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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Por uma proposta pedagógica construída sobre o poder constitutivo e criador da Ação Humana

Se formos parar para observar e estudar sobre as crianças, cada faixa etária nos apresenta características e ações bem específicas. No berçário, tudo é estréia, um mundo todo colocado a disposição, onde tudo é novo e é preciso ser conhecido, experimentado, observado, explorado. Coloque uma caixa de brinquedos para que bebês ( 0 a 1 ano e 6 meses) brinquem! O que acontece? De repente, tudo está fora da caixa!Sim, eles exploram e investigam tudo o que é posto, devido a necessidade de desbravar o novo! Infelizmente, já ouvi colegas dizendo: amigo, não precisa retirar tudo da caixa, escolhe um e brinca! É preciso compreender que a aprendizagem numa perspectiva relacional se dá através da ação do sujeito sobre o objeto, porém é preciso ter bem definido que tipo de ação é esta. A ação que possibilita a aprendizagem, dá significado as coisas, possibilita a realização dos desejos humanos e suas necessidades. Assim, bebês necessitam agir sobre tudo o que está posto e precisam ter este direito garantido. Fernando Becker alerta que há a ação aprisionada: interação pautada no treinamento, monotonia da repetição e pela imposição autoritária.
Tenho uma filha de 1 ano, desde recém nascida tentamos possibilitar e garantir que suas necessidades de ação sejam garantidas. Nas fotos abaixo (com 6 meses), ela com um cesto, onde colocávamos vários objetos e as ações pegar, observar, explorar e abandonar se repetia até que o cesto ficasse vazio.











Neste dia, o mais interessante foi que depois de agir sobre tudo o que estava dentro do cesto, o próprio cesto virou um objeto de exploração.


Teve um outro dia, que ela encontrou o pacote de fraldas sobre o sofá, conseguiu pegar e logo já começou a explorar. Quando eu vi, meu impulso quase me levou a chamar a atenção dela, consegui me segurar, afinal ela não sabe ainda que as fraldas são caras e que pode danificar. Resolvi deixar ela explorar e comecei a observar e registrar! Depois fiquei pensando, será que não fui permissiva demais? Obviamente não vou deixar ela brincar sempre com o pacote de fraldas, depois que ela retirou e observou todas as fraldas conversei com ela, ela me ajudou a guardar e disse que ela tinha outros brinquedos adequados. Fiquei feliz, por que permiti que minha filha tivesse sua necessidade de investigação respeitada naquele momento. 




Entro uma vez por semana no berçário de minha escola e lá também tento garantir que os bebês possam agir conforme seus interesses e necessidades. Disponibilizamos diversos cestos pela sala, cada um com objetos diferentes e as interações são das mais diversas. A sala também conta com brinquedos motores onde podem subir, descer, etc.







 Possibilitar ações ricas para as crianças não é fácil, observo que os brinquedos pela sala, visto muitas vezes como "bagunça", a livre exploração, o fato de não estarem fazendo tudo igual ao mesmo tempo incomoda muitos colegas. Mas sei que preciso seguir com o que acredito e cada vez mais me respaldar teoricamente para fazer um trabalho de qualidade e de respeito à infância. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Se meu caderno falasse?

