quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O preço da educação!

Sempre me questionei muito sobre a forma com que as escolas ensinam, muitas vezes de uma totalmente desinteressante, desconexa da realidade, sem criatividade ou interação. Sempre pensava, imaginando uma aula de matemática através da culinária, seria demais!!Ou aulas de geografia e história com visitas a espaços reais.
No meu estágio, tenho prezado por possibilitar experiências ricas, de materiais, de possibilidades e sempre prezando pela integração de mente e corpo. Mas o ponto que quero tocar é a respeito dos materiais, pontualmente o investimento financeiro. Tenho descoberto que este meu desejo por estas aulas criativas, só é possível com o investimento em materiais. Como não tenho materiais na escola, somente neste mês já investi quase R$100,00 em folhas, papéis, canetas e outros mais. Tenho percebido que para proporcionar experiências ricas para os alunos, pensar em geração e no investimento em materiais é fundamental, pois para fazer uma culinária tem que ter os ingredientes e todos os outros utensílios. Para fazer um passeio precisa ser pago o ônibus e assim por diante. Para ter um espaço educador, precisa ter brinquedos de qualidade. Assim, não há como pensar em educação de qualidade sem pensar neste aspecto! Dessa forma, será que podemos dizer que uma epistemologia também tem seu preço?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Nossa, que bagunça!!!

Depois de observar a escola, as crianças, um dos meus focos principais do estágio era potencializar a brincadeira das crianças, pensando materiais, tempo, e principalmente garantindo a ação delas sobre os objetos e as interações entre elas. Desde o início sabia que teria que ir com calma, devagar, para não assustar as colegas, pois esta "dinâmica" não era adotada pela escola. Na primeira semana, enquanto brincavam, exploravam, criavam livremente, a coordenadora entrou na sala e disse: "Nossa, que bagunça!", na mesma hora eu gelei! Algumas coisas, rapidamente, passaram sobre minha mente, exemplo, agora ela vai barrar o brincar das crianças, ela vai fazer uma má avaliação do meu trabalho, isso vai prejudicar meu estágio! Mas rapidamente, já veio a minha mente que estar em sala é uma "luta", pois é necessário lutar pelo que acredita e saber se colocar teoricamente tanto para si mesmo quanto para os questionamentos. Se eu acredito em uma pedagogia relacional, que as crianças estão na fase do jogo simbólico, que precisam ter garantidas ações de qualidade, eu devo ter em mente que aquilo não era bagunça, mas resultado de exploração, manipulação, interação. Que a bagunça dos outros, não bagunce aquilo que acreditamos!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

E o estágio começou!!

Como já é sabido, não consegui realizar o estágio em minha escola, mas acredito que na vida tudo tem um propósito e já tenho entendido algumas razões de eu estar no lugar onde estou hoje!
Há 5 anos no município de Novo Hamburgo, considero minha escola como uma escola para mim também!! Temos muiiiitas formações, lemos muito sobre a educação infantil e estamos sempre buscando aprender e aperfeiçoar nossa prática. Tenho liberdade para criar, experimentar e possibilitar das mais diversas experiencias para as crianças. Quando preciso de materiais, seja o que for, apenas entrego a lista para minha diretora que imediatamente consegue o que solicitei. Agora, estou vivenciando uma realidade que já nem lembrava que existia. Não há formação, não há reflexão sobre o cotidiano, sobre a jornada das crianças na escola, sobre o brincar, rotinas, apenas o momento da Atividade de Tarde tem evidência e recebe importância. Sem falar que não há investimentos de materiais, todas as propostas que estou realizando, estou providenciando os materiais do meu "bolso". Esta semana fiquei espantada com o valor do pote de tinta, R$6,00, que muitas vezes, simplesmente eu cheguei na minha diretora do município e apenas solicitei e depois recebi. Nestas três semanas, minhas propostas foram basicamente relacionadas a valorização do jogo simbólico, um olhar diferente para as rotinas e uma ampliação do desenho, permitir que as crianças saíssem do "quadrado" para fluir todo o seu potencial criativo. Algo que em minha escola é algo tão natural, corriqueiro, para as crianças tem sido algo de grande valor e percebo o quanto estão sendo alcançados e se sentindo respeitados pelos retornos deles, das famílias e das próprias colegas que tem observado minha prática e refletido a sua prática. Resumindo, hoje consigo ser muito grata a Deus pela minha escola "oficial", consigo ver o quanto a gestão faz pelo seu grupo de professores. Também consigo verificar o quanto há uma falha nas formações de professores, pois toda essa prática que "não acontece" se dá em razão de um desconhecimento de outras formas de fazer  e estou feliz, por além de estar refletindo minha prática, estou podendo compartilhar saberes e outras formas de fazer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Que pedagogia quero?

