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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Questão de Sobrevivência!

Segundo pesquisa do IBGE (2016), o Brasil conta com 11,8 milhões de analfabetos, ou seja, 7,2% de sua população não sabe ler e escrever.
Destes números, a região com maior índice de analfabetos é o nordeste, onde 14,8% de sua população não possui a habilidade da "leitura das palavras". Acompanhe o mapa brasileiro de analfabetismo (dividido por regiões):


Realizando uma busca por "como a pobreza se distribuí no Brasil", encontrei uma pesquisa da revista virtual Super Interessante que aponta que na região Nordeste, 53% de sua população vive na pobreza ou em uma linha ainda abaixo da pobreza.
Teriam estes números alguma relação? A pobreza e o analfabetismo estariam interligados? Totalmente!
O texto "Analfabetismo de Adultos: ainda um desafio" de Regina Hara, aborda os fatores de ordem social como grandes responsáveis por estes dados.
Fico pensando em uma família, pai e mãe, alguns filhos. Com salário insuficiente para prover todas as necessidades básicas como alimentação, moradia e saúde, o que fazer? Logicamente aqueles filhos que vão crescendo, precisam abandonar as salas de aula para auxiliar na busca de recursos. Sendo assim, é mais que "normal"  o abandono da escola, pois o trabalho mesmo que difícil e muitas vezes indigno traz uma solução rápida para suas necessidades básicas. Passado o tempo, agora adultos, estas pessoas decidem retornar a sala de aula, porém precisam continuar trabalhando e chegam as salas de aulas cansados, exaustos, desmotivados após uma longa jornada de trabalho. Alguns persistem, muitos desistem! Sem falar naqueles que nem tentam!
Então, voltando para o Nordeste, encontramos uma população pobre, onde estas histórias acontecem, se repetem e infelizmente se revelam nos dados! E certamente uma situação que acomete outras realidades, outras famílias, outras populações, não somente na região citada, pois bem como diz a autora, as camadas populares compreendem a escolarização como peso menor de necessidade, pois precisam garantir o básico para viver ou talvez, simplesmente sobreviver!









segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Fala aí Paulo!

Por que alfabetizar? Para que uma pessoa saiba ler e escrever! Para que ela possa se deslocar, ir e vir sobre suas escolhas, seus olhares. Essa seria minha resposta, simples e sem encantamento. Vou perguntar para Paulo Freire! Freire por que Alfabetizar?

"Para que pessoas que vivem numa cultura que conhece letras não continuem roubadas de um direito- o de somar a "leitura" que já fazem do mundo, a leitura da palavra, que ainda não fazem" (FREIRE, apud BARRETO, 1998, p.77).
SIMPLES assim!

Freire transforma!

Soares descreveu que a concepção de alfabetização de Paulo Freire, transforma:

Material: as palavras são extraídas do universo vocabular dos alunos e as palavras são aquelas que possuem significados para eles.

Objetivo: de aprendizado de técnicas para ler e escrever para alfabetização como tomada de decisão.

Relações Sociais: de aluno para participante de um grupo. A aula deve ser dialógica, onde os alunos devem cansar e não dormir.

E transforma o professor, de uma pessoa que poderia apenas ensinar uma técnica, para alguém que pode alavancar pessoas, fazer suscitar sonhos, histórias, possibilidades. Não há nada mais encantador do que proporcionar novas possibilidades e perspectivas aos alunos.

Educar para libertar! Educar para conscientizar!

Já entendi que Freire nos apresentou um conceito bem mais amplo sobre Alfabetização. Ainda sobre, ele diz que alfabetização não é um jogo de palavras é a consciência reflexiva da cultura, a reconstrução crítica do mundo humano, a abertura de novos caminhos. Importante sempre ressaltar que ele não criou um método, mas uma concepção de alfabetização como prática da liberdade, educação como conscientização (SOARES, 2007,p.119). De fato, não tenho dúvidas, que o que me marcou neste semestre foi enxergar a alfabetização nesta perspectiva e claro, penso que eu posso ampliar este conceito, visando esta concepção para as crianças que estão em nossas escolas.

Empoderamento

Os textos de Paulo Freire falam muito sobre Empoderamento. Pensando sobre a palavra, desprovida de qualquer conceito prévio, obviamente me vem algum significado relacionado a PODER. Mas será um poder dado a mim por alguém? Será um poder provido de um outro lugar? Que PODER é esse?
Para Freire, Empoderamento não é no sentido de dar poder a alguém, mas no sentido de ATIVAR a potencialidade criativa de alguém, como também de desenhar e potencializar a capacidade das pessoas. Empoderamento não é apenas um ato psicológico, individual, mas um ato social e político! Fico pensando em adultos que analfabetos e que aprendem a refletir, questionar, ler e escrever, o quanto isso deve despertar neles uma nova forma de ser e de viver! Atuo com educação infantil a anos, mas confesso que adoraria ter e viver esta experiencia de perto, empoderar pessoas, ajudá-las a reviver e ter novas perspectivas, deve ser realmente gratificante!

