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sexta-feira, 16 de março de 2018

Ninguém nasce rascista!!!

https://www.youtube.com/watch?v=FsVnlWd1Zrs
Um vídeo que me tocou de forma muito particular!
No vídeo crianças, na maioria negras, precisam falar frases de ódio contra um atriz negra, frases como: Seu cabelo é como uma esponja de aço! e outras tão preconceituosas quanto. Algumas crianças ainda conseguiram falar uma frase, mas todas ficaram constrangidas, algumas não conseguiram falar nenhuma frase, algumas choraram, pois se identificaram com frases já recebidas como aquelas. Um vídeo que nos mostra que as pessoas nascem boas,com sentimento de igualdade, mas ao longo da caminhada aprendem a ser racistas.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Método clínico!

O método clínico consiste em investigar a genese do conhecimento construído pelo sujeito em suas relações com o meio.Os procedimentos desse método são entrevista e observação das respostas e açoes do sujeito de forma interativa entre pesquisador e sujeito, respeitando as respostas trazidas, porém buscando intervenções com questionamentos sobre o conhecimento do sujeito referentes a quaisquer conteúdos a serem investigados": físico, social, moral e lógico-matemático.
De acordo com Piaget (1926, p.11), qualidades fundamentais ao bom experimentador:
“saber observar, ou seja, deixar a criança falar, não desviar nada, não esgotar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar”.  
Método Clínico propriamente dito:
  - Proposição de tarefas ao sujeito.
  - Coleta de dados por meio da observação e da conversa sobre a tarefa realizada.
  - As ações do sujeito e as suas explicações permitem seguir o seu pensamento.
Tipos de resposta na entrevista clínica com valor para a pesquisa
Espontâneas - O sujeito fala espontanea-mente, sem a intervenção ou solicitação do pesquisador.
Desencadeadas - Surgem diante das pergun-tas do experimentador, mas são elaboradas pelo entrevistado de acordo com o seu pensamento. 
Tipos de resposta na entrevista clínica sem valor para a pesquisa
Sugeridas - Comuns no pesquisador pouco experiente que sugere as respostas, sem se dar conta.
Fabuladas - Consistem em histórias contadas pelo entrevistado, sem relação com o tema.
Não-importistas - Dadas para concluir a tarefa, revelando a falta de interesse na atividade. 

Modelos Pedagógicos e Epistemológicos/ Fernando Becker

Fernando Becker traz que todas as pedagogias existentes estão encaixadas dentro de três grandes pedagogias:

Pedagogia Diretiva
Pedagogia Não Diretiva
Pedagogia Relacional

Na Pedagogia Diretiva a aprendizagem ocorre de forma tradicional, o professor é o transmissor do conhecimento, o único que pode passar este conhecimento e o aluno um ser vazio, que não tem saber algum. As aulas são silenciosas e nada de novo acontece, velhas respostas para velhas perguntas. A Disciplina é exercida com rigor. O conteúdo é escolhido apenas pelo professor. Nas salas, tem carteiras e todas enfileiradas.


Na pedagogia Não Diretiva as aulas são no formato se faz o que se quer. O conteúdo é apenas despertado no aluno. O professor é um facilitador que não intervem, pois acredita que isso não faz diferença.

Na pedagogia Relacional as aulas são interativas, dinâmicas, local de novas descobertas. Negociam-se regras de convivência. Aprendem problematizando suas ações, assimilando conteúdos ao longo do processo. O aluno sempre aprende pois é ativo neste processo e logo o professor também aprende com o aluno.

E todas essas pedagogias estão embasados em modelos epistemólogicos, ou seja, em teorias que falam sobre como se dá o processo de aprendizagem nas pessoas.

Modelo empirista (pedagogia diretiva): acredita que a pessoa aprende no ter contato com as informações que levam ao conhecimento. Pela repetição.

Modelo apriorista (pedagogia não diretiva): acredita que o saber, os conhecimento são biológicos, são herdados, já vem na genética.

Modelo Construtivista (pedagogia relacional): a pessoa aprende na interação com o meio e com os objetos.


Conhecimentos vazios!