Em 2005 realizei meu estágio de magistério. Lembro que quando fui conversar com a diretora, solicitei uma 2 série! Com toda educação, ela me disse que não seria possível, pois a professora não aceitaria. Tudo certo, fiz meu estágio com uma 4 série e foi muito bom!
Na medida que fui conhecendo melhor a escola, meus colegas professores, fiquei sabendo que a professora da 2 série atuava há mais de 15 anos na mesma faixa etária e utilizava sempre o mesmo caderno/roteiro de atividades. O mais interessante foi uma das minhas crianças dizendo "Sôra, todo mundo faz os mesmos exercícios da Sôra ....., eu fiz e agora meu irmão está fazendo!". Achava aquilo um pouco estranho, era possível alguém utilizar as mesmas propostas por tanto tempo? Mas na época não tinha muita bagagem teórica para realizar reflexões mais profundas! Depois de um tempo, lembrando sobre ela, ficava pensando que talvez tivesse sido o jeito que ela"aprendeu a ser professora".
O texto de Fernando Becker " Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos" mostra que é um pouco mais do que o jeito de aprender a ser professor, mas de uma concepção teórica que o professor tem sobre a forma com que se dá a relação ensino aprendizagem no sujeito e com o sujeito. Concepção esta que muitas vezes, infelizmente, o professor nem se dá conta que tem, mas que está impregnada em todas as suas práticas, na forma de agir, na forma de organizar a sala, de elaborar as propostas, dispor os móveis, tratar com as crianças, tudo revela a epistemologia que o professor tem sobre aquisição de conhecimento. No caso, verifico agora uma professora que tinha sua prática embasada em uma epistemologia empirista, onde acreditava que seus alunos nada sabiam, que tudo o que transmitia era o suficiente para ensinar sobre os conteúdos e que em 15 anos recebia todas as crianças como iguais (mesmo sendo tão diferentes).
Fernando Becker cita, no mínimo, umas duas vezes que mesmo sem saber, os professores agem de acordo com uma epistemologia sobre o conhecimento. Tendo este conhecimento agora, penso que isso deveria ser a matéria principal em qualquer curso formativo de professores, pois como disse, aquilo que eu acredito sobre a gênese e como se dá o desenvolvimento do conhecimento é o que vai nortear todo o meu agir docente. Fico pensando sobre mim, que teoria sustenta minha prática, estou agindo com coerência de acordo com que acredito? Acredito na epistemologia construtivista, onde o conhecimento se dá através da ação e da problematização das crianças sobre os assuntos, interesses, materiais, etc, onde o professor assume seu lugar realizando intervenções necessárias para possibilitar aprendizagens. Agora fico pensando... meus planejamentos, minhas propostas sustentam o que acredito? Se meu caderno falasse, qual epistemologia ele apresentaria e revelaria?


domingo, 26 de agosto de 2018

Renovar é preciso!

Estou fazendo um curso de extensão na UFRGS: Docência na Educação Infantil. Mesmo sendo na UFRGS com professores tão conceituados, um fator tem me chamado a atenção. Não vou citar nomes, porém há professores e professores ali. Não vou entrar nos méritos teóricos, pois todos quando "abrem a boca" esbanjam conhecimentos e conhecimentos. Mas quando entramos no mérito pedagógico, observo algumas deficiências. Poucos são os que levam elementos, aulas práticas, propostas diferentes, parece que basta chegar na sala e compartilhar o conhecimento teórico através de uma aula expositiva, bem tradicional. Toda essa cena, me foi esclarecida através da leitura do texto Inovações Pedagógicas e a Reconfiguração de Saberes no Ensinar e Aprender na Universidade de Maria Isabel da Cunha . As formações nas Universidades tem exaltado os conhecimentos teóricos, o que vale é o saber sobre os assuntos, sobre as ciências, deixando de lado e desvalorizando os saberes pedagógicos, aquele conhecimento que vai ajudar a entender melhor o sujeito que irá aprender. Porém, fico feliz em saber que isso já está sendo observado, refletido e identificada essa necessidade da própria universidade repensar sua forma de ensinar e ver o aluno. Na última quinta-feira, participei de uma palestra da professora Lea Tiriba, professora do curso de pedagogia, mestrado e doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela colocou o quanto tem investido em uma formação que ela denomina teórico-brincante com seus alunos de graduação. Através de brincadeiras e muitas outras dinâmicas tem tentado trabalhar e despertar o humano, o sensível, o alegre em seus alunos, sem falar que trazer o conhecimento de uma forma diferente, viva e concreta torna o aprendizado bem mais interessante. Colocou também que tem iniciado esse trabalho teórico-brincante com seus alunos do mestrado, o que tem considerado um grande desafio. Acho todo este movimento de uma importância grandiosa, vivemos num país, onde quem tem mais conhecimento, títulos, formações ao invés de usar isso para ensinar e despertar o conhecimento no outro parece que vai criando uma "redoma", intocável, se sentindo superior em relação aos menos desprovidos de saberes. Torço para que essa discussão avance, se propague , que nossas universidades renovem com formações cada vez mais teórico-brincantes, humanas, sensíveis e que o conhecimento nunca seja para se colocar acima do outro, mas para que uns consigam levar outros adiante.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Três Teorias!

