"Se para muitos, no senso comum, a primeira infância já tida como sem
voz, pense então o que é ser sem voz, ser invisível e ser infantil."
Camila Bettim Borges e Susana Rangel Vieira da Cunha
Após esta leitura, fiquei perplexa ao pensar com o que estamos fazendo com a infância ,a forma com que rotulamos as crianças e esperamos que elas sejam e como nos deixamos influenciar, mesmo que muitas vezes, inconscientemente pelas mídias expostas a nós . Lembrei imediatamente da primeira boneca que ganhei na minha vida. Eu tinha três anos de idade e estava esperando muito por aquele presente. Na noite de Natal do ano de 1900, meu avô me entregou um pacote. Quando abri, o presente que tanto esperei, uma boneca da Estrela, pele branca, cabelos loiros e olhos azuis. Aquela boneca me acompanhou durante muitos anos e confesso que sim, ela trazia influencias sobre minha forma de pensar. Meu sonho era ter filhos com os olhos azuis, como os da minha boneca, ficava pensando: Como vou te-los, eu sou morena, vou ter que me relacionar com alguém loiro?! Que bom, que isso não influenciou de fato na hora de dizer sim ao meu esposo, pois ele também é moreno e de olhos castanhos, que bom que meu amor por ele foi maior do que o desejo imposto, colocado em mim de ter filhos de olhos azuis!
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