segunda-feira, 11 de junho de 2018

É currículo!

Sempre me interessei em saber definições claras que me auxiliassem a entender o que é um Currículo. No texto de Jurjo Torres Santomé: Globalização e Interdisciplinariedade, no capítulo sobre Psicologia e Currículo, traz a seguinte conceituação:
Currículo é um elo entre a declaração de princípios gerais e sua tradução operacional; entre teoria educacional e a prática pedagógica; entre o planejamento e a ação; entre o que é perscrito e o que realmente sucede nas salas de aula.

É urgente!

Diante de tantas leituras que nos mostram novas formas de ensino, formas integradas, globalizadas, com sentido para os alunos, etc., fico me questionando sobre a origem de nosso ensino ao qual ainda insiste em operar em nossa sociedade!
O texto de Jurjo Torres Santomé "GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIEDADE", mostra que nosso histórico educacional sofre grandes influencias da revolução que ocorreu no funcionamento dos sistemas de produção e distribuição no âmbito empresarial (início século XX). O Taylorismo "pregava" que seus funcionários deveriam aprender bem somente a sua função, não precisavam conhecer todo um processo de produção e deveriam realizá-las no tempo mais rápido possível. Já o Fordismo, também submetia a pessoa a uma linha de produção, ditada por máquinas, onde saber apenas sua função era o suficiente. Sem contar que as funções eram as mais simplistas, não exigiam esforço cognitivo ou saber algum, apenas reproduzir! Nossas escolas, herdaram estes sistemas, onde os alunos recebem os conteúdos fatiados, fragmentados e o mais sério, não são ensinados a refletir, questionar, criticar, muitas vezes são vistos como os funcionários das fábricas, onde precisam apenas cumprir uma tarefa, reproduzir, assim negando a grande funcionalidade da escola, que é:
Preparar cidadãos e cidadãs para compreender, julgar e intervir em sua comunidade, de uma forma responsável, justa, democrática e solidária!
Precisamos de um movimento de transformação urgente!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Saber nada sobre tudo ou Saber tudo sobre nada!

“A especialização sem limites culminou numa fragmentação crescente do horizonte epistemológico. Chegamos a um ponto que o especialista se reduz àquele que, à causa de saber cada vez mais sobre cada vez menos, termina por saber tudo sobre o nada. (...)”.(JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.)
Na atualidade o que mais vemos pelas mídias, são propagandas e convites para inúmeras especializações, cursos, formações sobre os mais diversos assuntos, sem falar no nosso "amigo" google. Hoje mesmo alguém me falou que a mãe de seu aluno é servidora registral, prontamente fui fazer uma pesquisa sobre o que faz esta mãe e pronto é como se soubesse tudo de uma servidora registral! Mas na verdade não sei nada. Pesquisamos por tanta coisa e tudo ao mesmo tempo que na verdade não nos aprofundamos e assim não criamos conhecimentos reais sobre as coisas. E mesmo nesta era de facilidade de acesso aos mais variados assuntos, no que diz respeito a minha área de atuação, tenho tentado fazer o exercício de não me contentar com informações rasas sobre as coisas. Exemplo disso, tenho ouvido muito em minha escola, sobre Documentação Pedagógica, pelo que já ouvi poderia dizer que "sei muito" sobre, mas de onde veio essa abordagem? Quais os autores, livros que falam sobre? Vamos ler os livros de fato? Enfim, um exercício para que eu saiba mais e de fato, possa trilhar um caminho para um dia me tornar especialista de verdade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ninguém nasce rascista!!!

https://www.youtube.com/watch?v=FsVnlWd1Zrs
Um vídeo que me tocou de forma muito particular!
No vídeo crianças, na maioria negras, precisam falar frases de ódio contra um atriz negra, frases como: Seu cabelo é como uma esponja de aço! e outras tão preconceituosas quanto. Algumas crianças ainda conseguiram falar uma frase, mas todas ficaram constrangidas, algumas não conseguiram falar nenhuma frase, algumas choraram, pois se identificaram com frases já recebidas como aquelas. Um vídeo que nos mostra que as pessoas nascem boas,com sentimento de igualdade, mas ao longo da caminhada aprendem a ser racistas.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Método clínico!

