o tanto que falamos.
No texto "Aquisição da Linguagem" de Samanta Demetrio da Silva, tem um trecho bem interessante:

Segundo Pinker (2002), a universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural, mas o produto de um instinto humano específico.

Este recorte, me esclarece a cena que citei anteriormente. Me parece que o se comunicar é uma necessidade, é algo que o ser humano precisa fazer e faz. Logicamente cada cultura criou sua forma específica, porém pra mim é sim algo do humano, uma necessidade.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

É currículo!

Sempre me interessei em saber definições claras que me auxiliassem a entender o que é um Currículo. No texto de Jurjo Torres Santomé: Globalização e Interdisciplinariedade, no capítulo sobre Psicologia e Currículo, traz a seguinte conceituação:
Currículo é um elo entre a declaração de princípios gerais e sua tradução operacional; entre teoria educacional e a prática pedagógica; entre o planejamento e a ação; entre o que é perscrito e o que realmente sucede nas salas de aula.

É urgente!

Diante de tantas leituras que nos mostram novas formas de ensino, formas integradas, globalizadas, com sentido para os alunos, etc., fico me questionando sobre a origem de nosso ensino ao qual ainda insiste em operar em nossa sociedade!
O texto de Jurjo Torres Santomé "GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIEDADE", mostra que nosso histórico educacional sofre grandes influencias da revolução que ocorreu no funcionamento dos sistemas de produção e distribuição no âmbito empresarial (início século XX). O Taylorismo "pregava" que seus funcionários deveriam aprender bem somente a sua função, não precisavam conhecer todo um processo de produção e deveriam realizá-las no tempo mais rápido possível. Já o Fordismo, também submetia a pessoa a uma linha de produção, ditada por máquinas, onde saber apenas sua função era o suficiente. Sem contar que as funções eram as mais simplistas, não exigiam esforço cognitivo ou saber algum, apenas reproduzir! Nossas escolas, herdaram estes sistemas, onde os alunos recebem os conteúdos fatiados, fragmentados e o mais sério, não são ensinados a refletir, questionar, criticar, muitas vezes são vistos como os funcionários das fábricas, onde precisam apenas cumprir uma tarefa, reproduzir, assim negando a grande funcionalidade da escola, que é:
Preparar cidadãos e cidadãs para compreender, julgar e intervir em sua comunidade, de uma forma responsável, justa, democrática e solidária!
Precisamos de um movimento de transformação urgente!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Saber nada sobre tudo ou Saber tudo sobre nada!

“A especialização sem limites culminou numa fragmentação crescente do horizonte epistemológico. Chegamos a um ponto que o especialista se reduz àquele que, à causa de saber cada vez mais sobre cada vez menos, termina por saber tudo sobre o nada. (...)”.(JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.)
Na atualidade o que mais vemos pelas mídias, são propagandas e convites para inúmeras especializações, cursos, formações sobre os mais diversos assuntos, sem falar no nosso "amigo" google. Hoje mesmo alguém me falou que a mãe de seu aluno é servidora registral, prontamente fui fazer uma pesquisa sobre o que faz esta mãe e pronto é como se soubesse tudo de uma servidora registral! Mas na verdade não sei nada. Pesquisamos por tanta coisa e tudo ao mesmo tempo que na verdade não nos aprofundamos e assim não criamos conhecimentos reais sobre as coisas. E mesmo nesta era de facilidade de acesso aos mais variados assuntos, no que diz respeito a minha área de atuação, tenho tentado fazer o exercício de não me contentar com informações rasas sobre as coisas. Exemplo disso, tenho ouvido muito em minha escola, sobre Documentação Pedagógica, pelo que já ouvi poderia dizer que "sei muito" sobre, mas de onde veio essa abordagem? Quais os autores, livros que falam sobre? Vamos ler os livros de fato? Enfim, um exercício para que eu saiba mais e de fato, possa trilhar um caminho para um dia me tornar especialista de verdade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ninguém nasce rascista!!!

https://www.youtube.com/watch?v=FsVnlWd1Zrs
Um vídeo que me tocou de forma muito particular!
No vídeo crianças, na maioria negras, precisam falar frases de ódio contra um atriz negra, frases como: Seu cabelo é como uma esponja de aço! e outras tão preconceituosas quanto. Algumas crianças ainda conseguiram falar uma frase, mas todas ficaram constrangidas, algumas não conseguiram falar nenhuma frase, algumas choraram, pois se identificaram com frases já recebidas como aquelas. Um vídeo que nos mostra que as pessoas nascem boas,com sentimento de igualdade, mas ao longo da caminhada aprendem a ser racistas.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Método clínico!

