quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Três Teorias!

Refletindo sobre a forma com que se deu o primeiro estudo sobre aquisição de linguagem, penso que este momento foi tomado com ares de radicalismos e por que não dizer crueldade. Me chocou saber que duas crianças, na verdade bebês, foram confinadas do nascimento até os dois anos, sem o convívio com adultos, sem receber atenção, afeto, ou poder entrar em contato com outros tipos de linguagem, como ouvir sua mãe ou simplesmente perceber o olhar dela! Enfim, colocados ali como "cobaias" para que observassem suas primeiras "palavras"! Fico pensando em tantos outros estudos que foram feitos de maneira tão surreal e bizarra como esta, mas que acabaram contribuindo para se chegar a algum conhecimento que temos hoje. Felizmente os estudos evoluíram, passaram a se realizar através de observações, registros, até chegar em algumas concepções teóricas que conhecemos hoje. Behavioristas acreditam que a linguagem se dá pela exposição ao meio através da imitação e reforço. Inatistas dizem que a linguagem é inata, instintiva, como dotação genética. Interacionistas dizem que a aquisição da linguagem se dá devido a interação com o ambiente e outras espécies. E agora, qual ideia seguir, com qual concepção conversar? Para mim, nenhuma concepção está totalmente errada ou totalmente certa, me parecem ter relações entre elas. Acredito que o cérebro já está predisposto a aprender porém a criança precisa estar em um ambiente falante, onde as pessoas falem e ela escute, observe e aos poucos vá se apropriando cognitivamente deste novo vocabulário. A criança precisa de um estímulo, e como já disse, esse estímulo é muitas vezes, observar um diálogo.
Eu sempre convivi em ambientes falantes, frequento a igreja, estou sempre no meio de muitas pessoas, eu e meu marido gostamos muito de conversar. Tenho uma bebê com 1 ano e 1 mês e desde que ela estava no meu ventre, estes ambientes falantes já eram de seu conhecimento, até porque eu fazia questão de conversar com ela. Com 10 meses ela proferiu a primeira palavra "auau"e não parou mais: mãman, papa, quáquá, até google (gugou) ela fala. A Sophia representa para mim a prática do que estamos teorizando. Ela me mostra que já nasceu predisposta para desenvolver a fala, pois é impressionante o qual rápido ela arquiva as palavras que ouve e a forma com que logo as reproduz. Também os ambientes que proporcionamos para ela conviver somados aos incentivos, já tem feito dela uma pequena falante! Penso que precisamos encontrar concordâncias entre as três teorias, coerências nas três teorias e nunca pensar na ideia de uma verdade absoluta!

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