Texto: UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO MODERNA NO SÉCULO XXI
Luciani Missio e  Jorge Luiz da Cunha
Essa grande facilidade de se obter informações, de teoricamente aprender sem esforço nenhum é, em grande parte, responsável pela perda de interesse dos jovens pela escola. É muito mais rápido obter uma informação pela Internet, do que ter que pesquisar nos livros da biblioteca; é muito mais divertido assistir televisão, com todo o seu movimento e suas cores, do que ficar sentado em uma sala de aula olhando para o professor falar. Mas o que grande parte não percebe é que ao buscar informações através dos meios de comunicação de massa estas já vêm prontas, isto é, nelas já está embutida a opinião de alguém, o que o dispensa de formular a sua, como coloca Ferres O universo do telespectador é dinâmico, enquanto que o do leitor é estático. A televisão privilegia a gratificação sensorial, visual e auditiva, enquanto que o livro privilegia a reflexão. A linguagem verbal é uma abstração da experiência, enquanto que a imagem é uma representação concreta da experiência. Se o livro privilegia o conhecer, a imagem privilegia o reconhecer. (Ferrés, 1994 apud Pérez Gómez, 2001, p.115)


Em uma era de tecnologia pra todo lado, sim, por todo lado, estamos em casa ou na rua sempre tem um wifi a nossa disposição e assim, informações disponíveis em um click! Hoje não existe conteúdo que o senhor "google" não saiba lhe falar sobre. E toda essa tecnologia tem alcançado nossos crianças, vídeos, tutoriais, youtubers, isso e muito mais tem levado "informação" aos nossos pequenos. As crianças mudaras e com isso os educadores deveriam se ligar que a educação deveria mudar também. Muitos dos conteúdos trazidos em sala, já são conhecidos e sabidos. Assim, temos que ir em busca de novas pedagogias que ultrapassem todo esse contexto e que gere o interesse nos pequenos e que traga conteúdo, já que eles tem muita informação vazia. Temos o desafio nessa era de informações dadas e vazias gerar pessoas críticas, com espírito de liderança, capazes de questionar o que lhes tem oferecido.

Inocência?

UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO MODERNA NO SÉCULO XXI
Luciani Missio e Jorge Luiz da Cunha
(...) o objetivo de toda prática educativa – facilitar a reconstrução do conhecimento experiencial do aluno – não pode se entender nem se desenvolver sem o respeito à diversidade, às diferenças individuais que determinem o sentido, o ritmo e a qualidade de cada um dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. (Pérez Gómez, 2001, p.67)


Antigamente as relações entre a escola e as culturas eram no máximo duas: ou a escola como reprodutora de uma cultura dominante ou a escola forçando uma luta contra a cultura hegemônica. Hoje a escola deveria ser vista como o espaço de cruzamento de culturas, produzindo, criando novas práticas culturais para além das normas e das imposições, isto é, uma escola que reproduz, mas que também produz; onde “as diferentes culturas que se entrecruzam no espaço escolar impregnam o sentido dos intercâmbios e o valor das transações em meio às quais se desenvolve a construção de significados de cada indivíduo” (Pérez Gómez, 2001, p.16).

Para mim, os dois textos falam de pontos bem importantes: que tipo de educadores temos? Qual conceito de educar que nossos educadores tem?
Para mim, é difícil conceber que em frente há tanta tecnologia, informação, formação, ainda existam "educadores" que utilizam o mesmo caderno de planejamento de 20 anos atrás (sim, infelizmente eu tenho provas disso). Prefiro achar que estas ações se dão na inocência, embora eu não ache nada inocente o que muitos "educadores" provocam em seus alunos com esse tipo de atitudes, destroem capacidades, criatividades, mentes brilhantes, por não compreender as multi formas de ensinar, de aprender, de uma forma prazerosa e que tenha sentido para os educandos.

A "Receita"

Para Durkheim e Parsons, os princípios básicos que fundamentam e regem o sistema social são:
- continuidade;
-conservação;
-ordem;
-harmonia;
- equilíbrio.

Para eles,  a educação não é um elemento para a mudança social e sim um elemento fundamental para a “conservação” e funcionamento do sistema social.


Analisando a "receita" de Durkhein e Parsons fico pensando em como tem vivido nossa geração e como o sistema social tem desenvolvido. As pessoas não tem censo de continuidade, ora são e querem algo, ora já tem ideias totalmente diferentes. Conservação? Vemos isso muito exemplificado nos relacionamentos, casamentos desfeitos, famílias desfeitas por pouca coisa e isso tem se expandido para outros locais, não gostei do meu trabalho, meu chefe me chamou a atenção? É muito mais fácil se demitir e ir procurar algo conforme minha vontade. Ordem, harmonia, equilíbrio? Penso que nem preciso falar mais nada! 

