sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Releitura de Postagens

1.Releitura da Postagem: "Orgulho de ser João", publicada em 28 de dezembro de 2015, disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/12/orgulho-de-ser-joao.html>.

Está postagem foi realizada após o exercício de criar um pbworks onde deveria me apresentar e realizar uma apresentação da minha escola. Hoje posso analisar uma postagem bem rasa, onde expresso minha alegria por trabalhar num espaço que respeita as crianças e o trabalho na educação infantil. Agora entendo que a escola não atuava ou atua assim de forma aleatória ou porque é legal, mas porque apresenta uma concepção sobre como se dá o conhecimento. Minha escola acredita numa concepção construtivista, onde as aprendizagens se dão a partir das interações com o outro e com o meio. Assim embasados em uma pedagogia relacional toda a escola "conversa" desta forma. Ambientes internos e externos que promovem para as crianças interações ricas e potentes com os pares, com as professoras, com o que está posto nos espaços. Espaços estes que permitem a tentativa, as experimentações, vivências e aprendizados. Resumindo, hoje sei que existem concepções epistemólogicas que ditam a forma de ser escola.

Referência:

Referência: BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.


2. Releitura da postagem: "Novos Horizontes", publicada em 13 de dezembro de 2015, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/12/novos-horizontes.html>.

Nesta postagem trago meu encantamento por conhecer outras formas de "fazer escola" como o exemplo da Escola da Ponte, porém hoje lendo novamente minha escrita mais parece um diário do que uma reflexão acadêmica, pois como já disse, ressalto mais meus sentimentos e emoções. Hoje entendo que estas escolas constituiram Arquiteturas Pedagógicas, ou seja, pensaram uma nova forma se ser escola, diferente daquele modelo tradicional. Estas escolas se permitiram fazer uma releitura de suas estratégias pedagógicas para verificar o que funciona e o que não funcionava a fim de facilitar e proporcionar a aprendizagem de fato. Por exemplo, se há anos trabalhar com crianças sentadas olhando nos livros não ajudou, vamos pensar uma escola mais dinâmica, mais viva e com assuntos mais próximos da realidade dos alunos. Se trabalhar com faixas etárias iguais não trouxe muitos resultados, vamos experimentar trabalhar com idades diferentes. 

Texto Arquiteturas Pedagógicas para a Educação à Distância


3. Releitura da postagem: "Olhos Azuis", publicada em 11 de novembro de 2015, disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2015/11/olhos-azuis.html>

Nesta postagem expresso meu assombro em entender o quanto famílias e mídias agem como meios influenciadores no modo de ser das crianças. Infelizmente, numa sociedade competitiva, onde você precisa produzir, todos os dias as crianças ouvem orientações que no insconsciente delas trabalha tais comportamentos. Certo dia, enquanto estava com a minha filha de um ano no colo, uma mulher que também estava com seu filho no colo disse : Nossa, ela já dá tchau, o meu ainda não! A tua já caminha? O meu filho caminha! Ou então quando uma criança está desenhando e numa fala "inofensiva" dizemos: O Sol não é laranja é amarelo. Frases simples, inofensivas, mas que vão moldando um modo de ser nas crianças. No texto Criatividade: Conceito e Desafios de Maria de Fátima Moraes, ela ressalta as competências necessárias para que uma pessoa possa ser livre e liberar todo seu potencial criador: autonomia, autoconfiança, tolerância e persistência. Precisamos moldar nossas crianças a partir deste viés, para gerar crianças livres, livres de estereótipos, livres das expectativas que colocam tão pesadamente sobre elas.



4. Releitura da postagem : "Classificando e Seriando na Educação Infantil", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/classificando-e-seriando-na-educacao.html> 

Nesta postagem relatei uma cena que observei onde as crianças classificavam e seriavam os brinquedos com os quais estavam interagindo. Fico feliz por que consegui analisar uma cena e lincar com um conteúdo que estava sendo estudado. Hoje percebo que este meu olhar está um pouco mais "apurado". A partir da leitura do slide "Ver e Olhar" de Simone Bicca, pude compreender que o Ver é algo relacionado a um sentido, porém muito superficial. O Olhar está ligado a uma compreensão daquilo que estou vendo, um entendimento mais detalhado de uma cena, uma situação. Nesta cena, pude desenvolver o Olhar e diariamente tento desenvolver isso na prática, para que eu posso compreender o que acontece em minha escola, com as crianças e não somente viver no "automático"


5. Releitura da postagem: "Muito mais que números", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/muito-mais-que-numeros.html>

Aqui registro o momento onde descubro que existe a alfabetização matemática, onde o indivíduo não somente aprende símbolos e suas correspondências, mas compreende o que se lê e o que lê compreende. Quando relembro esta aprendizagem, não tem como não lembrar o que aprendemos com Paulo Freire na interdisciplina da Educação de Jovens e Adultos. Alfabetização deve em primeiro lugar moldar, forjar alguém crítico, que saiba pensar sobre sua realidade e seu mundo. Ler o seu entorno, a sua vida. Alguém que se sinta empoderado e capaz de dar sua opinião e fazer valer suas crenças e ideologias. Hoje entendo que alfabetização é muito maior que decifrar números ou letras, mas em primeiro lugar, ensinar pessoas a pensar.

