terça-feira, 2 de julho de 2019

Releitura de Postagens II

Releitura de postagens

1. Releitura da Postagem: "E agora, o que estou sentindo", publicada em 18 de março de 2017, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2017/03/e-agora-o-que-estou-sentindo.html>. Esta postagem foi realizada a partir do exercício onde vimos um vídeo sobre as transformações na educação na Finlândia e um vídeo falando da reforma do Ensino Médio no Brasil. Na situação fiquei muito impactada com as distinções entre os conteúdos assistidos, pois enquanto no primeiro era possível visualizar um país que investe na educação já o segundo vídeo trazia um conteúdo de incertezas sobre nosso cenário educacional. Ainda fico impactada com a forma com que a Finlândia faz educação, mas hoje me percebo menos "encantada" e mais ciente de que por mais que a educação no Brasil tenha debilidades consideráveis, a partir de uma inovação do meu olhar, posso modificar a minha prática e ser uma professora melhor para as crianças. Hoje entendo que não preciso esperar que o que ocorreu na Finlândia aconteça aqui para que minha prática mude, bom seria, mas enquanto isso que eu abra mão de minhas velhas práticas, que eu possa me reinventar, estudar para atuar da melhor forma possível dentro das salas.

2. Releitura da Postagem: "Entendendo essa coisa de PPP", publicada em 18 de março de 2017, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2017/03/entendendo-essa-coisa-de-ppp.html>.
Nesta reflexão, havia citado o fato de ouvir falar sobre PPP mas não entender sua função, mesmo trabalhando a anos em escolas. Também registrei sobre o vídeo que assistimos onde a partir do mesmo passei a compreender o assunto. Relembrando essa aprendizagem, me remeti as minhas vivências na escola, onde falamos sobre o PPP da escola, discutimos o PPP, sempre observando se nossa prática condiz com os própositos da escola. Hoje um exercício tão simples pra mim, um dia era complicado e teve um momento onde essa janela de conhecimento foi aberta! Foi bom relembrar!

3. Releitura da Postagem: "Que pedagogia quero?", publicada em 18 de março de 2017, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2017/03/que-pedagogia-quero.html>.
Poderia dizer que tem aprendizagens que marcam um antes e um depois em nossas vidas. E assim, foi estudar os Modelos Pedagógicos através do Fernando Becker. Na verdade hoje penso que este conteúdo deveria ser a primeira coisa a ser ensinada nos cursos de formação de professores. É de extrema importancia que educadores compreendam que por tras de toda prática existe uma crença de como se dá a relação ensino-aprendizagem e o mais importante é que por trás desta relação existe uma crença sobre as formas que as pessoas aprendem. E conforme a crença do professor toda sua prática será conduzida e mesmo que um professsor não tenha este conhecimento, sua prática ainda assim estará imbuída de uma crença epistemológica. A partir disso, decidi que acredito na Pedagogia Relacional para subsidiar minha prática, então tudo o que faço viso este princípio para que meu trabalho tenha coerência, seja ao planejar uma proposta, seja ao organizar as salas para minhas crianças da educação infantil.

4. Releitura da Postagem: "Com urgência" , publicada em 25 de abril de 2017, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2017/04/com-urgencia.html>
Nesta reflexão pontuei o momento em que aprendemos sobre o conceito dos Métodos Globalizados e fiz uma crítica ao trabalho de muitos professores e suas dificuldades em contextualizar os assuntos e ensinar sobre o que é relevante e significativo para a vida dos alunos. Porém hoje minha crítica não fica destinada somente aos professores, mas as formações que são feitas tanto nos cursos de magistério quanto nas graduações onde muitas vezes não são apresentados aos professores outras possibilidades de fazer. Hoje penso também, que infelizmente as vezes os professores encontram nas próprias instituições as resistencias para fazer uma prática diferente e inovadora, muitas vezes se adequando aos regimes tradicionais que insistem em permanecer.

5. Releitura da Postagem: "Projeto de Aprendizagem", publicada em 27 de abril de 2017, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2017/04/projeto-de-aprendizagem.html>
Trabalho na Educação Infantil e desde que aprendi sobre esta abordagem, coloco ela em prática com as crianças. A partir de observações dos interesses das crianças passamos a pesquisar sobre estes assuntos: já pesquisamos sobre o trem, sobre construções, sobre bolos, etc. Aprendizagens significativas que engajam tanto os educandos quanto os educadores.

6. Releitura da Postagem: "Conhecimentos Vazios", publicada em 15 de março de 2018, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2018/03/conhecimentos-vazios.html>.
Na postagem faço uma crítica ao fato das tecnologias tornarem as pessoas informadas sobre tudo, porém com conhecimentos sobre quase nada. Além da internet causar essa falsa impressão de conhecimento, ela ainda tem entrado na vida das crianças e tirado algo muito precioso, a capacidade de  viver a realidade. As crianças conhecem os youtubers mais famosos, mas não sabem que o leite vem da vaca e não da caixinha. Reconhecem todas as cores nos vídeos, cantam em inglês, mas não conseguem correr no pátio ou subir em uma árvore. Além de mentes rasas, a internet tende a anular o corpo das crianças e todo potencial de desenvolvimento e aprendizagem que é possível através de experiências que envolvam aspectos motores, afetivo e cognitivo. Como trabalho com a educação infantil faço questão que as crianças em minha escola brinquem com terra, água, areia, subam em árvores entre tantas outras coisas, para que ao menos neste expediente elas tenham a oportunidade de experimentar a vida. Vimos através da interdisciplina de Corporeidade o quanto é importante entender que a criança e o seu humano como um todo, aprendem de forma mais intensa quando seu corpo todo se insere em um momento de aprendizagem. Com certeza, a internet também tem seus aspectos positivos e não há como negar sua existência, o professor precisa buscar as melhores formas de fazer seu uso, mas sempre entendendo que as melhores aprendizagens são aquelas onde estivemos por inteiro.