Somos exemplos!

A relação educação e sociedade: Os fatores sociais que intervem no processo educativo de Alberto Noé
No decorrer do texto citado acima, observamos a fala de Durkhein explicitando sobre o fato dos conteúdos da educação serem independentes as vontades individuais, mas as normas e valores desenvolvidos por uma sociedade ou grupo social em determinados momentos é que adquirem certa generalidade, tornando-se coisas exteriores aos indivíduos. E no recorte (imagem) acima Durkhein chama a atenção sobre a educação moral das crianças. Ele traz a responsabilidade que é a nossa conduta, nossa forma de ser e agir é que ensinará sobre isso aos pequenos! Somos exemplos, somos espelhos, somos referencias! Que tipo de referencial quero ser? Um referencial que irá alavancar ou destruir uma perspectiva de futuro?

Educação Multicultural

Na visão de Banks, a educação multicultural é um movimento reformador destinado a realizar grandes mudanças no sistema educacional. Concebe como a principal finalidade da educação multicultural favorecer que todos os estudantes desenvolvam habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para atuar no contexto da sua própria cultura étnica, no da cultura dominante, assim como para interagir com outras culturas e situar-se em contextos diferentes dos de sua origem (Banks, 1999, p. 2).
Com este trecho do texto "Sociedade, Cotidiano e Cultura(a): Uma aproximação" de Vera Maria Ferrão Candau me faz refletir e chegar a conclusão de que a educação multicultural (de verdade) tem como princípios principais o reconhecimento de si mesmo, o respeito pelo outro e a legitimação do outro como cidadão digno deste respeito e reconhecimento. Pois imagina se em todos os espaços, as pessoas tivessem total conhecimento de sua história, de sua cultura e mesmo assim fossem abertos para entender os outros, as suas histórias, suas culturas, enfim. Mas o que vemos hoje é uma guerra de ego, uns querendo ser melhores que outros, apenas porque tem cor de pele diferente ou uma raça diferente! Precisamos lutar por uma sociedade baseada no respeito e na autentificação do outro.



Igualdade se opõe a desigualdade!

"'Não se deve contrapor igualdade à diferença. De fato, a igualdade não está oposta à diferença, e sim à desigualdade, e diferença não se opõe à igualdade e sim à padronização, à produção em série, à uniformidade, a sempre o “mesmo”, à “mesmice”.".
Esse recorte do texto "Sociedade, Cotidiano Escolar e Cultura(s): Uma aproximação" de Vera Maria Ferrão Candau me faz ter um pensamento inédito! Igualdade e diferença não estão opostos, afinal igualdade é mostrar mesmas proporções em uma competição e diferença é ter as mesmas proporcões, porém apresentadas de formas não iguais em uma competição, exemplo: todos são pessoas, porém todos com cabelos compridos e azuis (iguais). Todos são pessoas, todos com cabelos e cada cabelo com uma cor, porém alguns cabelos cumpridos outros curtos, alguns pretos outros loiros (diferentes). Já a desigualdade seria não ter cabelos.

domingo, 11 de março de 2018

Jean Piaget por Yves de La Taille

Assimilação: este conceito vem da Biologia, quando uma pessoa  entra em contato com o objeto do conhecimento ou com o meio e ela tira destes informações e as organiza ou reorganiza. Tornar seu.

Acomodação: as estruturas mentais são capazes de se modificar para dar conta das informações do objeto.

Equilibração: estabilidade mental diante das informações que o objeto "proporciona". Crescimento do Conhecimento.

Abstração Empírica: informações que eu retiro do objeto do conhecimento. Pensar sobre o mundo.

Abstração reflexiva: informações que eu retiro sobre minhas ações sobre o objeto. Pensar sobre as ações sobre o mundo.