O método clínico consiste em investigar a genese do conhecimento construído pelo sujeito em suas relações com o meio.Os procedimentos desse método são entrevista e observação das respostas e açoes do sujeito de forma interativa entre pesquisador e sujeito, respeitando as respostas trazidas, porém buscando intervenções com questionamentos sobre o conhecimento do sujeito referentes a quaisquer conteúdos a serem investigados": físico, social, moral e lógico-matemático.
De acordo com Piaget (1926, p.11), qualidades fundamentais ao bom experimentador:
“saber observar, ou seja, deixar a criança falar, não desviar nada, não esgotar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar”.  
Método Clínico propriamente dito:
  - Proposição de tarefas ao sujeito.
  - Coleta de dados por meio da observação e da conversa sobre a tarefa realizada.
  - As ações do sujeito e as suas explicações permitem seguir o seu pensamento.
Tipos de resposta na entrevista clínica com valor para a pesquisa
Espontâneas - O sujeito fala espontanea-mente, sem a intervenção ou solicitação do pesquisador.
Desencadeadas - Surgem diante das pergun-tas do experimentador, mas são elaboradas pelo entrevistado de acordo com o seu pensamento. 
Tipos de resposta na entrevista clínica sem valor para a pesquisa
Sugeridas - Comuns no pesquisador pouco experiente que sugere as respostas, sem se dar conta.
Fabuladas - Consistem em histórias contadas pelo entrevistado, sem relação com o tema.
Não-importistas - Dadas para concluir a tarefa, revelando a falta de interesse na atividade. 

Modelos Pedagógicos e Epistemológicos/ Fernando Becker

Fernando Becker traz que todas as pedagogias existentes estão encaixadas dentro de três grandes pedagogias:

Pedagogia Diretiva
Pedagogia Não Diretiva
Pedagogia Relacional

Na Pedagogia Diretiva a aprendizagem ocorre de forma tradicional, o professor é o transmissor do conhecimento, o único que pode passar este conhecimento e o aluno um ser vazio, que não tem saber algum. As aulas são silenciosas e nada de novo acontece, velhas respostas para velhas perguntas. A Disciplina é exercida com rigor. O conteúdo é escolhido apenas pelo professor. Nas salas, tem carteiras e todas enfileiradas.


Na pedagogia Não Diretiva as aulas são no formato se faz o que se quer. O conteúdo é apenas despertado no aluno. O professor é um facilitador que não intervem, pois acredita que isso não faz diferença.

Na pedagogia Relacional as aulas são interativas, dinâmicas, local de novas descobertas. Negociam-se regras de convivência. Aprendem problematizando suas ações, assimilando conteúdos ao longo do processo. O aluno sempre aprende pois é ativo neste processo e logo o professor também aprende com o aluno.

E todas essas pedagogias estão embasados em modelos epistemólogicos, ou seja, em teorias que falam sobre como se dá o processo de aprendizagem nas pessoas.

Modelo empirista (pedagogia diretiva): acredita que a pessoa aprende no ter contato com as informações que levam ao conhecimento. Pela repetição.

Modelo apriorista (pedagogia não diretiva): acredita que o saber, os conhecimento são biológicos, são herdados, já vem na genética.

Modelo Construtivista (pedagogia relacional): a pessoa aprende na interação com o meio e com os objetos.


Conhecimentos vazios!

Texto: UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO MODERNA NO SÉCULO XXI
Luciani Missio e  Jorge Luiz da Cunha
Essa grande facilidade de se obter informações, de teoricamente aprender sem esforço nenhum é, em grande parte, responsável pela perda de interesse dos jovens pela escola. É muito mais rápido obter uma informação pela Internet, do que ter que pesquisar nos livros da biblioteca; é muito mais divertido assistir televisão, com todo o seu movimento e suas cores, do que ficar sentado em uma sala de aula olhando para o professor falar. Mas o que grande parte não percebe é que ao buscar informações através dos meios de comunicação de massa estas já vêm prontas, isto é, nelas já está embutida a opinião de alguém, o que o dispensa de formular a sua, como coloca Ferres O universo do telespectador é dinâmico, enquanto que o do leitor é estático. A televisão privilegia a gratificação sensorial, visual e auditiva, enquanto que o livro privilegia a reflexão. A linguagem verbal é uma abstração da experiência, enquanto que a imagem é uma representação concreta da experiência. Se o livro privilegia o conhecer, a imagem privilegia o reconhecer. (Ferrés, 1994 apud Pérez Gómez, 2001, p.115)