Refletindo sobre a forma com que se deu o primeiro estudo sobre aquisição de linguagem, penso que este momento foi tomado com ares de radicalismos e por que não dizer crueldade. Me chocou saber que duas crianças, na verdade bebês, foram confinadas do nascimento até os dois anos, sem o convívio com adultos, sem receber atenção, afeto, ou poder entrar em contato com outros tipos de linguagem, como ouvir sua mãe ou simplesmente perceber o olhar dela! Enfim, colocados ali como "cobaias" para que observassem suas primeiras "palavras"! Fico pensando em tantos outros estudos que foram feitos de maneira tão surreal e bizarra como esta, mas que acabaram contribuindo para se chegar a algum conhecimento que temos hoje. Felizmente os estudos evoluíram, passaram a se realizar através de observações, registros, até chegar em algumas concepções teóricas que conhecemos hoje. Behavioristas acreditam que a linguagem se dá pela exposição ao meio através da imitação e reforço. Inatistas dizem que a linguagem é inata, instintiva, como dotação genética. Interacionistas dizem que a aquisição da linguagem se dá devido a interação com o ambiente e outras espécies. E agora, qual ideia seguir, com qual concepção conversar? Para mim, nenhuma concepção está totalmente errada ou totalmente certa, me parecem ter relações entre elas. Acredito que o cérebro já está predisposto a aprender porém a criança precisa estar em um ambiente falante, onde as pessoas falem e ela escute, observe e aos poucos vá se apropriando cognitivamente deste novo vocabulário. A criança precisa de um estímulo, e como já disse, esse estímulo é muitas vezes, observar um diálogo.
Eu sempre convivi em ambientes falantes, frequento a igreja, estou sempre no meio de muitas pessoas, eu e meu marido gostamos muito de conversar. Tenho uma bebê com 1 ano e 1 mês e desde que ela estava no meu ventre, estes ambientes falantes já eram de seu conhecimento, até porque eu fazia questão de conversar com ela. Com 10 meses ela proferiu a primeira palavra "auau"e não parou mais: mãman, papa, quáquá, até google (gugou) ela fala. A Sophia representa para mim a prática do que estamos teorizando. Ela me mostra que já nasceu predisposta para desenvolver a fala, pois é impressionante o qual rápido ela arquiva as palavras que ouve e a forma com que logo as reproduz. Também os ambientes que proporcionamos para ela conviver somados aos incentivos, já tem feito dela uma pequena falante! Penso que precisamos encontrar concordâncias entre as três teorias, coerências nas três teorias e nunca pensar na ideia de uma verdade absoluta!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Questão de Sobrevivência!

Segundo pesquisa do IBGE (2016), o Brasil conta com 11,8 milhões de analfabetos, ou seja, 7,2% de sua população não sabe ler e escrever.
Destes números, a região com maior índice de analfabetos é o nordeste, onde 14,8% de sua população não possui a habilidade da "leitura das palavras". Acompanhe o mapa brasileiro de analfabetismo (dividido por regiões):


Realizando uma busca por "como a pobreza se distribuí no Brasil", encontrei uma pesquisa da revista virtual Super Interessante que aponta que na região Nordeste, 53% de sua população vive na pobreza ou em uma linha ainda abaixo da pobreza.
Teriam estes números alguma relação? A pobreza e o analfabetismo estariam interligados? Totalmente!
O texto "Analfabetismo de Adultos: ainda um desafio" de Regina Hara, aborda os fatores de ordem social como grandes responsáveis por estes dados.
Fico pensando em uma família, pai e mãe, alguns filhos. Com salário insuficiente para prover todas as necessidades básicas como alimentação, moradia e saúde, o que fazer? Logicamente aqueles filhos que vão crescendo, precisam abandonar as salas de aula para auxiliar na busca de recursos. Sendo assim, é mais que "normal"  o abandono da escola, pois o trabalho mesmo que difícil e muitas vezes indigno traz uma solução rápida para suas necessidades básicas. Passado o tempo, agora adultos, estas pessoas decidem retornar a sala de aula, porém precisam continuar trabalhando e chegam as salas de aulas cansados, exaustos, desmotivados após uma longa jornada de trabalho. Alguns persistem, muitos desistem! Sem falar naqueles que nem tentam!
Então, voltando para o Nordeste, encontramos uma população pobre, onde estas histórias acontecem, se repetem e infelizmente se revelam nos dados! E certamente uma situação que acomete outras realidades, outras famílias, outras populações, não somente na região citada, pois bem como diz a autora, as camadas populares compreendem a escolarização como peso menor de necessidade, pois precisam garantir o básico para viver ou talvez, simplesmente sobreviver!









segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Os Nativos e os Imigrantes

De extrema importância conhecer bem nosso tempo, o que estamos vivendo e o que nossos alunos estão vivendo!
Fico espantada ao ver um bebê manuseando com tanta destreza um celular! Mas como poderia ser diferente se ao sair do ventre da mãe, tem ali algum registro que automaticamente já cai na web? Sim, as crianças que estão em nossas salas, convivem, respiram tecnologias, são os chamados NATIVOS DIGITAIS!
Conosco foi um pouco diferente. Lembro do meu ensino médio, lugar onde pela primeira vez me deparei com um computador. Antes disso, jamais havia visto! Pesquisas e outros trabalhos, a biblioteca pública de minha cidade era minha grande aliada. Aos poucos a tecnologia digital foi surgindo com mais força até alcançar nossos dias e nossas vidas, somos os IMIGRANTES DIGITAIS. penso que não podemos negar a contemporaneidade de nossas crianças e buscar estratégias, ferramentas, criatividade para utilizar as tecnologias como aliadas no processo de ensino e aprendizagem.

Inovações e as Universidades

A ordem natural encaminhou para a compreensão de que são os "técnicos" que sabem mais que os pedagogos. Essa frase do texto de Maria Isabel da Cunha, no meu ver é bem real. Na universidade é interessante a forma com que os professores atuam. Eles chegam, passam os conteúdos e é isso aí. Poucos são os que utilizam alguma forma inovadora. Ensinam sempre da mesma forma. E se alguém precisa de elementos concretos e se algum adulto não alcançou o estágio operatório formal? Creio que estas conversas são bem pertinentes para pensar nossa atuação em todas as instituições, inclusive na universidade, lugar onde os professores parecem muitas vezes intocáveis!

Fala aí Paulo!

Por que alfabetizar? Para que uma pessoa saiba ler e escrever! Para que ela possa se deslocar, ir e vir sobre suas escolhas, seus olhares. Essa seria minha resposta, simples e sem encantamento. Vou perguntar para Paulo Freire! Freire por que Alfabetizar?

"Para que pessoas que vivem numa cultura que conhece letras não continuem roubadas de um direito- o de somar a "leitura" que já fazem do mundo, a leitura da palavra, que ainda não fazem" (FREIRE, apud BARRETO, 1998, p.77).
SIMPLES assim!

Freire transforma!

Soares descreveu que a concepção de alfabetização de Paulo Freire, transforma:

Material: as palavras são extraídas do universo vocabular dos alunos e as palavras são aquelas que possuem significados para eles.

Objetivo: de aprendizado de técnicas para ler e escrever para alfabetização como tomada de decisão.

Relações Sociais: de aluno para participante de um grupo. A aula deve ser dialógica, onde os alunos devem cansar e não dormir.

E transforma o professor, de uma pessoa que poderia apenas ensinar uma técnica, para alguém que pode alavancar pessoas, fazer suscitar sonhos, histórias, possibilidades. Não há nada mais encantador do que proporcionar novas possibilidades e perspectivas aos alunos.

Educar para libertar! Educar para conscientizar!

Já entendi que Freire nos apresentou um conceito bem mais amplo sobre Alfabetização. Ainda sobre, ele diz que alfabetização não é um jogo de palavras é a consciência reflexiva da cultura, a reconstrução crítica do mundo humano, a abertura de novos caminhos. Importante sempre ressaltar que ele não criou um método, mas uma concepção de alfabetização como prática da liberdade, educação como conscientização (SOARES, 2007,p.119). De fato, não tenho dúvidas, que o que me marcou neste semestre foi enxergar a alfabetização nesta perspectiva e claro, penso que eu posso ampliar este conceito, visando esta concepção para as crianças que estão em nossas escolas.

Vamos Planejar?