6. Releitura da postagem : " Quem sou eu?", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/11/quem-sou-eu.html>

Estava olhando meu primeiro álbum de fotos e ali me deparando com minha história. Minha mãe tem guardado meu primeiro "chumaço" de cabelos, as lembrancinhas de meu nascimento, etc. Olhar para estes objetos, me faz entender hoje quem sou. Como foi minha infância, como era a nossa convivência, relacionamentos. Isso tudo faz parte de mim e narra sobre mim. O texto Sobre Evocadores de Memória de Flávio Sholles causou fortes impactos na minha vida como um todo, não somente no profissional, mas pessoal também. Desde que engravidei de minha filha, tive a preocupação de gerar objetos, elementos que contassem um dia sobre a história dela, comprei uma agenda e faço registros com fotos e narrativas de momentos dela como por exemplo o primeiro dia que ela se virou e rolou sozinha. Além da escola, trabalho em um projeto social onde realizamos muito eventos, hoje eu me preocupo em pensar em lembranças que tenham haver com o momento para que um dia o objeto dado possa ser este evocador dos momentos vividos. E na escola passei a registrar mais e olhar o portfólio em uma perspectiva muito séria! Não é só um documento para atender as demandas burocráticas, mas um registro que falará das primeiras vivências de uma criança na escola, que falará da qualidade que a pessoa teve de interações e brincadeiras em sua infância. Ou seja, evocadores de memória são importantes, essenciais para ajudar as pessoas a se entender  e compreender suas histórias.

7. Releitura da postagem : "A encantadora música da língua dos Sinais", disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/a-encantadora-musica-da-lingua-dos.html>

Quando realizei esta escrita foi a primeira experiência que tivemos com o pb works. Vencer o desafio de formar um grupo, considerando que nos viámos apenas uma vez por semana e ainda teríamos que trabalhar em coletivo nesta plataforma digital. Escolhemos o tema "Surdos e a Música", até o momento um assunto tranquilo que não despertou muitas emoções. Porém fomos desafiados a fazer um levantamento sobre nossas dúvidas e sobre nossas certezas sobre o assunto. Neste momento o grupo ficou muito entusiasmado, o que sabemos sobre? O que achamos que sabemos? O que queremos descobrir? Estas questões foram molas propursoras de aprendizagens. Lendo na Interdisciplina sobre Criatividade, o texto que tem como uns dos autores nossos professores Credine e Rosane, Arquiteturas Pedagógicas, percebi que hoje a educação está buscando se reinventar, ou seja, refletir, confrontar os velhos formatos de ensinar, que contemplavam o ensino e não a aprendizagem, para que de fato o aluno tenha interesse em conhecer, em aprender e o mais importante realizando isso de formas diferentes e trocando informações com seus pares. Quando realizamos esta aprendizagem em 2016, foi utilizada a Arquitetura denominada Projeto de Aprendizagem, que tem como seu movimento incial lançar problemas e formulações através de Certezas Provisórias e Dúvidas Temporária. Após, selecionar uma curiosidade “Questão de Investigação e depois o Inventário de conhecimentos e concluir com o processo de investigação que consiste no esclarecimento das dúvidas e na validação das certezas.

8. Releitura da postagem: "Muitas expressões", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/muitas-expressoes.html>
Explorar os mais diversos assuntos considerando o ser humano como um todo, constituido de um corpo que aprende. Estudar corporeidade me fez afirmar e entender que quando falamos em aprendizagem não se pode negar este aspecto do ser, principalmente na infância. No meu estágio tive várias experiencias relacionadas a isto, mas uma me marcou bastante. Considerando este corpo que faz parte das crianças, diversas práticas de desenho eu realizei colocando os materiais no chão para que eles pudessem fazer suas marcas como se sentissem a vontade. Em uma manhã ofereci papel laminado e canetinhas coloridas e permanentes para um grupo de crianças. Rafaela escolheu uma folha e sentou. Concentrada, viu que a posição esava incomoda e se deitou de bruços. Me aproximei dela e ela rapidamente levantou para me contar o que estava fazendo, "Olha profe, meu labirinto de corações". Ela preencheu o espaço da folha com corações e criou o seu labirinto. De pé, apontando com o dedo continuou: "pra passar pelo labirinto você vai ali, ali e ali", não contente, passou a pular sobre o papel e dizer "é assim que se passa profe". Rafaela não desenhou apenas com o seu intelecto, memória, mas seu corpo, seus movimentos, seus gestos e sentidos estavam presentes naquele desenho. Com certeza esta representação teve muito sentido para ela, pois teve um envolvimento da Rafaela como um todo.