Em uma era de tecnologia pra todo lado, sim, por todo lado, estamos em casa ou na rua sempre tem um wifi a nossa disposição e assim, informações disponíveis em um click! Hoje não existe conteúdo que o senhor "google" não saiba lhe falar sobre. E toda essa tecnologia tem alcançado nossos crianças, vídeos, tutoriais, youtubers, isso e muito mais tem levado "informação" aos nossos pequenos. As crianças mudaras e com isso os educadores deveriam se ligar que a educação deveria mudar também. Muitos dos conteúdos trazidos em sala, já são conhecidos e sabidos. Assim, temos que ir em busca de novas pedagogias que ultrapassem todo esse contexto e que gere o interesse nos pequenos e que traga conteúdo, já que eles tem muita informação vazia. Temos o desafio nessa era de informações dadas e vazias gerar pessoas críticas, com espírito de liderança, capazes de questionar o que lhes tem oferecido.

Inocência?

UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO MODERNA NO SÉCULO XXI
Luciani Missio e Jorge Luiz da Cunha
(...) o objetivo de toda prática educativa – facilitar a reconstrução do conhecimento experiencial do aluno – não pode se entender nem se desenvolver sem o respeito à diversidade, às diferenças individuais que determinem o sentido, o ritmo e a qualidade de cada um dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. (Pérez Gómez, 2001, p.67)


Antigamente as relações entre a escola e as culturas eram no máximo duas: ou a escola como reprodutora de uma cultura dominante ou a escola forçando uma luta contra a cultura hegemônica. Hoje a escola deveria ser vista como o espaço de cruzamento de culturas, produzindo, criando novas práticas culturais para além das normas e das imposições, isto é, uma escola que reproduz, mas que também produz; onde “as diferentes culturas que se entrecruzam no espaço escolar impregnam o sentido dos intercâmbios e o valor das transações em meio às quais se desenvolve a construção de significados de cada indivíduo” (Pérez Gómez, 2001, p.16).

Para mim, os dois textos falam de pontos bem importantes: que tipo de educadores temos? Qual conceito de educar que nossos educadores tem?
Para mim, é difícil conceber que em frente há tanta tecnologia, informação, formação, ainda existam "educadores" que utilizam o mesmo caderno de planejamento de 20 anos atrás (sim, infelizmente eu tenho provas disso). Prefiro achar que estas ações se dão na inocência, embora eu não ache nada inocente o que muitos "educadores" provocam em seus alunos com esse tipo de atitudes, destroem capacidades, criatividades, mentes brilhantes, por não compreender as multi formas de ensinar, de aprender, de uma forma prazerosa e que tenha sentido para os educandos.

A "Receita"

Para Durkheim e Parsons, os princípios básicos que fundamentam e regem o sistema social são:
- continuidade;
-conservação;
-ordem;
-harmonia;
- equilíbrio.

Para eles,  a educação não é um elemento para a mudança social e sim um elemento fundamental para a “conservação” e funcionamento do sistema social.


Analisando a "receita" de Durkhein e Parsons fico pensando em como tem vivido nossa geração e como o sistema social tem desenvolvido. As pessoas não tem censo de continuidade, ora são e querem algo, ora já tem ideias totalmente diferentes. Conservação? Vemos isso muito exemplificado nos relacionamentos, casamentos desfeitos, famílias desfeitas por pouca coisa e isso tem se expandido para outros locais, não gostei do meu trabalho, meu chefe me chamou a atenção? É muito mais fácil se demitir e ir procurar algo conforme minha vontade. Ordem, harmonia, equilíbrio? Penso que nem preciso falar mais nada! 

Somos exemplos!

A relação educação e sociedade: Os fatores sociais que intervem no processo educativo de Alberto Noé
No decorrer do texto citado acima, observamos a fala de Durkhein explicitando sobre o fato dos conteúdos da educação serem independentes as vontades individuais, mas as normas e valores desenvolvidos por uma sociedade ou grupo social em determinados momentos é que adquirem certa generalidade, tornando-se coisas exteriores aos indivíduos. E no recorte (imagem) acima Durkhein chama a atenção sobre a educação moral das crianças. Ele traz a responsabilidade que é a nossa conduta, nossa forma de ser e agir é que ensinará sobre isso aos pequenos! Somos exemplos, somos espelhos, somos referencias! Que tipo de referencial quero ser? Um referencial que irá alavancar ou destruir uma perspectiva de futuro?