Confesso que este é um dos temas que mais me interesso. Gosto de planejar e estudar sobre. Seguem algumas definições de PLANEJAMENTO, que me ajudaram a ter um entendimento mais claro sobre o assunto:
1. Planejar é antecipar e projetar de modo consciente, organizado e coerente todas as etapas de uma determinada atividade que visa alcançar certos objetivos que levam a transformações concretas do que se pretende realizar.

2. Na instância educacional, é um momento de decisão e previsão de situações didáticas para um grupo de alunos num determinado momento histórico, visando colaborar na formação de um determinado tipo de profissional. É um ato político, mas também pedagógico.

Empoderamento

Os textos de Paulo Freire falam muito sobre Empoderamento. Pensando sobre a palavra, desprovida de qualquer conceito prévio, obviamente me vem algum significado relacionado a PODER. Mas será um poder dado a mim por alguém? Será um poder provido de um outro lugar? Que PODER é esse?
Para Freire, Empoderamento não é no sentido de dar poder a alguém, mas no sentido de ATIVAR a potencialidade criativa de alguém, como também de desenhar e potencializar a capacidade das pessoas. Empoderamento não é apenas um ato psicológico, individual, mas um ato social e político! Fico pensando em adultos que analfabetos e que aprendem a refletir, questionar, ler e escrever, o quanto isso deve despertar neles uma nova forma de ser e de viver! Atuo com educação infantil a anos, mas confesso que adoraria ter e viver esta experiencia de perto, empoderar pessoas, ajudá-las a reviver e ter novas perspectivas, deve ser realmente gratificante!

Educação Problematizadora

Ainda pensando sobre a importância de conhecer formas de se fazer educação, já decidi que não quero fazer uso de uma Educação Bancária. Já sei o que não quero, mas o que quero, o que seria o ideal? Paulo Freire me apresenta a Educação Problematizadora, ou seja, uma forma de se fazer educação que consiste na força criadora do aprender, de que fazem parte a comparação, repetição, constatação, dúvida rebelde e uma curiosidade não facilmente satisfeita (FREIRE,1996,p.28). Uau!!! Que incrível seria formar pessoas com todas as capacidades! Pessoas inteligentes, com alto nível intelectual! Sonho com o dia onde teremos estes seres pensantes e não mais seres ignorantes que muitas vezes não sabem nem o nome do prefeito de suas cidades!

Na onda de Freire

Acho bem importante eu saber, conhecer, nomear formas de trabalho na educação, pois assim vou poder refletir e definir sobre quais perspectivas e definições irei construir minha prática. No texto Educação Bancária de Jerônimo Sartori ele define a Educação Bancária, uma forma bem ao contrário da perspectiva de uma educação para o empoderamento como lutava Paulo Freire. Educação Bancária perpetua as antigas práticas, educa para a consciência ingênua, reprime a curiosidade, a crítica, o questionamento.  Desestimula a capacidade de desafiar-se, de arriscar-se, tornando o sujeito passivo. Como já disse, bem ao contrário da visão de Freire, que acredita que o professor deve problematizar todos os assuntos, nunca entregar algo pronto, elaborado ou seja, fazer os educandos pensar sobre as coisas. Assim, penso que quero embarcar "na onda de Freire", aprender a ensinar de uma forma onde meus alunos possam se tornar críticos, pensantes, pessoas de opinião que lutam por seus direitos e que fazem a diferença. Ensinar para o empoderamento, grande desafio em uma era onde o pensar é o que menos se quer e se faz!

Analfabetismo, muito mais do que não saber ler e escrever...

O que é analfabetismo? Simples, um indivíduo que não sabe ler e escrever, certo?
Depende, a concepção de Paulo Freire enxerga o ato da alfabetização de uma forma bem mais profunda do que simplesmente aprender símbolos e seus respectivos sons.
Nesta visão mais ampla, analfabetismo é uma forma de privação cultural, visto que vivemos em uma sociedade letrada onde tudo se dá através da leitura e escrita. Imagina como não deve se sentir alguém que precisa pedir ajuda para identificar o ônibus que precisa pegar? Tudo bem, alguém pode ajudar ou a pessoa aprende outras formas de identificar, mas como fazer para ler ou escrever uma receita, anotar o número de um telefone, escrever uma carta? De fato em uma sociedade regida pelas letras, com certeza um analfabeto deve se sentir triste, excluído e deve passar por diversas dificuldades e privações. Por isso, para Paulo Freire Alfabetização é um projeto onde indivíduos afirmam seus direitos e sua responsabilidade não apenas de ler, compreender e transformar suas experiências pessoais, mas também de reconstituir sua relação com a sociedade mais ampla.