9. Releitura da postagem: "Vamos jogar", disponível em < https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/vamos-jogar.html>
Que bom compreender a importância do jogo e do lúdico na aprendizagem. Esta minha postagem registrou este momento, onde aprendemos as fases do jogo por Piaget conforme as faixas etárias. Mas ao longo do curso pude experimentar estes saberes e executá-los na prática. Na escola tive a possibilidade de entrar uma vez por mês no berçário e obsercar algumas ações como bebês chupando o dedo do pé, atirando a colher no chão enquanto estava no cadeirote, pegando a toalhinha usada para dormir e colocando e tirando do seu próprio rosto e nestas cenas não chamei atenção ou coisa assim, mas entendia que esta era forma com que estavam brincando e praticando o Jogo de Exercício. Este ano trabalhando em uma faixa etária de 2 anos, sabendo que estão na fase do Jogo Simbólico o que eu e minha colega nos preocupamos? Espaços, cantos e materiais que dessem conta desta necessidade: a cozinha, as fantasias, os materias não estruturados. Na verdade fico feliz em saber o quanto tudo o que aprendemos lá no começo da graduação me afetou, me modificou e transformou minha forma de ser professora.

10. Releitura da postagem: "Pacote completo", disponível em <https://lidioliveirajung.blogspot.com/2016/07/pacote-completo.html>
Nesta postagem registrei a importância do jogo a partir de que ele desenvolve aspectos tão importantes no indíviduo como: moral, social e intelectual. Quando estamos jogando de fato, nos construímos enquanto seres humanos e passamos a compreender o outro. No texto "A agitação que faz bem" de Anna Oliverio Ferraris visto na interdisciplina de Ludicidade a autora coloca tudo aquilo que o jogo desenvolve em uma pessoa, exemplo, a capacidade de ceder e fazer valer sua vontade. Assim, consigo entender meu lugar no mundo e me entender neste coletivo e simultaneamente adquirir importantes aprendizados. Porém, a partir das Interdisciplinas de Corporeidade e Criatividade pude ampliar meus saberes em relação ao jogo, pois o mesmo permite que a criança aprenda com o corpo inteiro, com os movimentos, com os sentidos. E as emoçôes desencadeadas a partir do jogo podem auxiliar e abrir caminhos para as aprendizagens, lembrando que emoções negativas podem ser bloqueadores das mesmas. Em termos de criatividade, os jogos auxiliam a pessoa a perder o medo do erro, a verificar suas possibilidades de acerto e que o erro,entender que o perder na verdade é processo para o acerto. Hoje consigo compreender o jogo numa dmensão muito maior ainda.







quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O preço da educação!

Sempre me questionei muito sobre a forma com que as escolas ensinam, muitas vezes de uma totalmente desinteressante, desconexa da realidade, sem criatividade ou interação. Sempre pensava, imaginando uma aula de matemática através da culinária, seria demais!!Ou aulas de geografia e história com visitas a espaços reais.
No meu estágio, tenho prezado por possibilitar experiências ricas, de materiais, de possibilidades e sempre prezando pela integração de mente e corpo. Mas o ponto que quero tocar é a respeito dos materiais, pontualmente o investimento financeiro. Tenho descoberto que este meu desejo por estas aulas criativas, só é possível com o investimento em materiais. Como não tenho materiais na escola, somente neste mês já investi quase R$100,00 em folhas, papéis, canetas e outros mais. Tenho percebido que para proporcionar experiências ricas para os alunos, pensar em geração e no investimento em materiais é fundamental, pois para fazer uma culinária tem que ter os ingredientes e todos os outros utensílios. Para fazer um passeio precisa ser pago o ônibus e assim por diante. Para ter um espaço educador, precisa ter brinquedos de qualidade. Assim, não há como pensar em educação de qualidade sem pensar neste aspecto! Dessa forma, será que podemos dizer que uma epistemologia também tem seu preço?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Nossa, que bagunça!!!