Educação Multicultural

Na visão de Banks, a educação multicultural é um movimento reformador destinado a realizar grandes mudanças no sistema educacional. Concebe como a principal finalidade da educação multicultural favorecer que todos os estudantes desenvolvam habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para atuar no contexto da sua própria cultura étnica, no da cultura dominante, assim como para interagir com outras culturas e situar-se em contextos diferentes dos de sua origem (Banks, 1999, p. 2).
Com este trecho do texto "Sociedade, Cotidiano e Cultura(a): Uma aproximação" de Vera Maria Ferrão Candau me faz refletir e chegar a conclusão de que a educação multicultural (de verdade) tem como princípios principais o reconhecimento de si mesmo, o respeito pelo outro e a legitimação do outro como cidadão digno deste respeito e reconhecimento. Pois imagina se em todos os espaços, as pessoas tivessem total conhecimento de sua história, de sua cultura e mesmo assim fossem abertos para entender os outros, as suas histórias, suas culturas, enfim. Mas o que vemos hoje é uma guerra de ego, uns querendo ser melhores que outros, apenas porque tem cor de pele diferente ou uma raça diferente! Precisamos lutar por uma sociedade baseada no respeito e na autentificação do outro.



Igualdade se opõe a desigualdade!

"'Não se deve contrapor igualdade à diferença. De fato, a igualdade não está oposta à diferença, e sim à desigualdade, e diferença não se opõe à igualdade e sim à padronização, à produção em série, à uniformidade, a sempre o “mesmo”, à “mesmice”.".
Esse recorte do texto "Sociedade, Cotidiano Escolar e Cultura(s): Uma aproximação" de Vera Maria Ferrão Candau me faz ter um pensamento inédito! Igualdade e diferença não estão opostos, afinal igualdade é mostrar mesmas proporções em uma competição e diferença é ter as mesmas proporcões, porém apresentadas de formas não iguais em uma competição, exemplo: todos são pessoas, porém todos com cabelos compridos e azuis (iguais). Todos são pessoas, todos com cabelos e cada cabelo com uma cor, porém alguns cabelos cumpridos outros curtos, alguns pretos outros loiros (diferentes). Já a desigualdade seria não ter cabelos.

domingo, 11 de março de 2018

Jean Piaget por Yves de La Taille

Assimilação: este conceito vem da Biologia, quando uma pessoa  entra em contato com o objeto do conhecimento ou com o meio e ela tira destes informações e as organiza ou reorganiza. Tornar seu.

Acomodação: as estruturas mentais são capazes de se modificar para dar conta das informações do objeto.

Equilibração: estabilidade mental diante das informações que o objeto "proporciona". Crescimento do Conhecimento.

Abstração Empírica: informações que eu retiro do objeto do conhecimento. Pensar sobre o mundo.

Abstração reflexiva: informações que eu retiro sobre minhas ações sobre o objeto. Pensar sobre as ações sobre o mundo.

Os Estágios significam que a inteligência dá saltos, muda de qualidade:

1)Sensório-motor: 0 aos 24 meses:
- a inteligência é anterior a fala;
- inteligência prática. A criança não emprega linguagem apenas emprega suas percepções e suas ações. Uma inteligência em ação;

Conceito de Objeto permanente: embora não vejo, ele ainda existe (cerca de 9 meses)
Causalidade: entender que os objetos interagem entre si e causam efeitos entre si. Pensar que os objetos se movem de acordo com suas ações.
Diferenciação de meios e fins (cerca de 9 meses)
Percepção tridimensional

2)Pre-Operatório (representação): 2 aos 7 anos
Representação: capacidade de falar de um objeto através de um substituto do objeto
Passa a se reconhecer no espelho (implica a pensar no espelho que a imagem sou eu, mas não sou eu)
Introdução da linguagem
Introdução à moralidade (valores, certo e errado)
Egocentrismo: a criança tem dificuldade em ver o ponto de vista do outro


3)Operatório: 7 anos a seguir. Dentro do operatório, Piaget dividiu em operatório Concreto (7 aos 12 incompletos) e Operatório Formal ( 12 adiante)
Organizar pensamentos através da lógica

Conceito de operação: ação interiorizada reversível (ação= manipular o mundo, agir sobre o mundo. Interiorizada= imaginar, representar. Reversível (pensar a ação e a anulação da ação). Penso sobre o que fiz e volto a ação.