Os Estágios significam que a inteligência dá saltos, muda de qualidade:

1)Sensório-motor: 0 aos 24 meses:
- a inteligência é anterior a fala;
- inteligência prática. A criança não emprega linguagem apenas emprega suas percepções e suas ações. Uma inteligência em ação;

Conceito de Objeto permanente: embora não vejo, ele ainda existe (cerca de 9 meses)
Causalidade: entender que os objetos interagem entre si e causam efeitos entre si. Pensar que os objetos se movem de acordo com suas ações.
Diferenciação de meios e fins (cerca de 9 meses)
Percepção tridimensional

2)Pre-Operatório (representação): 2 aos 7 anos
Representação: capacidade de falar de um objeto através de um substituto do objeto
Passa a se reconhecer no espelho (implica a pensar no espelho que a imagem sou eu, mas não sou eu)
Introdução da linguagem
Introdução à moralidade (valores, certo e errado)
Egocentrismo: a criança tem dificuldade em ver o ponto de vista do outro


3)Operatório: 7 anos a seguir. Dentro do operatório, Piaget dividiu em operatório Concreto (7 aos 12 incompletos) e Operatório Formal ( 12 adiante)
Organizar pensamentos através da lógica

Conceito de operação: ação interiorizada reversível (ação= manipular o mundo, agir sobre o mundo. Interiorizada= imaginar, representar. Reversível (pensar a ação e a anulação da ação). Penso sobre o que fiz e volto a ação.

Parte do todo: tem dificuldade em saber que butanta fica em São Paulo

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OPERATÒRIO CONCRETO E FORMAL:
CONCRETO: a criança faz uso dessa capacidade operatória apenas em cima de objetos que ela possa manipular ou de situações que ela possa vivenciar ou lembrar.

FORMAL: Trabalha com hipóteses, lógica, textos, informações totalmente desconectados a sua realidade, pensar sobre as hipóteses, informações.


DESENVOLVIMENTO DA MORAL DA CRIANÇA:

Piaget diz que assim como a inteligência evolui a moral também evolui:
1) Anomia: ausência de regras, desvio das leis naturais;
2) Heteronomia: sujeição a uma lei exterior;
3) Autonomia: capacidade de governar-se pelos próprios meios.

PIAGET e a EDUCAÇÃO:

É o autor que traz base teórica para educadores.

Método de Pesquisa

Piaget colocava crianças em frente a situações para resolver problemas. Observava as reações e como elas resolvem estas situações.

LEITURAS:
O nascimento da inteligencia na criança - Piaget
A construção do real na criança
A formação do símbolo na criança
Da lógica da criança a lógica do adolescente
Juízo moral na criança
A psicologia da criança
Seis estudos de psicologia 


Síndrome de Torrete!

Assistir o filme e ler mais sobre o assunto me fez pensar sobre o fato de como tenho que aprender e crescer dentro de minha área!!!
Quantas são as síndromes, as deficiências, os transtornos e as altas habilidades!
Estou preparada (principalmente teoricamente) para enfrentar estes desafios? Na verdade, me dá um certo temor, pois estas pessoas necessitam do nosso respeito e do nosso apoio, pois muitas, só irão encontrar suporte no nosso meio, no meio da nossa escola!

Síndrome de Torrete:
Geralmente diagnosticável pela própria pessoa
Envolve movimentos repetitivos incontroláveis ou sons indesejados (tiques), como piscar repetidamente os olhos, encolher os ombros ou deixar escapar palavras ofensivas.
As pessoas podem ter:
No comportamento: agressão, comportamento compulsivo, hiperatividade, imitação involuntária de movimentos de outra pessoa, impulsividade, movimentos repetitivos, praguejando incontrolavelmente, repetição de palavras sem sentido, repetição sem sentido das próprias palavras ou falta de moderação
Nos músculos: tique, aumento da atividade muscular ou movimentos involuntários
No humor: ansiedade, apreensão ou raiva
Também é comum: dificuldade de aprendizagem, gagueira, pigarrear com frequência, piscar os olhos repetidamente, resposta exagerada ao receber um susto, tosse ou tremores nas pálpebras

Evolução da legislação (Delou, 2007) Histórico da normatização e da legislação:

Evolução da legislação (Delou, 2007) Histórico da normatização e da legislação (Altas Habilidades):
 1929 – Primeira legislação sobre superdotação - Reforma Educacional fala em “super-normaes”.
 1961 – A LDB passa a incluir os excepcionais, e H. Antipoff lembra os bemdotados como parte deles.
 1967 – Critérios para a identificação e o atendimento ao superdotado, para identificar as “melhores cabeças”, em virtude do “milagre brasileiro”.
  1971 – A Lei 5.692/1971, art. 9o, nomeia os superdotados. O artigo não é regulamentado em alguns estados, por causa de uma cultura de exclusão.
 1971 - A superdotação passa a ser área prioritária da Educação Especial.
 1972/74 – Definição de classes regulares e especiais, atividades de enriquecimento.
 1994 – Política Nacional da SEESP/MEC: revisão de conceitos, análise da situação, fundamentos. Declaração de Salamanca – Integração e inclusão: revisão das políticas.
 1996 – Lei 9.394/1996 - reconhecimento das necessidades educacionais especiais dos PAH.
 2002 – Uma política de editais gera exclusão, criando concorrência entre os projetos por financiamentos.
 2005 – NAAH/S – Cria um novo paradigma de inclusão para todos os profissionais que aceitarem participar da discussão.
  2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Datas importantes no Brasil/Altas Habilidades


  1938 Helena Antipoff chama a atenção, na Sociedade Pestalozzi, para os bem-dotados.
 1950 Julieta Ormastroni cria o programa “Cientistas para o Futuro”.
 1966/1967 Primeiros seminários sobre educação dos bem-dotados (Sociedade Pestalozzi).
 1967 O MEC cria comissão para estabelecer critérios de identificação e de atendimento aos superdotados.
  1972 Centro Educacional Objetivo – início do atendimento aos superdotados na rede privada.
 1973 Criação da ADAV – Associação Milton Campos para Desenvolvimento e Assistência a Vocações de Bem-Dotados.
 1975 Fundação José Carvalho – aulas de mineração, computação e administração para alunos de baixa renda.
  1975 NAS – Núcleo de Apoio à Aprendizagem do Superdotado.
 1978 ABSD – Associação Brasileira para Superdotados.  1986 Solange Wechsler cria o “Clube de Talentos”.
 1993 CEDET/ASPAT – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento em Lavras.
 1993 Programas para superdotados na Universidade Federal Fluminense.
 2003 Criação do ConBraSD – Conselho Brasileiro de Superdotação.
 2006 Implantação das NAAH/S (Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/ Superdotação).

Missão cumprida!

COMPETÊNCIA SOCIAL, INCLUSÃO ESCOLAR E AUTISMO: REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA
Síglia Pimentel Höher Camargo e Cleonice Alves Bosa

Desse modo, Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) referem que, diante de uma inclusão adequada, mesmo que uma criança apresente deficiências cognitivas importantes e apresente dificuldades em relação aos conteúdos do currículo da educação comum, como pode ser o caso do autismo, ela pode beneficiar-se das experiências sociais. O objetivo do aprendizado de coisas simples do dia-a-dia (e.g., conhecer-se, estabelecer relações) seria o de as tornarem mais autônomas e independentes possíveis, podendo conquistar seu lugar na família, na escola e na sociedade. Desse modo, “na medida em que esses ‘conteúdos’ vão sendo desenvolvidos e ‘aprendidos’ por esses alunos, torna-se possível a entrada de outros conteúdos, da alfabetização, da matemática, etc.” (Zilmer, 2003, p. 30).

Analisando este recorte do texto, me veio uma sensação de missão, dever cumprido!! Há dois anos atrás, tive uma deficiente visual em minha turma (ela tinha  2 anos de idade). Como trabalhar com ela os "conteúdos" e propostas como com os outros? Na minha ignorância teórica, mas guiada por um bom senso, decidimos caminhar por uma linha onde estimularíamos a autonomia e independência dela. Auxiliar ela a desenvolver coisas simples mas cruciais no seu dia a dia era nosso plano. Ver ela andando pela sala com muita segurança, observar os amigos ajudando ela e a guiando pela escola era incrível! E agora, dois anos depois me deparo com essa teoria que me traz a certeza que fizemos um bom trabalho, andamos pelo caminho certo! "Missão cumprida!"

História, conceito e tipos de deficiência por Izabel Maior

De acordo com Carvalho, é importante notar que, ao contrário de outros grupos sociais visivelmente homogêneos e com necessidades compartilhadas, as pessoas com deficiência têm na própria diversidade uma de suas mais evidentes características (CARVALHO, 2012).