7. Releitura da Postagem: "Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos/Fernando Becker", publicada em 15 de março de 2018, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2018/03/modelos-pedagogicos-e-epistemologicos.html>.
Nesta reflexão retomo novamente o texto de Fernando Becker. Com esta leitura pude reforçar este conteúdo que como já afirmei foi um divisor em minha prática. A partir deste texto, decidi que acreditaria na perspectiva da Pedagogia Relacional para subsidiar minha prática como professora. Quero ressaltar que isso tem influenciado em meus modos de fazer, impactando aspectos como a organização da minha sala, a forma de conduzir as brincadeiras e as atividades de investigação junto as crianças, pois sempre tenho em mente que a criança tras consigo saberes, que eu sou a parceira experiente que prepara os momentos e situações para que através das interações das crianças elas possam desenvolver aprendizagens. Creio que entender os modelos pedagógicos funcione como o termometro de cada professor.

8. Releitura da Postagem: "Linguagem, mais que invenção cultural, necessidade humana", publicada em 06 de agosto de 2018, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2018/08/linguagem-mais-que-invencao-cultural.html>.
Nesta postagem reflito a importância da linguagem verbal e o quanto ela se apresenta muitas vezes como um instinto e uma necessidade. Mas ao fazer sua releitura me deparo com a percepção do quanto nossa cultura e sociedade supervalorizam a linguagem verbal. Neste um ano desde que escrevi a postagem, estudei muitos sobre crianças pequenas, crianças que muitas vezes nem falam, e elas não possuem linguagem? Não se comunicam? Claro que sim, elas produzem linguagem através do olhar, de expressões faciais, expressões corporais, balbúcios, choros, etc. E na verdade, os próprios adultos também produzem linguagem dessa forma. E para nós professores, essa sensibilidade em perceber outras linguagens nos alunos é de extrema importância para que o mesmo seja compreendido e respeitado em sua totalidade. Essa percepção nos faz compreender melhor e valorizar mais as pessoas surdas, sua cultura e sua linguagem.

9. Releitura da Postagem: "Muito mais que", publicada em 06 de agosto de 2018, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2018/08/muito-mais-que.html>
Nesta postagem me deparo com a ideia de que alfabetizar adultos e jovens não é apenas ensinar a ler e escrever mas também resgatar a capacidade de um ser humano em pensar criticamente sobre alguma coisa. A partir do momento que uma pessoa consegue ler e escrever com autonomia ela tem sua auto estima elevada e ela passa a ter o domínio sobre suas decisões e direitos de ir e vir. Coincidentemente essa semana estava na minha mãe e chegou uma vizinha sua. Uma jovem de 22 anos que por conta de uma gravidez interrompeu seus estudos. Agora, ela retornou e esta na EJA de uma escola particular de nossa cidade. Ela estava contando com brilho nos olhos sobre sua escola, sobre seus professores, no caso dela ela já era alfabetizada, mas o fato de ter a oportunidade de voltar a estudar devolveu dignidade para ela e abriu a janelinha das possibilidades, pois ela já estava contando sobre as opcoes de cursos que pretende fazer na faculdade. Estudar eleva as pessoas, amplia suas possibilidades, amplia o mundo, faz as pessoas compreenderem que podem ir mais longe e conquistar seus ideais e objetivos.

10. Releitura da Postagem: "O preço da Educação", publicada em 24 de outubro de 2018, diponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2018/10/o-preco-da-educacao.html>
Na postagem fiz uma reflexão sobre a importância de pensar os aspectos financeiros para que se possa adquirir materiais, brinquedos, objetos e assim garantir uma riqueza nas propostas nas escolas. Pois se quero, por exemplo, fazer uma culinária para trabalhar matemática precisa ser adquirido os ingredientes. Mas o fato, é que ao reler a escrita, e ao me deparar com o título me encontro com outro tipo de preço da educação, um preço que não é de valor, não é material, mas é um preço daquilo que se acredita ser o melhor a fazer.
Vou dar alguns exemplos, primeiro ainda na época do meu estágio, trabalhava com as crianças sobre a história do papel e planejei confeccionar com as crianças folhas de papel a partir de folhas de árvores. Levei bacias, água, liquidificador, peneiras, folhas de bananeira para a sala de aula, para junto com as crianças desenvolver a experiencia. Evidentemente a manipulação desencadeou uma "bagunça" controlada, prevista e necessária. Porém, naquele momento a coordenadora pedagógica da escola entrou na sala e disparou: "Nossa, que bagunça!". Sua fala me desconsertou, ressaltei que iria organizar. Fico pensando em quantos professores, diariamente ouvem estas críticas de seus gestores e por vezes se amedontram e deixamde trabalhar assim por conta disso. Na escola que trabalho, fazemos muitas propostas com tintas, massinhas com as crianças e quase que semanalmente há reclamações das tias da limpeza pelo fato das professoras fazerem "bagunça". Todas estas falas e tantas outras situações tendem a desanimar e desmotivar, mas o fato é que é preciso travar uma luta, pagar um preço pela educação para garantir que nossos alunos tenham práticas mais dignas e significativas.






sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Releitura de Postagens

1.Releitura da Postagem: "Orgulho de ser João", publicada em 28 de dezembro de 2015, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/12/orgulho-de-ser-joao.html>.

Está postagem foi realizada após o exercício de criar um pbworks onde deveria me apresentar e realizar uma apresentação da minha escola. Hoje posso analisar uma postagem bem rasa, onde expresso minha alegria por trabalhar num espaço que respeita as crianças e o trabalho na educação infantil. Agora entendo que a escola não atuava ou atua assim de forma aleatória ou porque é legal, mas porque apresenta uma concepção sobre como se dá o conhecimento. Minha escola acredita numa concepção construtivista, onde as aprendizagens se dão a partir das interações com o outro e com o meio. Assim embasados em uma pedagogia relacional toda a escola "conversa" desta forma. Ambientes internos e externos que promovem para as crianças interações ricas e potentes com os pares, com as professoras, com o que está posto nos espaços. Espaços estes que permitem a tentativa, as experimentações, vivências e aprendizados. Resumindo, hoje sei que existem concepções epistemólogicas que ditam a forma de ser escola.

Referência:

Referência: BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.


2. Releitura da postagem: "Novos Horizontes", publicada em 13 de dezembro de 2015, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/12/novos-horizontes.html>.