Parte do todo: tem dificuldade em saber que butanta fica em São Paulo

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OPERATÒRIO CONCRETO E FORMAL:
CONCRETO: a criança faz uso dessa capacidade operatória apenas em cima de objetos que ela possa manipular ou de situações que ela possa vivenciar ou lembrar.

FORMAL: Trabalha com hipóteses, lógica, textos, informações totalmente desconectados a sua realidade, pensar sobre as hipóteses, informações.


DESENVOLVIMENTO DA MORAL DA CRIANÇA:

Piaget diz que assim como a inteligência evolui a moral também evolui:
1) Anomia: ausência de regras, desvio das leis naturais;
2) Heteronomia: sujeição a uma lei exterior;
3) Autonomia: capacidade de governar-se pelos próprios meios.

PIAGET e a EDUCAÇÃO:

É o autor que traz base teórica para educadores.

Método de Pesquisa

Piaget colocava crianças em frente a situações para resolver problemas. Observava as reações e como elas resolvem estas situações.

LEITURAS:
O nascimento da inteligencia na criança - Piaget
A construção do real na criança
A formação do símbolo na criança
Da lógica da criança a lógica do adolescente
Juízo moral na criança
A psicologia da criança
Seis estudos de psicologia 


Síndrome de Torrete!

Assistir o filme e ler mais sobre o assunto me fez pensar sobre o fato de como tenho que aprender e crescer dentro de minha área!!!
Quantas são as síndromes, as deficiências, os transtornos e as altas habilidades!
Estou preparada (principalmente teoricamente) para enfrentar estes desafios? Na verdade, me dá um certo temor, pois estas pessoas necessitam do nosso respeito e do nosso apoio, pois muitas, só irão encontrar suporte no nosso meio, no meio da nossa escola!

Síndrome de Torrete:
Geralmente diagnosticável pela própria pessoa
Envolve movimentos repetitivos incontroláveis ou sons indesejados (tiques), como piscar repetidamente os olhos, encolher os ombros ou deixar escapar palavras ofensivas.
As pessoas podem ter:
No comportamento: agressão, comportamento compulsivo, hiperatividade, imitação involuntária de movimentos de outra pessoa, impulsividade, movimentos repetitivos, praguejando incontrolavelmente, repetição de palavras sem sentido, repetição sem sentido das próprias palavras ou falta de moderação
Nos músculos: tique, aumento da atividade muscular ou movimentos involuntários
No humor: ansiedade, apreensão ou raiva
Também é comum: dificuldade de aprendizagem, gagueira, pigarrear com frequência, piscar os olhos repetidamente, resposta exagerada ao receber um susto, tosse ou tremores nas pálpebras

Evolução da legislação (Delou, 2007) Histórico da normatização e da legislação:

Evolução da legislação (Delou, 2007) Histórico da normatização e da legislação (Altas Habilidades):
 1929 – Primeira legislação sobre superdotação - Reforma Educacional fala em “super-normaes”.
 1961 – A LDB passa a incluir os excepcionais, e H. Antipoff lembra os bemdotados como parte deles.
 1967 – Critérios para a identificação e o atendimento ao superdotado, para identificar as “melhores cabeças”, em virtude do “milagre brasileiro”.
  1971 – A Lei 5.692/1971, art. 9o, nomeia os superdotados. O artigo não é regulamentado em alguns estados, por causa de uma cultura de exclusão.
 1971 - A superdotação passa a ser área prioritária da Educação Especial.
 1972/74 – Definição de classes regulares e especiais, atividades de enriquecimento.
 1994 – Política Nacional da SEESP/MEC: revisão de conceitos, análise da situação, fundamentos. Declaração de Salamanca – Integração e inclusão: revisão das políticas.
 1996 – Lei 9.394/1996 - reconhecimento das necessidades educacionais especiais dos PAH.
 2002 – Uma política de editais gera exclusão, criando concorrência entre os projetos por financiamentos.
 2005 – NAAH/S – Cria um novo paradigma de inclusão para todos os profissionais que aceitarem participar da discussão.
  2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Datas importantes no Brasil/Altas Habilidades


  1938 Helena Antipoff chama a atenção, na Sociedade Pestalozzi, para os bem-dotados.
 1950 Julieta Ormastroni cria o programa “Cientistas para o Futuro”.
 1966/1967 Primeiros seminários sobre educação dos bem-dotados (Sociedade Pestalozzi).
 1967 O MEC cria comissão para estabelecer critérios de identificação e de atendimento aos superdotados.
  1972 Centro Educacional Objetivo – início do atendimento aos superdotados na rede privada.
 1973 Criação da ADAV – Associação Milton Campos para Desenvolvimento e Assistência a Vocações de Bem-Dotados.
 1975 Fundação José Carvalho – aulas de mineração, computação e administração para alunos de baixa renda.
  1975 NAS – Núcleo de Apoio à Aprendizagem do Superdotado.
 1978 ABSD – Associação Brasileira para Superdotados.  1986 Solange Wechsler cria o “Clube de Talentos”.
 1993 CEDET/ASPAT – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento em Lavras.
 1993 Programas para superdotados na Universidade Federal Fluminense.
 2003 Criação do ConBraSD – Conselho Brasileiro de Superdotação.
 2006 Implantação das NAAH/S (Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/ Superdotação).