Na legislação brasileira, os diferentes tipos de deficiência estão categorizados no Decreto nº 5.296/2004 como: deficiência física, auditiva, visual, mental (atualmente intelectual, função cognitiva) e múltipla, que é a associação de mais de um tipo de deficiência (BRASIL, 2004). Enquadram-se nas categorias do Decreto nº 5.296/2004:

“a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções” A deficiência física compreende as condições de dificuldade na marcha, na sustentação e no equilíbrio do corpo, da cabeça e na movimentação dos membros superiores, em graus diferentes de comprometimento, como paralisia (plegia) e falta de força (paresia). Para melhorar a funcionalidade são utilizados equipamentos como próteses (nos casos de amputação), órteses como muletas, bengalas, calhas, estruturas para apoiar os membros e cadeira de rodas. As pessoas com deficiência física têm limitação para ir e vir, sair e entrar, alterar posições para se proteger, obedecer a instruções como ficar parada, levantar os braços, virar-se, sair de um veículo. Portanto, em algumas situações elas precisam de auxílio imediato para deixar ambientes de risco à sua integridade, tais como incêndios, desmoronamentos, desastres naturais, acidentes e agressões. Em caso de revista, as próteses e algumas órteses e bolsas coletoras usadas por baixo das roupas não devem ser confundidas com armas. A pessoa com deficiência não pode ser privada de seu respectivo equipamento, inclusive no caso de detenção em cadeias ou presídios. 5

“b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz” As pessoas com deficiência auditiva que antes ouviram, desenvolveram a comunicação oral e deixaram de ouvir, são capazes de falar e se foram alfabetizadas usam a língua portuguesa para escrever e para ler as legendas para interagir. As pessoas que já nasceram surdas ou perderam a audição antes de aprender a falar usam a língua de sinais como forma de comunicação; podem falar ou não, e percebe-se alteração na forma de falar; muitas vezes, sua capacidade de ler e de escrever é insuficiente. É direito legal da pessoa surda utilizar a Língua Brasileira de Sinais – Libras, oficializada na Lei nº 10.436/2002, sendo obrigação do Estado manter intérpretes de Libras nos órgãos públicos, bem como capacitar os agentes públicos a usar a Libras (BRASIL, 2002). De forma complementar, a comunicação escrita na tela do aparelho celular, tablete ou computador pode facilitar a comunicação. A leitura labial exige visão direta e fala pausada, entretanto a comunicação é parcial e pode gerar falso entendimento. As pessoas surdas não reagem a alarmes e ordens sonoros, não conseguem gritar por socorro e estão mais expostas ao perigo.

‘c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores” As pessoas com deficiência visual podem ser cegas ou apresentar baixa visão. Nos casos de baixa visão, as pessoas se beneficiam com imagens e letras ampliadas e próximas, com bom contraste de cores, entre o fundo e a imagem. As pessoas cegas e as com baixa visão usam bengalas para evitar obstáculos e perigos e para direcionar seu deslocamento; os pisos táteis facilitam sua mobilidade. A pessoa com deficiência visual pode usar o cão-guia nas suas atividades dentro e fora de casa e em todos os ambientes, exceto os proibidos no Decreto nº 5904/2006, referente a algumas áreas das unidades de saúde e nos locais que exigem esterilização individual. É direito da pessoa cega ter acesso à informação em Braille, código de escrita (pontos codificados em alto relevo). Aborda-se uma pessoa com deficiência visual falando-se com ela em volume normal de voz (cego não tem deficiência auditiva). Para auxiliá-la, oferece-se o braço, que servirá de guia. Não se puxa uma pessoa cega e também não há necessidade de sustentá-la. Ao afastar-se de uma pessoa cega avise para não deixa-la falando sozinha.