Nesta postagem trago meu encantamento por conhecer outras formas de "fazer escola" como o exemplo da Escola da Ponte, porém hoje lendo novamente minha escrita mais parece um diário do que uma reflexão acadêmica, pois como já disse, ressalto mais meus sentimentos e emoções. Hoje entendo que estas escolas constituiram Arquiteturas Pedagógicas, ou seja, pensaram uma nova forma se ser escola, diferente daquele modelo tradicional. Estas escolas se permitiram fazer uma releitura de suas estratégias pedagógicas para verificar o que funciona e o que não funcionava a fim de facilitar e proporcionar a aprendizagem de fato. Por exemplo, se há anos trabalhar com crianças sentadas olhando nos livros não ajudou, vamos pensar uma escola mais dinâmica, mais viva e com assuntos mais próximos da realidade dos alunos. Se trabalhar com faixas etárias iguais não trouxe muitos resultados, vamos experimentar trabalhar com idades diferentes. 

Texto Arquiteturas Pedagógicas para a Educação à Distância


3. Releitura da postagem: "Olhos Azuis", publicada em 11 de novembro de 2015, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/11/olhos-azuis.html>

Nesta postagem expresso meu assombro em entender o quanto famílias e mídias agem como meios influenciadores no modo de ser das crianças. Infelizmente, numa sociedade competitiva, onde você precisa produzir, todos os dias as crianças ouvem orientações que no insconsciente delas trabalha tais comportamentos. Certo dia, enquanto estava com a minha filha de um ano no colo, uma mulher que também estava com seu filho no colo disse : Nossa, ela já dá tchau, o meu ainda não! A tua já caminha? O meu filho caminha! Ou então quando uma criança está desenhando e numa fala "inofensiva" dizemos: O Sol não é laranja é amarelo. Frases simples, inofensivas, mas que vão moldando um modo de ser nas crianças. No texto Criatividade: Conceito e Desafios de Maria de Fátima Moraes, ela ressalta as competências necessárias para que uma pessoa possa ser livre e liberar todo seu potencial criador: autonomia, autoconfiança, tolerância e persistência. Precisamos moldar nossas crianças a partir deste viés, para gerar crianças livres, livres de estereótipos, livres das expectativas que colocam tão pesadamente sobre elas.



4. Releitura da postagem : "Classificando e Seriando na Educação Infantil", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/classificando-e-seriando-na-educacao.html> 

Nesta postagem relatei uma cena que observei onde as crianças classificavam e seriavam os brinquedos com os quais estavam interagindo. Fico feliz por que consegui analisar uma cena e lincar com um conteúdo que estava sendo estudado. Hoje percebo que este meu olhar está um pouco mais "apurado". A partir da leitura do slide "Ver e Olhar" de Simone Bicca, pude compreender que o Ver é algo relacionado a um sentido, porém muito superficial. O Olhar está ligado a uma compreensão daquilo que estou vendo, um entendimento mais detalhado de uma cena, uma situação. Nesta cena, pude desenvolver o Olhar e diariamente tento desenvolver isso na prática, para que eu posso compreender o que acontece em minha escola, com as crianças e não somente viver no "automático"


5. Releitura da postagem: "Muito mais que números", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/muito-mais-que-numeros.html>

Aqui registro o momento onde descubro que existe a alfabetização matemática, onde o indivíduo não somente aprende símbolos e suas correspondências, mas compreende o que se lê e o que lê compreende. Quando relembro esta aprendizagem, não tem como não lembrar o que aprendemos com Paulo Freire na interdisciplina da Educação de Jovens e Adultos. Alfabetização deve em primeiro lugar moldar, forjar alguém crítico, que saiba pensar sobre sua realidade e seu mundo. Ler o seu entorno, a sua vida. Alguém que se sinta empoderado e capaz de dar sua opinião e fazer valer suas crenças e ideologias. Hoje entendo que alfabetização é muito maior que decifrar números ou letras, mas em primeiro lugar, ensinar pessoas a pensar.

6. Releitura da postagem : " Quem sou eu?", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/quem-sou-eu.html>

Estava olhando meu primeiro álbum de fotos e ali me deparando com minha história. Minha mãe tem guardado meu primeiro "chumaço" de cabelos, as lembrancinhas de meu nascimento, etc. Olhar para estes objetos, me faz entender hoje quem sou. Como foi minha infância, como era a nossa convivência, relacionamentos. Isso tudo faz parte de mim e narra sobre mim. O texto Sobre Evocadores de Memória de Flávio Sholles causou fortes impactos na minha vida como um todo, não somente no profissional, mas pessoal também. Desde que engravidei de minha filha, tive a preocupação de gerar objetos, elementos que contassem um dia sobre a história dela, comprei uma agenda e faço registros com fotos e narrativas de momentos dela como por exemplo o primeiro dia que ela se virou e rolou sozinha. Além da escola, trabalho em um projeto social onde realizamos muito eventos, hoje eu me preocupo em pensar em lembranças que tenham haver com o momento para que um dia o objeto dado possa ser este evocador dos momentos vividos. E na escola passei a registrar mais e olhar o portfólio em uma perspectiva muito séria! Não é só um documento para atender as demandas burocráticas, mas um registro que falará das primeiras vivências de uma criança na escola, que falará da qualidade que a pessoa teve de interações e brincadeiras em sua infância. Ou seja, evocadores de memória são importantes, essenciais para ajudar as pessoas a se entender  e compreender suas histórias.

7. Releitura da postagem : "A encantadora música da língua dos Sinais", disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/a-encantadora-musica-da-lingua-dos.html>

Quando realizei esta escrita foi a primeira experiência que tivemos com o pb works. Vencer o desafio de formar um grupo, considerando que nos viámos apenas uma vez por semana e ainda teríamos que trabalhar em coletivo nesta plataforma digital. Escolhemos o tema "Surdos e a Música", até o momento um assunto tranquilo que não despertou muitas emoções. Porém fomos desafiados a fazer um levantamento sobre nossas dúvidas e sobre nossas certezas sobre o assunto. Neste momento o grupo ficou muito entusiasmado, o que sabemos sobre? O que achamos que sabemos? O que queremos descobrir? Estas questões foram molas propursoras de aprendizagens. Lendo na Interdisciplina sobre Criatividade, o texto que tem como uns dos autores nossos professores Credine e Rosane, Arquiteturas Pedagógicas, percebi que hoje a educação está buscando se reinventar, ou seja, refletir, confrontar os velhos formatos de ensinar, que contemplavam o ensino e não a aprendizagem, para que de fato o aluno tenha interesse em conhecer, em aprender e o mais importante realizando isso de formas diferentes e trocando informações com seus pares. Quando realizamos esta aprendizagem em 2016, foi utilizada a Arquitetura denominada Projeto de Aprendizagem, que tem como seu movimento incial lançar problemas e formulações através de Certezas Provisórias e Dúvidas Temporária. Após, selecionar uma curiosidade “Questão de Investigação e depois o Inventário de conhecimentos e concluir com o processo de investigação que consiste no esclarecimento das dúvidas e na validação das certezas.