Missão cumprida!

COMPETÊNCIA SOCIAL, INCLUSÃO ESCOLAR E AUTISMO: REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA
Síglia Pimentel Höher Camargo e Cleonice Alves Bosa

Desse modo, Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) referem que, diante de uma inclusão adequada, mesmo que uma criança apresente deficiências cognitivas importantes e apresente dificuldades em relação aos conteúdos do currículo da educação comum, como pode ser o caso do autismo, ela pode beneficiar-se das experiências sociais. O objetivo do aprendizado de coisas simples do dia-a-dia (e.g., conhecer-se, estabelecer relações) seria o de as tornarem mais autônomas e independentes possíveis, podendo conquistar seu lugar na família, na escola e na sociedade. Desse modo, “na medida em que esses ‘conteúdos’ vão sendo desenvolvidos e ‘aprendidos’ por esses alunos, torna-se possível a entrada de outros conteúdos, da alfabetização, da matemática, etc.” (Zilmer, 2003, p. 30).

Analisando este recorte do texto, me veio uma sensação de missão, dever cumprido!! Há dois anos atrás, tive uma deficiente visual em minha turma (ela tinha  2 anos de idade). Como trabalhar com ela os "conteúdos" e propostas como com os outros? Na minha ignorância teórica, mas guiada por um bom senso, decidimos caminhar por uma linha onde estimularíamos a autonomia e independência dela. Auxiliar ela a desenvolver coisas simples mas cruciais no seu dia a dia era nosso plano. Ver ela andando pela sala com muita segurança, observar os amigos ajudando ela e a guiando pela escola era incrível! E agora, dois anos depois me deparo com essa teoria que me traz a certeza que fizemos um bom trabalho, andamos pelo caminho certo! "Missão cumprida!"

História, conceito e tipos de deficiência por Izabel Maior

De acordo com Carvalho, é importante notar que, ao contrário de outros grupos sociais visivelmente homogêneos e com necessidades compartilhadas, as pessoas com deficiência têm na própria diversidade uma de suas mais evidentes características (CARVALHO, 2012).

Na legislação brasileira, os diferentes tipos de deficiência estão categorizados no Decreto nº 5.296/2004 como: deficiência física, auditiva, visual, mental (atualmente intelectual, função cognitiva) e múltipla, que é a associação de mais de um tipo de deficiência (BRASIL, 2004). Enquadram-se nas categorias do Decreto nº 5.296/2004:

“a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções” A deficiência física compreende as condições de dificuldade na marcha, na sustentação e no equilíbrio do corpo, da cabeça e na movimentação dos membros superiores, em graus diferentes de comprometimento, como paralisia (plegia) e falta de força (paresia). Para melhorar a funcionalidade são utilizados equipamentos como próteses (nos casos de amputação), órteses como muletas, bengalas, calhas, estruturas para apoiar os membros e cadeira de rodas. As pessoas com deficiência física têm limitação para ir e vir, sair e entrar, alterar posições para se proteger, obedecer a instruções como ficar parada, levantar os braços, virar-se, sair de um veículo. Portanto, em algumas situações elas precisam de auxílio imediato para deixar ambientes de risco à sua integridade, tais como incêndios, desmoronamentos, desastres naturais, acidentes e agressões. Em caso de revista, as próteses e algumas órteses e bolsas coletoras usadas por baixo das roupas não devem ser confundidas com armas. A pessoa com deficiência não pode ser privada de seu respectivo equipamento, inclusive no caso de detenção em cadeias ou presídios. 5