         Por ter sido inviável realizar o estágio em minha escola, tive que me aventurar e realizar o estágio em um outro local. Não posso deixar de ressaltar o quanto o texto de Fernando Becker sobre modelos epistemológicos e modelos pedagógicos foi e tem sido libertador para mim! Libertador no sentido de entender que toda a prática docente de um professor é embasada em cima de uma crença sobre como acontece a relação de ensino e aprendizagem no aluno, mesmo que o professor não se dê conta disso, sua ação revela um modelo. Assim, desde que tomei posse desse conhecimento, estou certa de que acredito em um modelo epistemológico construtivista e tenho tomado cuidado para assegurar que minhas práticas estejam de acordo com isso. Nas visitas que fiz a escola de meu estágio, ia sempre com essa curiosidade, qual modelo epistemológico desta escola? Qual pedagogia é colocada em prática? Salas de Educação Infantil com mesas e um lugar privilegiado para o professor, professores usando jalecos, crianças brincando com brinquedos escolhidos pelo professor, sentados nas mesas. Estes fatos já me dizem muito sobre o modelo pedagógico da escola, agora me pergunto, será que a escola tem ciência disso, será que conhecem outras formas de ensinar e aprender? Penso que minha prática de estágio, além de colocar meus saberes em reflexão, pode ajudar a própria escola a pensar seus fazeres.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Com o corpo inteiro!

  Fico me questionando sobre quantas propostas, atividades, "trabalhinhos" eu já realizei  na intenção de ensinar algo, porém desconsiderando totalmente o corpo como ator envolvido neste processo! Folhas e folhas xerocadas!
Mas que bom que " evoluímos" e que através de novos conhecimentos e novas reflexões, podemos aperfeiçoar nossa prática.
Na escola que trabalho entendemos o quanto é importante conscientizar as crianças sobre a importância da natureza. Cuidar da água, preservar as árvores, respeitar os animais, etc. De um tempo para cá temos pensado sobre a melhor forma de ensiná- los sobre educação ambiental. Como respeitar e amar algo que não conheco? Como preservar algo que não passou pelo meu corpo? Concluímos que a melhor forma de ensiná- los é, inicialmente, permitir com que entrem em contato com a natureza! Por isso, brincar e tocar na água, terra, grama, deslizar o barranco é a melhor forma da criança sentir e perceber o quanto a natureza é fundamental! Além do que tocar a natureza possibilita diversas experiências e aprendizagens! E é isso que fazemos na escola, permitimos que as crianças conheçam a natureza pelo e com o corpo inteiro!
Vale lembrar que o tato é o sentido que nos confere a sensação da realidade " não apenas nossa geometria e nossa física, mas toda a concepção do que existe fora de nós, baseiam-se no tato ( RUSSEL, apud MONTAGU, 1988, p.30)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Por uma proposta pedagógica construída sobre o poder constitutivo e criador da Ação Humana

Se formos parar para observar e estudar sobre as crianças, cada faixa etária nos apresenta características e ações bem específicas. No berçário, tudo é estréia, um mundo todo colocado a disposição, onde tudo é novo e é preciso ser conhecido, experimentado, observado, explorado. Coloque uma caixa de brinquedos para que bebês ( 0 a 1 ano e 6 meses) brinquem! O que acontece? De repente, tudo está fora da caixa!Sim, eles exploram e investigam tudo o que é posto, devido a necessidade de desbravar o novo! Infelizmente, já ouvi colegas dizendo: amigo, não precisa retirar tudo da caixa, escolhe um e brinca! É preciso compreender que a aprendizagem numa perspectiva relacional se dá através da ação do sujeito sobre o objeto, porém é preciso ter bem definido que tipo de ação é esta. A ação que possibilita a aprendizagem, dá significado as coisas, possibilita a realização dos desejos humanos e suas necessidades. Assim, bebês necessitam agir sobre tudo o que está posto e precisam ter este direito garantido. Fernando Becker alerta que há a ação aprisionada: interação pautada no treinamento, monotonia da repetição e pela imposição autoritária.
Tenho uma filha de 1 ano, desde recém nascida tentamos possibilitar e garantir que suas necessidades de ação sejam garantidas. Nas fotos abaixo (com 6 meses), ela com um cesto, onde colocávamos vários objetos e as ações pegar, observar, explorar e abandonar se repetia até que o cesto ficasse vazio.