d) deficiência mental, leia-se intelectual: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: 1. comunicação; 2. cuidado pessoal; 3. habilidades sociais; 4. utilização dos recursos da comunidade; 5. saúde e segurança; 6. habilidades acadêmicas; 7. lazer; e 8. trabalho” 6 Cabe ressaltar que a deficiência intelectual refere-se ao aspecto cognitivo e não se confunde com o transtorno ou doença mental. Outra observação importante é o fato de haver graus de deficiência intelectual definidos pelas limitações no aprendizado e outras habilidades adaptativas. A síndrome de Down (alteração genética) é expressa por características físicas detectáveis facilmente, entretanto a maior parte das situações de deficiência intelectual não tem manifestações perceptíveis. As pessoas com deficiência intelectual desenvolvem suas habilidades com atenção em saúde e habilitação, educação inclusiva, oportunidades de participação nas atividades sociais, inclusive nas de trabalho. Quando houver a abordagem de uma pessoa com deficiência intelectual, devem ser usadas frases curtas e simples, sabendo-se que o tempo de resposta é mais lento e, muitas vezes, elas não querem demonstrar que não entenderam a pergunta ou a ordem recebida. Frente a situações estressantes, a pessoa com deficiência intelectual pode ficar muito impaciente ou tentar fugir, pois não sabe o que está ocorrendo, pois não foi preparada para emergências. Em um interrogatório ela pode ser levada a dar as respostas que pensa que irão agradar, por exemplo, confessando aquilo que não fez e, dessa maneira são consideradas culpadas com mais facilidade. Estudos demonstram que na população prisional norte-americana o percentual de detentos com deficiência intelectual é muito mais elevado que na população em geral. Isso não significa uma predisposição ao crime e sim uma desvantagem em relação ao sistema policial e judicial que não está preparado para lidar com as diferenças humanas (WEISS, 2014). Pessoas com deficiência intelectual acreditam em “amigos” e são alvos mais fáceis e mais frequentes de todas as formas de violência. Na maioria das vezes não têm como relatar os abusos ou a sua queixa é desconsiderada tanto pela família como pelas autoridades (WEISS, 2014). Todavia, com as técnicas adequadas de aproximação e diálogo, os profissionais em escolas, conselho tutelar, polícia e outros serão capazes de perceber corretamente e valorizar o depoimento da vítima ou de uma testemunha com deficiência intelectual.

 e) deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências Entre as possíveis situações de deficiência múltipla encontra-se a paralisia cerebral, diagnóstico referente à lesão cerebral adquirida que pode afetar os movimentos, a visão, a audição, a função cognitiva, em diferentes associações. Algumas pessoas têm grande autonomia, ao passo que outras necessitam de cuidados permanentes em todas as áreas da vida. Devido a essa situação severa, elas são vítimas frequentes de violência, abandono e maus-tratos. A partir da Lei 12764/2012, as pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) passaram a ser consideradas pessoas com deficiência. Elas apresentam deficiência significativa na comunicação e na interação social (BRASIL, 2012). Os casos podem variar desde não aprender a falar e ter deficiência intelectual profunda até não ter deficiência intelectual e conviver na comunidade, seguindo suas próprias rotinas. Também se caracterizam por comportamento repetitivo (balançar o corpo, as mãos, gritar) e áreas restritas de interesse. Tal como em outros casos de deficiência, são pessoas em risco de violência e necessitam de 7 atendimento especializado dos órgãos de defesa de direitos e de segurança pública. A história e o novo conceito de deficiência mostram a evolução das sociedades para o respeito às diferenças individuais, ensejando que as pessoas com deficiência tenham acesso aos direitos, aos bens e serviços e participem na vida comunitária em igualdade com as demais pessoas. Entretanto, a existência de arranjos sociais que favorecem a violência, tanto intrafamiliar como externa, exige maior conhecimento dos profissionais acerca das características peculiares dos tipos de limitação funcional e a repercussão sobre a capacidade de defesa ou o risco de uma pessoa com deficiência ser vítima de violência. Saber lidar com as pessoas com deficiência em quaisquer situações é derrubar barreiras e trabalhar a favor da inclusão.