“b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz” As pessoas com deficiência auditiva que antes ouviram, desenvolveram a comunicação oral e deixaram de ouvir, são capazes de falar e se foram alfabetizadas usam a língua portuguesa para escrever e para ler as legendas para interagir. As pessoas que já nasceram surdas ou perderam a audição antes de aprender a falar usam a língua de sinais como forma de comunicação; podem falar ou não, e percebe-se alteração na forma de falar; muitas vezes, sua capacidade de ler e de escrever é insuficiente. É direito legal da pessoa surda utilizar a Língua Brasileira de Sinais – Libras, oficializada na Lei nº 10.436/2002, sendo obrigação do Estado manter intérpretes de Libras nos órgãos públicos, bem como capacitar os agentes públicos a usar a Libras (BRASIL, 2002). De forma complementar, a comunicação escrita na tela do aparelho celular, tablete ou computador pode facilitar a comunicação. A leitura labial exige visão direta e fala pausada, entretanto a comunicação é parcial e pode gerar falso entendimento. As pessoas surdas não reagem a alarmes e ordens sonoros, não conseguem gritar por socorro e estão mais expostas ao perigo.

‘c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores” As pessoas com deficiência visual podem ser cegas ou apresentar baixa visão. Nos casos de baixa visão, as pessoas se beneficiam com imagens e letras ampliadas e próximas, com bom contraste de cores, entre o fundo e a imagem. As pessoas cegas e as com baixa visão usam bengalas para evitar obstáculos e perigos e para direcionar seu deslocamento; os pisos táteis facilitam sua mobilidade. A pessoa com deficiência visual pode usar o cão-guia nas suas atividades dentro e fora de casa e em todos os ambientes, exceto os proibidos no Decreto nº 5904/2006, referente a algumas áreas das unidades de saúde e nos locais que exigem esterilização individual. É direito da pessoa cega ter acesso à informação em Braille, código de escrita (pontos codificados em alto relevo). Aborda-se uma pessoa com deficiência visual falando-se com ela em volume normal de voz (cego não tem deficiência auditiva). Para auxiliá-la, oferece-se o braço, que servirá de guia. Não se puxa uma pessoa cega e também não há necessidade de sustentá-la. Ao afastar-se de uma pessoa cega avise para não deixa-la falando sozinha.

d) deficiência mental, leia-se intelectual: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: 1. comunicação; 2. cuidado pessoal; 3. habilidades sociais; 4. utilização dos recursos da comunidade; 5. saúde e segurança; 6. habilidades acadêmicas; 7. lazer; e 8. trabalho” 6 Cabe ressaltar que a deficiência intelectual refere-se ao aspecto cognitivo e não se confunde com o transtorno ou doença mental. Outra observação importante é o fato de haver graus de deficiência intelectual definidos pelas limitações no aprendizado e outras habilidades adaptativas. A síndrome de Down (alteração genética) é expressa por características físicas detectáveis facilmente, entretanto a maior parte das situações de deficiência intelectual não tem manifestações perceptíveis. As pessoas com deficiência intelectual desenvolvem suas habilidades com atenção em saúde e habilitação, educação inclusiva, oportunidades de participação nas atividades sociais, inclusive nas de trabalho. Quando houver a abordagem de uma pessoa com deficiência intelectual, devem ser usadas frases curtas e simples, sabendo-se que o tempo de resposta é mais lento e, muitas vezes, elas não querem demonstrar que não entenderam a pergunta ou a ordem recebida. Frente a situações estressantes, a pessoa com deficiência intelectual pode ficar muito impaciente ou tentar fugir, pois não sabe o que está ocorrendo, pois não foi preparada para emergências. Em um interrogatório ela pode ser levada a dar as respostas que pensa que irão agradar, por exemplo, confessando aquilo que não fez e, dessa maneira são consideradas culpadas com mais facilidade. Estudos demonstram que na população prisional norte-americana o percentual de detentos com deficiência intelectual é muito mais elevado que na população em geral. Isso não significa uma predisposição ao crime e sim uma desvantagem em relação ao sistema policial e judicial que não está preparado para lidar com as diferenças humanas (WEISS, 2014). Pessoas com deficiência intelectual acreditam em “amigos” e são alvos mais fáceis e mais frequentes de todas as formas de violência. Na maioria das vezes não têm como relatar os abusos ou a sua queixa é desconsiderada tanto pela família como pelas autoridades (WEISS, 2014). Todavia, com as técnicas adequadas de aproximação e diálogo, os profissionais em escolas, conselho tutelar, polícia e outros serão capazes de perceber corretamente e valorizar o depoimento da vítima ou de uma testemunha com deficiência intelectual.