O método clínico consiste em investigar a genese do conhecimento construído pelo sujeito em suas relações com o meio.Os procedimentos desse método são entrevista e observação das respostas e açoes do sujeito de forma interativa entre pesquisador e sujeito, respeitando as respostas trazidas, porém buscando intervenções com questionamentos sobre o conhecimento do sujeito referentes a quaisquer conteúdos a serem investigados": físico, social, moral e lógico-matemático.
De acordo com Piaget (1926, p.11), qualidades fundamentais ao bom experimentador:
“saber observar, ou seja, deixar a criança falar, não desviar nada, não esgotar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar”.  
Método Clínico propriamente dito:
  - Proposição de tarefas ao sujeito.
  - Coleta de dados por meio da observação e da conversa sobre a tarefa realizada.
  - As ações do sujeito e as suas explicações permitem seguir o seu pensamento.
Tipos de resposta na entrevista clínica com valor para a pesquisa
Espontâneas - O sujeito fala espontanea-mente, sem a intervenção ou solicitação do pesquisador.
Desencadeadas - Surgem diante das pergun-tas do experimentador, mas são elaboradas pelo entrevistado de acordo com o seu pensamento. 
Tipos de resposta na entrevista clínica sem valor para a pesquisa
Sugeridas - Comuns no pesquisador pouco experiente que sugere as respostas, sem se dar conta.
Fabuladas - Consistem em histórias contadas pelo entrevistado, sem relação com o tema.
Não-importistas - Dadas para concluir a tarefa, revelando a falta de interesse na atividade. 

Modelos Pedagógicos e Epistemológicos/ Fernando Becker

Fernando Becker traz que todas as pedagogias existentes estão encaixadas dentro de três grandes pedagogias:

Pedagogia Diretiva
Pedagogia Não Diretiva
Pedagogia Relacional

Na Pedagogia Diretiva a aprendizagem ocorre de forma tradicional, o professor é o transmissor do conhecimento, o único que pode passar este conhecimento e o aluno um ser vazio, que não tem saber algum. As aulas são silenciosas e nada de novo acontece, velhas respostas para velhas perguntas. A Disciplina é exercida com rigor. O conteúdo é escolhido apenas pelo professor. Nas salas, tem carteiras e todas enfileiradas.


Na pedagogia Não Diretiva as aulas são no formato se faz o que se quer. O conteúdo é apenas despertado no aluno. O professor é um facilitador que não intervem, pois acredita que isso não faz diferença.

Na pedagogia Relacional as aulas são interativas, dinâmicas, local de novas descobertas. Negociam-se regras de convivência. Aprendem problematizando suas ações, assimilando conteúdos ao longo do processo. O aluno sempre aprende pois é ativo neste processo e logo o professor também aprende com o aluno.

E todas essas pedagogias estão embasados em modelos epistemólogicos, ou seja, em teorias que falam sobre como se dá o processo de aprendizagem nas pessoas.

Modelo empirista (pedagogia diretiva): acredita que a pessoa aprende no ter contato com as informações que levam ao conhecimento. Pela repetição.

Modelo apriorista (pedagogia não diretiva): acredita que o saber, os conhecimento são biológicos, são herdados, já vem na genética.

Modelo Construtivista (pedagogia relacional): a pessoa aprende na interação com o meio e com os objetos.


Conhecimentos vazios!

Texto: UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO MODERNA NO SÉCULO XXI
Luciani Missio e  Jorge Luiz da Cunha
Essa grande facilidade de se obter informações, de teoricamente aprender sem esforço nenhum é, em grande parte, responsável pela perda de interesse dos jovens pela escola. É muito mais rápido obter uma informação pela Internet, do que ter que pesquisar nos livros da biblioteca; é muito mais divertido assistir televisão, com todo o seu movimento e suas cores, do que ficar sentado em uma sala de aula olhando para o professor falar. Mas o que grande parte não percebe é que ao buscar informações através dos meios de comunicação de massa estas já vêm prontas, isto é, nelas já está embutida a opinião de alguém, o que o dispensa de formular a sua, como coloca Ferres O universo do telespectador é dinâmico, enquanto que o do leitor é estático. A televisão privilegia a gratificação sensorial, visual e auditiva, enquanto que o livro privilegia a reflexão. A linguagem verbal é uma abstração da experiência, enquanto que a imagem é uma representação concreta da experiência. Se o livro privilegia o conhecer, a imagem privilegia o reconhecer. (Ferrés, 1994 apud Pérez Gómez, 2001, p.115)


Em uma era de tecnologia pra todo lado, sim, por todo lado, estamos em casa ou na rua sempre tem um wifi a nossa disposição e assim, informações disponíveis em um click! Hoje não existe conteúdo que o senhor "google" não saiba lhe falar sobre. E toda essa tecnologia tem alcançado nossos crianças, vídeos, tutoriais, youtubers, isso e muito mais tem levado "informação" aos nossos pequenos. As crianças mudaras e com isso os educadores deveriam se ligar que a educação deveria mudar também. Muitos dos conteúdos trazidos em sala, já são conhecidos e sabidos. Assim, temos que ir em busca de novas pedagogias que ultrapassem todo esse contexto e que gere o interesse nos pequenos e que traga conteúdo, já que eles tem muita informação vazia. Temos o desafio nessa era de informações dadas e vazias gerar pessoas críticas, com espírito de liderança, capazes de questionar o que lhes tem oferecido.