Mitos e verdades por Emílio Figueira

MITOS
REALIDADES
Deficiência é sempre fruto de herança familiar
As grandes causas de deficiência não têm origens genéticas ou hereditárias. São resultados da falta de saneamento básico que ocasiona infecções, falta de assistência pré-natal e ao parto e, principalmente, os acidentes de carro e a violência por arma de fogo.
As pessoas com deficiência são todas amigas ou familiares uns dos outros
As pessoas quando encontram alguém com deficiência costumam perguntar se ela conhece uma outra pessoa como se todas as pessoas com deficiência do mundo se conhecessem e fossem amigas. Porém, como qualquer ser humano, estas pessoas não vivem num mundo à parte em que só existam outras pessoas assim, sendo que o fato de terem a mesma deficiência, por exemplo, não faz com que automaticamente concordem sobre tudo. São pessoas diferentes com diferentes visões de mundo, assim como qualquer outra.
Existem remédios milagrosos que curam as deficiências
Apesar dos esforços e conquistas das pesquisas e do conhecimento de biologia molecular, os diferentes tipos de deficiência ainda não têm cura. Em alguns casos existem medicamentos que podem auxiliar em um ou outro sintoma, mas o mais importante é a estimulação da pessoa e a minimização da desvantagem, ou seja, tornar o ambiente mais acessível física e atitudinalmente para que todos possam usufruí-lo.
Deficiência é doença
Deficiência não é doença e nem é contagiosa. Uma deficiência pode ser sequela de uma doença, mas não é a própria doença.
Pessoas com deficiência física não têm vida sexual
Pessoas com deficiência física não têm vida sexual.
Todo surdo é mudo
A pessoa com surdez na maior parte dos casos apresenta os órgãos fonoarticulatórios íntegros e tem todo o potencial para desenvolvimento da fala. Não é porque é surdo que se torna automaticamente mudo. A mudez autêntica é extremamente rara e decorrente de lesões cerebrais.
A pessoa com deficiência mental gosta de trabalhos repetitivos
Algumas pessoas podem se sentir mais confortáveis com atividades repetitivas, isso faz parte da diversidade humana de aptidões e personalidades, mas não é característica de um determinado grupo de pessoas. Algumas pessoas com deficiência mental gostam de ambientes e atividades mais estruturadas, outras gostam das expressivas e artísticas, ou seja, como qualquer outra pessoa elas têm gostos e preferências.
Só há duas categorias de pessoas: os cegos e os que veem "normalmente"
Existem pessoas com baixa visão, que podem distinguir formas ou cores. Algumas pessoas com baixa visão podem ler com o auxílio de uma lupa. Também existem as pessoas que não enxergam.
Todo cego tem tendência à música
A pessoa cega tem uma atenção diferenciada aos estímulos auditivos, afinal, a audição a auxilia na locomoção e localização, ajudando na noção de distância. Daí para esta atenção tornar-se um talento sobrenatural para a música há uma grande diferença.

Caminho para Inclusão

Pra chegar à inclusão temos que conhecer os fatores que envolvem a pessoa com deficiência para quebrá-los e vencê-los:

- preconceito:
 Comportamento aprendido e adquirido, tem como alicerce a desinformação. Existem 4 tipos.
a) Generalização indevida – a transformação da totalidade de pessoa com deficiência na própria condição de deficiência na ineficácia global.
b) Correlação linear – se a atividade é boa para essa pessoa com deficiência, então é boa para todas as pessoas nessa condição. 
c) Contágio osmótico – medo de contaminação pelo convívio com pessoas com deficiência.
d) Culpabilização da vítima – a pessoa com deficiência é vista como culpada da própria deficiência.


- estereótipo:
 Essa falta de informação prévia dá origem ao estereótipo, que é a concretização, um julgamento qualitativo que têm como base o preconceito – podendo ser igualmente anterior à experiência pessoal. Estereotipar essas pessoas é o mesmo que as colocar na condição de vítimas, de sofredoras, de prisioneiras, de incapacitadas e tantos outros conceitos e imagens herdadas historicamente. 
Essas pessoas variam basicamente entre três conjuntos de estereótipos: vítima, herói e vilão. Raramente lhes é dado o lugar de pessoa, mas oscilando sempre na chamada "gangorra do bem e do mal”. Exemplos clássicos são os estereótipos sobre pessoas cegas, remetendo-as muito mais ao herói que ao vilão: oráculo, sábio, dócil, músico, dentre outros.

- estigma:
Quando rotulamos alguém, não olhamos para o que essa pessoa realmente é ou sente. Por meio de termos pejorativos, os estigmas são usados como rótulos e trazem mais sofrimento para essas pessoas. O uso de rótulos negativos marca e desqualifica uma pessoa, é o que chamamos de estigma. 





Está na lei, parte II!

O art. 27 da lei 13.146 fala sobre o direito à educação que toda pessoa deficiente possui:
         A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.
Parágrafo único.  É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação.

Está na Lei!

A lei de número 13.146 traz a garantia de direitos às pessoas com deficiências. Mas o que a lei define como uma pessoa com deficiência? O art. 2 traz a resposta:
Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.