 e) deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências Entre as possíveis situações de deficiência múltipla encontra-se a paralisia cerebral, diagnóstico referente à lesão cerebral adquirida que pode afetar os movimentos, a visão, a audição, a função cognitiva, em diferentes associações. Algumas pessoas têm grande autonomia, ao passo que outras necessitam de cuidados permanentes em todas as áreas da vida. Devido a essa situação severa, elas são vítimas frequentes de violência, abandono e maus-tratos. A partir da Lei 12764/2012, as pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) passaram a ser consideradas pessoas com deficiência. Elas apresentam deficiência significativa na comunicação e na interação social (BRASIL, 2012). Os casos podem variar desde não aprender a falar e ter deficiência intelectual profunda até não ter deficiência intelectual e conviver na comunidade, seguindo suas próprias rotinas. Também se caracterizam por comportamento repetitivo (balançar o corpo, as mãos, gritar) e áreas restritas de interesse. Tal como em outros casos de deficiência, são pessoas em risco de violência e necessitam de 7 atendimento especializado dos órgãos de defesa de direitos e de segurança pública. A história e o novo conceito de deficiência mostram a evolução das sociedades para o respeito às diferenças individuais, ensejando que as pessoas com deficiência tenham acesso aos direitos, aos bens e serviços e participem na vida comunitária em igualdade com as demais pessoas. Entretanto, a existência de arranjos sociais que favorecem a violência, tanto intrafamiliar como externa, exige maior conhecimento dos profissionais acerca das características peculiares dos tipos de limitação funcional e a repercussão sobre a capacidade de defesa ou o risco de uma pessoa com deficiência ser vítima de violência. Saber lidar com as pessoas com deficiência em quaisquer situações é derrubar barreiras e trabalhar a favor da inclusão.

Mitos e verdades por Emílio Figueira

MITOS
REALIDADES
Deficiência é sempre fruto de herança familiar
As grandes causas de deficiência não têm origens genéticas ou hereditárias. São resultados da falta de saneamento básico que ocasiona infecções, falta de assistência pré-natal e ao parto e, principalmente, os acidentes de carro e a violência por arma de fogo.
As pessoas com deficiência são todas amigas ou familiares uns dos outros
As pessoas quando encontram alguém com deficiência costumam perguntar se ela conhece uma outra pessoa como se todas as pessoas com deficiência do mundo se conhecessem e fossem amigas. Porém, como qualquer ser humano, estas pessoas não vivem num mundo à parte em que só existam outras pessoas assim, sendo que o fato de terem a mesma deficiência, por exemplo, não faz com que automaticamente concordem sobre tudo. São pessoas diferentes com diferentes visões de mundo, assim como qualquer outra.
Existem remédios milagrosos que curam as deficiências
Apesar dos esforços e conquistas das pesquisas e do conhecimento de biologia molecular, os diferentes tipos de deficiência ainda não têm cura. Em alguns casos existem medicamentos que podem auxiliar em um ou outro sintoma, mas o mais importante é a estimulação da pessoa e a minimização da desvantagem, ou seja, tornar o ambiente mais acessível física e atitudinalmente para que todos possam usufruí-lo.
Deficiência é doença
Deficiência não é doença e nem é contagiosa. Uma deficiência pode ser sequela de uma doença, mas não é a própria doença.
Pessoas com deficiência física não têm vida sexual
Pessoas com deficiência física não têm vida sexual.
Todo surdo é mudo
A pessoa com surdez na maior parte dos casos apresenta os órgãos fonoarticulatórios íntegros e tem todo o potencial para desenvolvimento da fala. Não é porque é surdo que se torna automaticamente mudo. A mudez autêntica é extremamente rara e decorrente de lesões cerebrais.
A pessoa com deficiência mental gosta de trabalhos repetitivos
Algumas pessoas podem se sentir mais confortáveis com atividades repetitivas, isso faz parte da diversidade humana de aptidões e personalidades, mas não é característica de um determinado grupo de pessoas. Algumas pessoas com deficiência mental gostam de ambientes e atividades mais estruturadas, outras gostam das expressivas e artísticas, ou seja, como qualquer outra pessoa elas têm gostos e preferências.
Só há duas categorias de pessoas: os cegos e os que veem "normalmente"
Existem pessoas com baixa visão, que podem distinguir formas ou cores. Algumas pessoas com baixa visão podem ler com o auxílio de uma lupa. Também existem as pessoas que não enxergam.
Todo cego tem tendência à música
A pessoa cega tem uma atenção diferenciada aos estímulos auditivos, afinal, a audição a auxilia na locomoção e localização, ajudando na noção de distância. Daí para esta atenção tornar-se um talento sobrenatural para a música há uma grande diferença.