8. Releitura da postagem: "Muitas expressões", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/muitas-expressoes.html>
Explorar os mais diversos assuntos considerando o ser humano como um todo, constituido de um corpo que aprende. Estudar corporeidade me fez afirmar e entender que quando falamos em aprendizagem não se pode negar este aspecto do ser, principalmente na infância. No meu estágio tive várias experiencias relacionadas a isto, mas uma me marcou bastante. Considerando este corpo que faz parte das crianças, diversas práticas de desenho eu realizei colocando os materiais no chão para que eles pudessem fazer suas marcas como se sentissem a vontade. Em uma manhã ofereci papel laminado e canetinhas coloridas e permanentes para um grupo de crianças. Rafaela escolheu uma folha e sentou. Concentrada, viu que a posição esava incomoda e se deitou de bruços. Me aproximei dela e ela rapidamente levantou para me contar o que estava fazendo, "Olha profe, meu labirinto de corações". Ela preencheu o espaço da folha com corações e criou o seu labirinto. De pé, apontando com o dedo continuou: "pra passar pelo labirinto você vai ali, ali e ali", não contente, passou a pular sobre o papel e dizer "é assim que se passa profe". Rafaela não desenhou apenas com o seu intelecto, memória, mas seu corpo, seus movimentos, seus gestos e sentidos estavam presentes naquele desenho. Com certeza esta representação teve muito sentido para ela, pois teve um envolvimento da Rafaela como um todo.

9. Releitura da postagem: "Vamos jogar", disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/vamos-jogar.html>
Que bom compreender a importância do jogo e do lúdico na aprendizagem. Esta minha postagem registrou este momento, onde aprendemos as fases do jogo por Piaget conforme as faixas etárias. Mas ao longo do curso pude experimentar estes saberes e executá-los na prática. Na escola tive a possibilidade de entrar uma vez por mês no berçário e obsercar algumas ações como bebês chupando o dedo do pé, atirando a colher no chão enquanto estava no cadeirote, pegando a toalhinha usada para dormir e colocando e tirando do seu próprio rosto e nestas cenas não chamei atenção ou coisa assim, mas entendia que esta era forma com que estavam brincando e praticando o Jogo de Exercício. Este ano trabalhando em uma faixa etária de 2 anos, sabendo que estão na fase do Jogo Simbólico o que eu e minha colega nos preocupamos? Espaços, cantos e materiais que dessem conta desta necessidade: a cozinha, as fantasias, os materias não estruturados. Na verdade fico feliz em saber o quanto tudo o que aprendemos lá no começo da graduação me afetou, me modificou e transformou minha forma de ser professora.

10. Releitura da postagem: "Pacote completo", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/pacote-completo.html>
Nesta postagem registrei a importância do jogo a partir de que ele desenvolve aspectos tão importantes no indíviduo como: moral, social e intelectual. Quando estamos jogando de fato, nos construímos enquanto seres humanos e passamos a compreender o outro. No texto "A agitação que faz bem" de Anna Oliverio Ferraris visto na interdisciplina de Ludicidade a autora coloca tudo aquilo que o jogo desenvolve em uma pessoa, exemplo, a capacidade de ceder e fazer valer sua vontade. Assim, consigo entender meu lugar no mundo e me entender neste coletivo e simultaneamente adquirir importantes aprendizados. Porém, a partir das Interdisciplinas de Corporeidade e Criatividade pude ampliar meus saberes em relação ao jogo, pois o mesmo permite que a criança aprenda com o corpo inteiro, com os movimentos, com os sentidos. E as emoçôes desencadeadas a partir do jogo podem auxiliar e abrir caminhos para as aprendizagens, lembrando que emoções negativas podem ser bloqueadores das mesmas. Em termos de criatividade, os jogos auxiliam a pessoa a perder o medo do erro, a verificar suas possibilidades de acerto e que o erro,entender que o perder na verdade é processo para o acerto. Hoje consigo compreender o jogo numa dmensão muito maior ainda.







quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O preço da educação!

Sempre me questionei muito sobre a forma com que as escolas ensinam, muitas vezes de uma totalmente desinteressante, desconexa da realidade, sem criatividade ou interação. Sempre pensava, imaginando uma aula de matemática através da culinária, seria demais!!Ou aulas de geografia e história com visitas a espaços reais.
No meu estágio, tenho prezado por possibilitar experiências ricas, de materiais, de possibilidades e sempre prezando pela integração de mente e corpo. Mas o ponto que quero tocar é a respeito dos materiais, pontualmente o investimento financeiro. Tenho descoberto que este meu desejo por estas aulas criativas, só é possível com o investimento em materiais. Como não tenho materiais na escola, somente neste mês já investi quase R$100,00 em folhas, papéis, canetas e outros mais. Tenho percebido que para proporcionar experiências ricas para os alunos, pensar em geração e no investimento em materiais é fundamental, pois para fazer uma culinária tem que ter os ingredientes e todos os outros utensílios. Para fazer um passeio precisa ser pago o ônibus e assim por diante. Para ter um espaço educador, precisa ter brinquedos de qualidade. Assim, não há como pensar em educação de qualidade sem pensar neste aspecto! Dessa forma, será que podemos dizer que uma epistemologia também tem seu preço?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Nossa, que bagunça!!!

Depois de observar a escola, as crianças, um dos meus focos principais do estágio era potencializar a brincadeira das crianças, pensando materiais, tempo, e principalmente garantindo a ação delas sobre os objetos e as interações entre elas. Desde o início sabia que teria que ir com calma, devagar, para não assustar as colegas, pois esta "dinâmica" não era adotada pela escola. Na primeira semana, enquanto brincavam, exploravam, criavam livremente, a coordenadora entrou na sala e disse: "Nossa, que bagunça!", na mesma hora eu gelei! Algumas coisas, rapidamente, passaram sobre minha mente, exemplo, agora ela vai barrar o brincar das crianças, ela vai fazer uma má avaliação do meu trabalho, isso vai prejudicar meu estágio! Mas rapidamente, já veio a minha mente que estar em sala é uma "luta", pois é necessário lutar pelo que acredita e saber se colocar teoricamente tanto para si mesmo quanto para os questionamentos. Se eu acredito em uma pedagogia relacional, que as crianças estão na fase do jogo simbólico, que precisam ter garantidas ações de qualidade, eu devo ter em mente que aquilo não era bagunça, mas resultado de exploração, manipulação, interação. Que a bagunça dos outros, não bagunce aquilo que acreditamos!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

E o estágio começou!!