Muito mais que....

Alfabetização como um conceito e como uma prática social que devem estar vinculados a configurações de conhecimento e de poder e também a luta política e cultural pela linguagem e pela experiência. Alfabetização poderia ser para o empowerment individual ou social ou para perpetuação de relações de repressão e dominação (trecho de Alfabetização e pedagogia de empowerment político de Henry A. Giroux).
Uauuu!! Como antes não havia percebido que alfabetização é muito mais do que apenas ler e escrever! Sim, a partir do momento em que a pessoa aprende a ler e escrever, ela passa a compreender melhor seu entorno, sua sociedade. Ela se empodera, pois a partir deste ato ela pode desbravar, conhecer, ter acesso a um mundo letrado que revela tantas coisas. Mas é claro, quem não lê e escreve acaba tendo diversas informações, conhecimentos, saberes negados. É preciso sempre de alguém para lhe revelar as mensagens ao seu redor. Quem lê e escreve discerne de alguma forma seu entorno. Quem não lê e não escreve fica a mercê do que outros sabem, dependentes. Talvez por isso a educação em nosso país é tão atacada e desvalorizada. É muito melhor ter pessoas ignorantes, do que pessoas empoderadas de saberes que podem revelar tantas coisas.

O princípio...

Sempre me interessei em saber como se dá o nascimento do pensamento. Bebês pensam? Nascem pensando? A partir de quando isso acontece?

Vigotsky traz alguns esclarecimentos, pois para ele pensamento e linguagem tem origens diferentes. No início da vida o pensamento não é verbal e a fala não é intelectual. O balbucio são estágios do desenvolvimento da fala que não tem relação com a evolução do pensamento. Vygotsky ressalta que a descoberta mais importante da vida da criança acontece por volta dos dois anos, as curvas da evolução do pensamento e da fala se cruzam e se unem para formar uma nova forma de comportamento, surgindo assim a fala racional ou pensamento verbal.

Mas, o que é linguagem?

Linguagem pode ser considerada como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade. Sem ela , o ser humano não é social, nem cultural. E ela que permite as trocas, o conviver, o se relacionar com outros!

Inatistas x Interacionistas

É de extrema importância conhecer as correntes e teóricos que falam sobre a construção da linguagem!
Behaviorismo de Skinner: aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Est;imulo, resposta, reforço.

Inatismo de Chomsky: a linguagem é inata. Para ele a mente deve ser estudada assim como se estuda o corpo humano, cada parte do cérebro tem sua função e existe uma parte responsável pela linguagem. A linguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. Fator biológico e cognitivo.

Interacionismo de Vygotsky: Para ele são encontrados dois tipos de determinação do sujeito (interações com outros sujeitos e linguagem). Destas determinações resulta o sujeito interativo, isto é, aquele que não é ativo e nem passivo, mas que é constituído na e pela relação interpessoal e o sujeito semiótico: sujeito constituído na e pela linguagem, sujeito resultante da relação. Linguagem é processo pessoal e ao mesmo tempo social.

Linguagem, mais que invenção cultural, necessidade humana!

Esses dias peguei uma carona para POA. Comecei um curso e encontrei umas professoras que também estavam indo para o mesmo caminho. Foi meu primeiro contato com elas e mesmo assim, conversamos muito! Fomos o caminho inteiro encontrando assuntos comuns, compartilhando histórias, narrando acontecimentos! Fiquei feliz sobre o momento e pensando sobre o tanto que falamos.
No texto "Aquisição da Linguagem" de Samanta Demetrio da Silva, tem um trecho bem interessante:

Segundo Pinker (2002), a universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural, mas o produto de um instinto humano específico.

Este recorte, me esclarece a cena que citei anteriormente. Me parece que o se comunicar é uma necessidade, é algo que o ser humano precisa fazer e faz. Logicamente cada cultura criou sua forma específica, porém pra mim é sim algo do humano, uma necessidade.