Neste dia, o mais interessante foi que depois de agir sobre tudo o que estava dentro do cesto, o próprio cesto virou um objeto de exploração.


Teve um outro dia, que ela encontrou o pacote de fraldas sobre o sofá, conseguiu pegar e logo já começou a explorar. Quando eu vi, meu impulso quase me levou a chamar a atenção dela, consegui me segurar, afinal ela não sabe ainda que as fraldas são caras e que pode danificar. Resolvi deixar ela explorar e comecei a observar e registrar! Depois fiquei pensando, será que não fui permissiva demais? Obviamente não vou deixar ela brincar sempre com o pacote de fraldas, depois que ela retirou e observou todas as fraldas conversei com ela, ela me ajudou a guardar e disse que ela tinha outros brinquedos adequados. Fiquei feliz, por que permiti que minha filha tivesse sua necessidade de investigação respeitada naquele momento. 




Entro uma vez por semana no berçário de minha escola e lá também tento garantir que os bebês possam agir conforme seus interesses e necessidades. Disponibilizamos diversos cestos pela sala, cada um com objetos diferentes e as interações são das mais diversas. A sala também conta com brinquedos motores onde podem subir, descer, etc.







 Possibilitar ações ricas para as crianças não é fácil, observo que os brinquedos pela sala, visto muitas vezes como "bagunça", a livre exploração, o fato de não estarem fazendo tudo igual ao mesmo tempo incomoda muitos colegas. Mas sei que preciso seguir com o que acredito e cada vez mais me respaldar teoricamente para fazer um trabalho de qualidade e de respeito à infância. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Se meu caderno falasse?

Em 2005 realizei meu estágio de magistério. Lembro que quando fui conversar com a diretora, solicitei uma 2 série! Com toda educação, ela me disse que não seria possível, pois a professora não aceitaria. Tudo certo, fiz meu estágio com uma 4 série e foi muito bom!
Na medida que fui conhecendo melhor a escola, meus colegas professores, fiquei sabendo que a professora da 2 série atuava há mais de 15 anos na mesma faixa etária e utilizava sempre o mesmo caderno/roteiro de atividades. O mais interessante foi uma das minhas crianças dizendo "Sôra, todo mundo faz os mesmos exercícios da Sôra ....., eu fiz e agora meu irmão está fazendo!". Achava aquilo um pouco estranho, era possível alguém utilizar as mesmas propostas por tanto tempo? Mas na época não tinha muita bagagem teórica para realizar reflexões mais profundas! Depois de um tempo, lembrando sobre ela, ficava pensando que talvez tivesse sido o jeito que ela"aprendeu a ser professora".
O texto de Fernando Becker " Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos" mostra que é um pouco mais do que o jeito de aprender a ser professor, mas de uma concepção teórica que o professor tem sobre a forma com que se dá a relação ensino aprendizagem no sujeito e com o sujeito. Concepção esta que muitas vezes, infelizmente, o professor nem se dá conta que tem, mas que está impregnada em todas as suas práticas, na forma de agir, na forma de organizar a sala, de elaborar as propostas, dispor os móveis, tratar com as crianças, tudo revela a epistemologia que o professor tem sobre aquisição de conhecimento. No caso, verifico agora uma professora que tinha sua prática embasada em uma epistemologia empirista, onde acreditava que seus alunos nada sabiam, que tudo o que transmitia era o suficiente para ensinar sobre os conteúdos e que em 15 anos recebia todas as crianças como iguais (mesmo sendo tão diferentes).
Fernando Becker cita, no mínimo, umas duas vezes que mesmo sem saber, os professores agem de acordo com uma epistemologia sobre o conhecimento. Tendo este conhecimento agora, penso que isso deveria ser a matéria principal em qualquer curso formativo de professores, pois como disse, aquilo que eu acredito sobre a gênese e como se dá o desenvolvimento do conhecimento é o que vai nortear todo o meu agir docente. Fico pensando sobre mim, que teoria sustenta minha prática, estou agindo com coerência de acordo com que acredito? Acredito na epistemologia construtivista, onde o conhecimento se dá através da ação e da problematização das crianças sobre os assuntos, interesses, materiais, etc, onde o professor assume seu lugar realizando intervenções necessárias para possibilitar aprendizagens. Agora fico pensando... meus planejamentos, minhas propostas sustentam o que acredito? Se meu caderno falasse, qual epistemologia ele apresentaria e revelaria?