Como já é sabido, não consegui realizar o estágio em minha escola, mas acredito que na vida tudo tem um propósito e já tenho entendido algumas razões de eu estar no lugar onde estou hoje!
Há 5 anos no município de Novo Hamburgo, considero minha escola como uma escola para mim também!! Temos muiiiitas formações, lemos muito sobre a educação infantil e estamos sempre buscando aprender e aperfeiçoar nossa prática. Tenho liberdade para criar, experimentar e possibilitar das mais diversas experiencias para as crianças. Quando preciso de materiais, seja o que for, apenas entrego a lista para minha diretora que imediatamente consegue o que solicitei. Agora, estou vivenciando uma realidade que já nem lembrava que existia. Não há formação, não há reflexão sobre o cotidiano, sobre a jornada das crianças na escola, sobre o brincar, rotinas, apenas o momento da Atividade de Tarde tem evidência e recebe importância. Sem falar que não há investimentos de materiais, todas as propostas que estou realizando, estou providenciando os materiais do meu "bolso". Esta semana fiquei espantada com o valor do pote de tinta, R$6,00, que muitas vezes, simplesmente eu cheguei na minha diretora do município e apenas solicitei e depois recebi. Nestas três semanas, minhas propostas foram basicamente relacionadas a valorização do jogo simbólico, um olhar diferente para as rotinas e uma ampliação do desenho, permitir que as crianças saíssem do "quadrado" para fluir todo o seu potencial criativo. Algo que em minha escola é algo tão natural, corriqueiro, para as crianças tem sido algo de grande valor e percebo o quanto estão sendo alcançados e se sentindo respeitados pelos retornos deles, das famílias e das próprias colegas que tem observado minha prática e refletido a sua prática. Resumindo, hoje consigo ser muito grata a Deus pela minha escola "oficial", consigo ver o quanto a gestão faz pelo seu grupo de professores. Também consigo verificar o quanto há uma falha nas formações de professores, pois toda essa prática que "não acontece" se dá em razão de um desconhecimento de outras formas de fazer  e estou feliz, por além de estar refletindo minha prática, estou podendo compartilhar saberes e outras formas de fazer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Que pedagogia quero?

         Por ter sido inviável realizar o estágio em minha escola, tive que me aventurar e realizar o estágio em um outro local. Não posso deixar de ressaltar o quanto o texto de Fernando Becker sobre modelos epistemológicos e modelos pedagógicos foi e tem sido libertador para mim! Libertador no sentido de entender que toda a prática docente de um professor é embasada em cima de uma crença sobre como acontece a relação de ensino e aprendizagem no aluno, mesmo que o professor não se dê conta disso, sua ação revela um modelo. Assim, desde que tomei posse desse conhecimento, estou certa de que acredito em um modelo epistemológico construtivista e tenho tomado cuidado para assegurar que minhas práticas estejam de acordo com isso. Nas visitas que fiz a escola de meu estágio, ia sempre com essa curiosidade, qual modelo epistemológico desta escola? Qual pedagogia é colocada em prática? Salas de Educação Infantil com mesas e um lugar privilegiado para o professor, professores usando jalecos, crianças brincando com brinquedos escolhidos pelo professor, sentados nas mesas. Estes fatos já me dizem muito sobre o modelo pedagógico da escola, agora me pergunto, será que a escola tem ciência disso, será que conhecem outras formas de ensinar e aprender? Penso que minha prática de estágio, além de colocar meus saberes em reflexão, pode ajudar a própria escola a pensar seus fazeres.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Com o corpo inteiro!

  Fico me questionando sobre quantas propostas, atividades, "trabalhinhos" eu já realizei  na intenção de ensinar algo, porém desconsiderando totalmente o corpo como ator envolvido neste processo! Folhas e folhas xerocadas!
Mas que bom que " evoluímos" e que através de novos conhecimentos e novas reflexões, podemos aperfeiçoar nossa prática.
Na escola que trabalho entendemos o quanto é importante conscientizar as crianças sobre a importância da natureza. Cuidar da água, preservar as árvores, respeitar os animais, etc. De um tempo para cá temos pensado sobre a melhor forma de ensiná- los sobre educação ambiental. Como respeitar e amar algo que não conheco? Como preservar algo que não passou pelo meu corpo? Concluímos que a melhor forma de ensiná- los é, inicialmente, permitir com que entrem em contato com a natureza! Por isso, brincar e tocar na água, terra, grama, deslizar o barranco é a melhor forma da criança sentir e perceber o quanto a natureza é fundamental! Além do que tocar a natureza possibilita diversas experiências e aprendizagens! E é isso que fazemos na escola, permitimos que as crianças conheçam a natureza pelo e com o corpo inteiro!
Vale lembrar que o tato é o sentido que nos confere a sensação da realidade " não apenas nossa geometria e nossa física, mas toda a concepção do que existe fora de nós, baseiam-se no tato ( RUSSEL, apud MONTAGU, 1988, p.30)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Por uma proposta pedagógica construída sobre o poder constitutivo e criador da Ação Humana

Se formos parar para observar e estudar sobre as crianças, cada faixa etária nos apresenta características e ações bem específicas. No berçário, tudo é estréia, um mundo todo colocado a disposição, onde tudo é novo e é preciso ser conhecido, experimentado, observado, explorado. Coloque uma caixa de brinquedos para que bebês ( 0 a 1 ano e 6 meses) brinquem! O que acontece? De repente, tudo está fora da caixa!Sim, eles exploram e investigam tudo o que é posto, devido a necessidade de desbravar o novo! Infelizmente, já ouvi colegas dizendo: amigo, não precisa retirar tudo da caixa, escolhe um e brinca! É preciso compreender que a aprendizagem numa perspectiva relacional se dá através da ação do sujeito sobre o objeto, porém é preciso ter bem definido que tipo de ação é esta. A ação que possibilita a aprendizagem, dá significado as coisas, possibilita a realização dos desejos humanos e suas necessidades. Assim, bebês necessitam agir sobre tudo o que está posto e precisam ter este direito garantido. Fernando Becker alerta que há a ação aprisionada: interação pautada no treinamento, monotonia da repetição e pela imposição autoritária.
Tenho uma filha de 1 ano, desde recém nascida tentamos possibilitar e garantir que suas necessidades de ação sejam garantidas. Nas fotos abaixo (com 6 meses), ela com um cesto, onde colocávamos vários objetos e as ações pegar, observar, explorar e abandonar se repetia até que o cesto ficasse vazio.