Educação Problematizadora

Ainda pensando sobre a importância de conhecer formas de se fazer educação, já decidi que não quero fazer uso de uma Educação Bancária. Já sei o que não quero, mas o que quero, o que seria o ideal? Paulo Freire me apresenta a Educação Problematizadora, ou seja, uma forma de se fazer educação que consiste na força criadora do aprender, de que fazem parte a comparação, repetição, constatação, dúvida rebelde e uma curiosidade não facilmente satisfeita (FREIRE,1996,p.28). Uau!!! Que incrível seria formar pessoas com todas as capacidades! Pessoas inteligentes, com alto nível intelectual! Sonho com o dia onde teremos estes seres pensantes e não mais seres ignorantes que muitas vezes não sabem nem o nome do prefeito de suas cidades!

Na onda de Freire

Acho bem importante eu saber, conhecer, nomear formas de trabalho na educação, pois assim vou poder refletir e definir sobre quais perspectivas e definições irei construir minha prática. No texto Educação Bancária de Jerônimo Sartori ele define a Educação Bancária, uma forma bem ao contrário da perspectiva de uma educação para o empoderamento como lutava Paulo Freire. Educação Bancária perpetua as antigas práticas, educa para a consciência ingênua, reprime a curiosidade, a crítica, o questionamento.  Desestimula a capacidade de desafiar-se, de arriscar-se, tornando o sujeito passivo. Como já disse, bem ao contrário da visão de Freire, que acredita que o professor deve problematizar todos os assuntos, nunca entregar algo pronto, elaborado ou seja, fazer os educandos pensar sobre as coisas. Assim, penso que quero embarcar "na onda de Freire", aprender a ensinar de uma forma onde meus alunos possam se tornar críticos, pensantes, pessoas de opinião que lutam por seus direitos e que fazem a diferença. Ensinar para o empoderamento, grande desafio em uma era onde o pensar é o que menos se quer e se faz!

Analfabetismo, muito mais do que não saber ler e escrever...

O que é analfabetismo? Simples, um indivíduo que não sabe ler e escrever, certo?
Depende, a concepção de Paulo Freire enxerga o ato da alfabetização de uma forma bem mais profunda do que simplesmente aprender símbolos e seus respectivos sons.
Nesta visão mais ampla, analfabetismo é uma forma de privação cultural, visto que vivemos em uma sociedade letrada onde tudo se dá através da leitura e escrita. Imagina como não deve se sentir alguém que precisa pedir ajuda para identificar o ônibus que precisa pegar? Tudo bem, alguém pode ajudar ou a pessoa aprende outras formas de identificar, mas como fazer para ler ou escrever uma receita, anotar o número de um telefone, escrever uma carta? De fato em uma sociedade regida pelas letras, com certeza um analfabeto deve se sentir triste, excluído e deve passar por diversas dificuldades e privações. Por isso, para Paulo Freire Alfabetização é um projeto onde indivíduos afirmam seus direitos e sua responsabilidade não apenas de ler, compreender e transformar suas experiências pessoais, mas também de reconstituir sua relação com a sociedade mais ampla.

Muito mais que....

Alfabetização como um conceito e como uma prática social que devem estar vinculados a configurações de conhecimento e de poder e também a luta política e cultural pela linguagem e pela experiência. Alfabetização poderia ser para o empowerment individual ou social ou para perpetuação de relações de repressão e dominação (trecho de Alfabetização e pedagogia de empowerment político de Henry A. Giroux).
Uauuu!! Como antes não havia percebido que alfabetização é muito mais do que apenas ler e escrever! Sim, a partir do momento em que a pessoa aprende a ler e escrever, ela passa a compreender melhor seu entorno, sua sociedade. Ela se empodera, pois a partir deste ato ela pode desbravar, conhecer, ter acesso a um mundo letrado que revela tantas coisas. Mas é claro, quem não lê e escreve acaba tendo diversas informações, conhecimentos, saberes negados. É preciso sempre de alguém para lhe revelar as mensagens ao seu redor. Quem lê e escreve discerne de alguma forma seu entorno. Quem não lê e não escreve fica a mercê do que outros sabem, dependentes. Talvez por isso a educação em nosso país é tão atacada e desvalorizada. É muito melhor ter pessoas ignorantes, do que pessoas empoderadas de saberes que podem revelar tantas coisas.