Neste dia, o mais interessante foi que depois de agir sobre tudo o que estava dentro do cesto, o próprio cesto virou um objeto de exploração.


Teve um outro dia, que ela encontrou o pacote de fraldas sobre o sofá, conseguiu pegar e logo já começou a explorar. Quando eu vi, meu impulso quase me levou a chamar a atenção dela, consegui me segurar, afinal ela não sabe ainda que as fraldas são caras e que pode danificar. Resolvi deixar ela explorar e comecei a observar e registrar! Depois fiquei pensando, será que não fui permissiva demais? Obviamente não vou deixar ela brincar sempre com o pacote de fraldas, depois que ela retirou e observou todas as fraldas conversei com ela, ela me ajudou a guardar e disse que ela tinha outros brinquedos adequados. Fiquei feliz, por que permiti que minha filha tivesse sua necessidade de investigação respeitada naquele momento. 




Entro uma vez por semana no berçário de minha escola e lá também tento garantir que os bebês possam agir conforme seus interesses e necessidades. Disponibilizamos diversos cestos pela sala, cada um com objetos diferentes e as interações são das mais diversas. A sala também conta com brinquedos motores onde podem subir, descer, etc.







 Possibilitar ações ricas para as crianças não é fácil, observo que os brinquedos pela sala, visto muitas vezes como "bagunça", a livre exploração, o fato de não estarem fazendo tudo igual ao mesmo tempo incomoda muitos colegas. Mas sei que preciso seguir com o que acredito e cada vez mais me respaldar teoricamente para fazer um trabalho de qualidade e de respeito à infância. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Se meu caderno falasse?

Em 2005 realizei meu estágio de magistério. Lembro que quando fui conversar com a diretora, solicitei uma 2 série! Com toda educação, ela me disse que não seria possível, pois a professora não aceitaria. Tudo certo, fiz meu estágio com uma 4 série e foi muito bom!
Na medida que fui conhecendo melhor a escola, meus colegas professores, fiquei sabendo que a professora da 2 série atuava há mais de 15 anos na mesma faixa etária e utilizava sempre o mesmo caderno/roteiro de atividades. O mais interessante foi uma das minhas crianças dizendo "Sôra, todo mundo faz os mesmos exercícios da Sôra ....., eu fiz e agora meu irmão está fazendo!". Achava aquilo um pouco estranho, era possível alguém utilizar as mesmas propostas por tanto tempo? Mas na época não tinha muita bagagem teórica para realizar reflexões mais profundas! Depois de um tempo, lembrando sobre ela, ficava pensando que talvez tivesse sido o jeito que ela"aprendeu a ser professora".
O texto de Fernando Becker " Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos" mostra que é um pouco mais do que o jeito de aprender a ser professor, mas de uma concepção teórica que o professor tem sobre a forma com que se dá a relação ensino aprendizagem no sujeito e com o sujeito. Concepção esta que muitas vezes, infelizmente, o professor nem se dá conta que tem, mas que está impregnada em todas as suas práticas, na forma de agir, na forma de organizar a sala, de elaborar as propostas, dispor os móveis, tratar com as crianças, tudo revela a epistemologia que o professor tem sobre aquisição de conhecimento. No caso, verifico agora uma professora que tinha sua prática embasada em uma epistemologia empirista, onde acreditava que seus alunos nada sabiam, que tudo o que transmitia era o suficiente para ensinar sobre os conteúdos e que em 15 anos recebia todas as crianças como iguais (mesmo sendo tão diferentes).
Fernando Becker cita, no mínimo, umas duas vezes que mesmo sem saber, os professores agem de acordo com uma epistemologia sobre o conhecimento. Tendo este conhecimento agora, penso que isso deveria ser a matéria principal em qualquer curso formativo de professores, pois como disse, aquilo que eu acredito sobre a gênese e como se dá o desenvolvimento do conhecimento é o que vai nortear todo o meu agir docente. Fico pensando sobre mim, que teoria sustenta minha prática, estou agindo com coerência de acordo com que acredito? Acredito na epistemologia construtivista, onde o conhecimento se dá através da ação e da problematização das crianças sobre os assuntos, interesses, materiais, etc, onde o professor assume seu lugar realizando intervenções necessárias para possibilitar aprendizagens. Agora fico pensando... meus planejamentos, minhas propostas sustentam o que acredito? Se meu caderno falasse, qual epistemologia ele apresentaria e revelaria?


domingo, 26 de agosto de 2018

Renovar é preciso!

Estou fazendo um curso de extensão na UFRGS: Docência na Educação Infantil. Mesmo sendo na UFRGS com professores tão conceituados, um fator tem me chamado a atenção. Não vou citar nomes, porém há professores e professores ali. Não vou entrar nos méritos teóricos, pois todos quando "abrem a boca" esbanjam conhecimentos e conhecimentos. Mas quando entramos no mérito pedagógico, observo algumas deficiências. Poucos são os que levam elementos, aulas práticas, propostas diferentes, parece que basta chegar na sala e compartilhar o conhecimento teórico através de uma aula expositiva, bem tradicional. Toda essa cena, me foi esclarecida através da leitura do texto Inovações Pedagógicas e a Reconfiguração de Saberes no Ensinar e Aprender na Universidade de Maria Isabel da Cunha . As formações nas Universidades tem exaltado os conhecimentos teóricos, o que vale é o saber sobre os assuntos, sobre as ciências, deixando de lado e desvalorizando os saberes pedagógicos, aquele conhecimento que vai ajudar a entender melhor o sujeito que irá aprender. Porém, fico feliz em saber que isso já está sendo observado, refletido e identificada essa necessidade da própria universidade repensar sua forma de ensinar e ver o aluno. Na última quinta-feira, participei de uma palestra da professora Lea Tiriba, professora do curso de pedagogia, mestrado e doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela colocou o quanto tem investido em uma formação que ela denomina teórico-brincante com seus alunos de graduação. Através de brincadeiras e muitas outras dinâmicas tem tentado trabalhar e despertar o humano, o sensível, o alegre em seus alunos, sem falar que trazer o conhecimento de uma forma diferente, viva e concreta torna o aprendizado bem mais interessante. Colocou também que tem iniciado esse trabalho teórico-brincante com seus alunos do mestrado, o que tem considerado um grande desafio. Acho todo este movimento de uma importância grandiosa, vivemos num país, onde quem tem mais conhecimento, títulos, formações ao invés de usar isso para ensinar e despertar o conhecimento no outro parece que vai criando uma "redoma", intocável, se sentindo superior em relação aos menos desprovidos de saberes. Torço para que essa discussão avance, se propague , que nossas universidades renovem com formações cada vez mais teórico-brincantes, humanas, sensíveis e que o conhecimento nunca seja para se colocar acima do outro, mas para que uns consigam levar outros adiante.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

É hora do Estágio!

Estava ansiosa pela aula de hoje, pois afinal o estágio se aproxima e com ele as  dúvidas e incertezas aumentam também. Explicado e esclarecido alguns pontos importantes, Rosane pede para que registremos aqui como estamos neste momento pré-estágio, nossas expectativas, anseios, sentimentos. Uau!! É uma mistura considerável de sentimentos e acontecimentos. Semestre puxado, infelizmente preciso confessar que não me organizei com meu blog, por conta disso fiquei no período de recuperação e com a tarefa de melhorar minha escrita. No primeiro momento desanimada, triste e chateada, tive que criar forças, reconhecer minhas falhas e seguir em frente. E aqui estou tentando ampliar minhas reflexões e melhorar minha escrita. Como se não bastasse, descubro que terei que pagar minhas horas de estágio caso eu queira realizar o mesmo na escola que trabalho. E agora? PEAD entra em contato com SMED/NH, SMED/NH não responde, os dias do estágio se aproximam. Para desenrolar a situação, decido fazer o estágio em outra escola, perto de minha casa, pois já que terei que pagar horas, faço logo num local mais acessível para mim. Acessível até certo ponto, pois conheço pouco da metodologia, nada das crianças, pouco da comunidade. Junto a isso segue o workshop (e ainda tenho que recuperar um), apresentação, horas complementares, blog, trabalho, família e por aí vai....Mas de tudo isso, confesso que realizar o estágio em uma escola diferente tem me causado expectativas boas, expectativas da novidade! Será um semestre de muito trabalho, de muitos estudos, buscas teóricas, escritas, mas quero viver este momento com a maior possibilidade da leveza e tentar seguir a dica preciosa da professora Aline: "Com tudo, Divirtam-se!".

Três Teorias!

Refletindo sobre a forma com que se deu o primeiro estudo sobre aquisição de linguagem, penso que este momento foi tomado com ares de radicalismos e por que não dizer crueldade. Me chocou saber que duas crianças, na verdade bebês, foram confinadas do nascimento até os dois anos, sem o convívio com adultos, sem receber atenção, afeto, ou poder entrar em contato com outros tipos de linguagem, como ouvir sua mãe ou simplesmente perceber o olhar dela! Enfim, colocados ali como "cobaias" para que observassem suas primeiras "palavras"! Fico pensando em tantos outros estudos que foram feitos de maneira tão surreal e bizarra como esta, mas que acabaram contribuindo para se chegar a algum conhecimento que temos hoje. Felizmente os estudos evoluíram, passaram a se realizar através de observações, registros, até chegar em algumas concepções teóricas que conhecemos hoje. Behavioristas acreditam que a linguagem se dá pela exposição ao meio através da imitação e reforço. Inatistas dizem que a linguagem é inata, instintiva, como dotação genética. Interacionistas dizem que a aquisição da linguagem se dá devido a interação com o ambiente e outras espécies. E agora, qual ideia seguir, com qual concepção conversar? Para mim, nenhuma concepção está totalmente errada ou totalmente certa, me parecem ter relações entre elas. Acredito que o cérebro já está predisposto a aprender porém a criança precisa estar em um ambiente falante, onde as pessoas falem e ela escute, observe e aos poucos vá se apropriando cognitivamente deste novo vocabulário. A criança precisa de um estímulo, e como já disse, esse estímulo é muitas vezes, observar um diálogo.
Eu sempre convivi em ambientes falantes, frequento a igreja, estou sempre no meio de muitas pessoas, eu e meu marido gostamos muito de conversar. Tenho uma bebê com 1 ano e 1 mês e desde que ela estava no meu ventre, estes ambientes falantes já eram de seu conhecimento, até porque eu fazia questão de conversar com ela. Com 10 meses ela proferiu a primeira palavra "auau"e não parou mais: mãman, papa, quáquá, até google (gugou) ela fala. A Sophia representa para mim a prática do que estamos teorizando. Ela me mostra que já nasceu predisposta para desenvolver a fala, pois é impressionante o qual rápido ela arquiva as palavras que ouve e a forma com que logo as reproduz. Também os ambientes que proporcionamos para ela conviver somados aos incentivos, já tem feito dela uma pequena falante! Penso que precisamos encontrar concordâncias entre as três teorias, coerências nas três teorias e nunca pensar na ideia de uma verdade absoluta!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Questão de Sobrevivência!

Segundo pesquisa do IBGE (2016), o Brasil conta com 11,8 milhões de analfabetos, ou seja, 7,2% de sua população não sabe ler e escrever.
Destes números, a região com maior índice de analfabetos é o nordeste, onde 14,8% de sua população não possui a habilidade da "leitura das palavras". Acompanhe o mapa brasileiro de analfabetismo (dividido por regiões):


Realizando uma busca por "como a pobreza se distribuí no Brasil", encontrei uma pesquisa da revista virtual Super Interessante que aponta que na região Nordeste, 53% de sua população vive na pobreza ou em uma linha ainda abaixo da pobreza.
Teriam estes números alguma relação? A pobreza e o analfabetismo estariam interligados? Totalmente!
O texto "Analfabetismo de Adultos: ainda um desafio" de Regina Hara, aborda os fatores de ordem social como grandes responsáveis por estes dados.
Fico pensando em uma família, pai e mãe, alguns filhos. Com salário insuficiente para prover todas as necessidades básicas como alimentação, moradia e saúde, o que fazer? Logicamente aqueles filhos que vão crescendo, precisam abandonar as salas de aula para auxiliar na busca de recursos. Sendo assim, é mais que "normal"  o abandono da escola, pois o trabalho mesmo que difícil e muitas vezes indigno traz uma solução rápida para suas necessidades básicas. Passado o tempo, agora adultos, estas pessoas decidem retornar a sala de aula, porém precisam continuar trabalhando e chegam as salas de aulas cansados, exaustos, desmotivados após uma longa jornada de trabalho. Alguns persistem, muitos desistem! Sem falar naqueles que nem tentam!
Então, voltando para o Nordeste, encontramos uma população pobre, onde estas histórias acontecem, se repetem e infelizmente se revelam nos dados! E certamente uma situação que acomete outras realidades, outras famílias, outras populações, não somente na região citada, pois bem como diz a autora, as camadas populares compreendem a escolarização como peso menor de necessidade, pois precisam garantir o básico para viver ou talvez, simplesmente sobreviver!









segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Os Nativos e os Imigrantes

De extrema importância conhecer bem nosso tempo, o que estamos vivendo e o que nossos alunos estão vivendo!
Fico espantada ao ver um bebê manuseando com tanta destreza um celular! Mas como poderia ser diferente se ao sair do ventre da mãe, tem ali algum registro que automaticamente já cai na web? Sim, as crianças que estão em nossas salas, convivem, respiram tecnologias, são os chamados NATIVOS DIGITAIS!
Conosco foi um pouco diferente. Lembro do meu ensino médio, lugar onde pela primeira vez me deparei com um computador. Antes disso, jamais havia visto! Pesquisas e outros trabalhos, a biblioteca pública de minha cidade era minha grande aliada. Aos poucos a tecnologia digital foi surgindo com mais força até alcançar nossos dias e nossas vidas, somos os IMIGRANTES DIGITAIS. penso que não podemos negar a contemporaneidade de nossas crianças e buscar estratégias, ferramentas, criatividade para utilizar as tecnologias como aliadas no processo de ensino e aprendizagem.

Inovações e as Universidades

A ordem natural encaminhou para a compreensão de que são os "técnicos" que sabem mais que os pedagogos. Essa frase do texto de Maria Isabel da Cunha, no meu ver é bem real. Na universidade é interessante a forma com que os professores atuam. Eles chegam, passam os conteúdos e é isso aí. Poucos são os que utilizam alguma forma inovadora. Ensinam sempre da mesma forma. E se alguém precisa de elementos concretos e se algum adulto não alcançou o estágio operatório formal? Creio que estas conversas são bem pertinentes para pensar nossa atuação em todas as instituições, inclusive na universidade, lugar onde os professores parecem muitas vezes intocáveis!

Fala aí Paulo!

Por que alfabetizar? Para que uma pessoa saiba ler e escrever! Para que ela possa se deslocar, ir e vir sobre suas escolhas, seus olhares. Essa seria minha resposta, simples e sem encantamento. Vou perguntar para Paulo Freire! Freire por que Alfabetizar?

"Para que pessoas que vivem numa cultura que conhece letras não continuem roubadas de um direito- o de somar a "leitura" que já fazem do mundo, a leitura da palavra, que ainda não fazem" (FREIRE, apud BARRETO, 1998, p.77).
SIMPLES assim!

Freire transforma!

Soares descreveu que a concepção de alfabetização de Paulo Freire, transforma:

Material: as palavras são extraídas do universo vocabular dos alunos e as palavras são aquelas que possuem significados para eles.

Objetivo: de aprendizado de técnicas para ler e escrever para alfabetização como tomada de decisão.

Relações Sociais: de aluno para participante de um grupo. A aula deve ser dialógica, onde os alunos devem cansar e não dormir.

E transforma o professor, de uma pessoa que poderia apenas ensinar uma técnica, para alguém que pode alavancar pessoas, fazer suscitar sonhos, histórias, possibilidades. Não há nada mais encantador do que proporcionar novas possibilidades e perspectivas aos alunos.

Educar para libertar! Educar para conscientizar!

Já entendi que Freire nos apresentou um conceito bem mais amplo sobre Alfabetização. Ainda sobre, ele diz que alfabetização não é um jogo de palavras é a consciência reflexiva da cultura, a reconstrução crítica do mundo humano, a abertura de novos caminhos. Importante sempre ressaltar que ele não criou um método, mas uma concepção de alfabetização como prática da liberdade, educação como conscientização (SOARES, 2007,p.119). De fato, não tenho dúvidas, que o que me marcou neste semestre foi enxergar a alfabetização nesta perspectiva e claro, penso que eu posso ampliar este conceito, visando esta concepção para as crianças que estão em nossas escolas.

Vamos Planejar?

Confesso que este é um dos temas que mais me interesso. Gosto de planejar e estudar sobre. Seguem algumas definições de PLANEJAMENTO, que me ajudaram a ter um entendimento mais claro sobre o assunto:
1. Planejar é antecipar e projetar de modo consciente, organizado e coerente todas as etapas de uma determinada atividade que visa alcançar certos objetivos que levam a transformações concretas do que se pretende realizar.

2. Na instância educacional, é um momento de decisão e previsão de situações didáticas para um grupo de alunos num determinado momento histórico, visando colaborar na formação de um determinado tipo de profissional. É um ato político, mas também pedagógico.

Empoderamento

Os textos de Paulo Freire falam muito sobre Empoderamento. Pensando sobre a palavra, desprovida de qualquer conceito prévio, obviamente me vem algum significado relacionado a PODER. Mas será um poder dado a mim por alguém? Será um poder provido de um outro lugar? Que PODER é esse?
Para Freire, Empoderamento não é no sentido de dar poder a alguém, mas no sentido de ATIVAR a potencialidade criativa de alguém, como também de desenhar e potencializar a capacidade das pessoas. Empoderamento não é apenas um ato psicológico, individual, mas um ato social e político! Fico pensando em adultos que analfabetos e que aprendem a refletir, questionar, ler e escrever, o quanto isso deve despertar neles uma nova forma de ser e de viver! Atuo com educação infantil a anos, mas confesso que adoraria ter e viver esta experiencia de perto, empoderar pessoas, ajudá-las a reviver e ter novas perspectivas, deve ser realmente gratificante!