Depois de observar a escola, as crianças, um dos meus focos principais do estágio era potencializar a brincadeira das crianças, pensando materiais, tempo, e principalmente garantindo a ação delas sobre os objetos e as interações entre elas. Desde o início sabia que teria que ir com calma, devagar, para não assustar as colegas, pois esta "dinâmica" não era adotada pela escola. Na primeira semana, enquanto brincavam, exploravam, criavam livremente, a coordenadora entrou na sala e disse: "Nossa, que bagunça!", na mesma hora eu gelei! Algumas coisas, rapidamente, passaram sobre minha mente, exemplo, agora ela vai barrar o brincar das crianças, ela vai fazer uma má avaliação do meu trabalho, isso vai prejudicar meu estágio! Mas rapidamente, já veio a minha mente que estar em sala é uma "luta", pois é necessário lutar pelo que acredita e saber se colocar teoricamente tanto para si mesmo quanto para os questionamentos. Se eu acredito em uma pedagogia relacional, que as crianças estão na fase do jogo simbólico, que precisam ter garantidas ações de qualidade, eu devo ter em mente que aquilo não era bagunça, mas resultado de exploração, manipulação, interação. Que a bagunça dos outros, não bagunce aquilo que acreditamos!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

E o estágio começou!!

Como já é sabido, não consegui realizar o estágio em minha escola, mas acredito que na vida tudo tem um propósito e já tenho entendido algumas razões de eu estar no lugar onde estou hoje!
Há 5 anos no município de Novo Hamburgo, considero minha escola como uma escola para mim também!! Temos muiiiitas formações, lemos muito sobre a educação infantil e estamos sempre buscando aprender e aperfeiçoar nossa prática. Tenho liberdade para criar, experimentar e possibilitar das mais diversas experiencias para as crianças. Quando preciso de materiais, seja o que for, apenas entrego a lista para minha diretora que imediatamente consegue o que solicitei. Agora, estou vivenciando uma realidade que já nem lembrava que existia. Não há formação, não há reflexão sobre o cotidiano, sobre a jornada das crianças na escola, sobre o brincar, rotinas, apenas o momento da Atividade de Tarde tem evidência e recebe importância. Sem falar que não há investimentos de materiais, todas as propostas que estou realizando, estou providenciando os materiais do meu "bolso". Esta semana fiquei espantada com o valor do pote de tinta, R$6,00, que muitas vezes, simplesmente eu cheguei na minha diretora do município e apenas solicitei e depois recebi. Nestas três semanas, minhas propostas foram basicamente relacionadas a valorização do jogo simbólico, um olhar diferente para as rotinas e uma ampliação do desenho, permitir que as crianças saíssem do "quadrado" para fluir todo o seu potencial criativo. Algo que em minha escola é algo tão natural, corriqueiro, para as crianças tem sido algo de grande valor e percebo o quanto estão sendo alcançados e se sentindo respeitados pelos retornos deles, das famílias e das próprias colegas que tem observado minha prática e refletido a sua prática. Resumindo, hoje consigo ser muito grata a Deus pela minha escola "oficial", consigo ver o quanto a gestão faz pelo seu grupo de professores. Também consigo verificar o quanto há uma falha nas formações de professores, pois toda essa prática que "não acontece" se dá em razão de um desconhecimento de outras formas de fazer  e estou feliz, por além de estar refletindo minha prática, estou podendo compartilhar saberes e outras formas de fazer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Que pedagogia quero?

         Por ter sido inviável realizar o estágio em minha escola, tive que me aventurar e realizar o estágio em um outro local. Não posso deixar de ressaltar o quanto o texto de Fernando Becker sobre modelos epistemológicos e modelos pedagógicos foi e tem sido libertador para mim! Libertador no sentido de entender que toda a prática docente de um professor é embasada em cima de uma crença sobre como acontece a relação de ensino e aprendizagem no aluno, mesmo que o professor não se dê conta disso, sua ação revela um modelo. Assim, desde que tomei posse desse conhecimento, estou certa de que acredito em um modelo epistemológico construtivista e tenho tomado cuidado para assegurar que minhas práticas estejam de acordo com isso. Nas visitas que fiz a escola de meu estágio, ia sempre com essa curiosidade, qual modelo epistemológico desta escola? Qual pedagogia é colocada em prática? Salas de Educação Infantil com mesas e um lugar privilegiado para o professor, professores usando jalecos, crianças brincando com brinquedos escolhidos pelo professor, sentados nas mesas. Estes fatos já me dizem muito sobre o modelo pedagógico da escola, agora me pergunto, será que a escola tem ciência disso, será que conhecem outras formas de ensinar e aprender? Penso que minha prática de estágio, além de colocar meus saberes em reflexão, pode ajudar a própria escola a pensar seus fazeres.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Com o corpo inteiro!

  Fico me questionando sobre quantas propostas, atividades, "trabalhinhos" eu já realizei  na intenção de ensinar algo, porém desconsiderando totalmente o corpo como ator envolvido neste processo! Folhas e folhas xerocadas!
Mas que bom que " evoluímos" e que através de novos conhecimentos e novas reflexões, podemos aperfeiçoar nossa prática.
Na escola que trabalho entendemos o quanto é importante conscientizar as crianças sobre a importância da natureza. Cuidar da água, preservar as árvores, respeitar os animais, etc. De um tempo para cá temos pensado sobre a melhor forma de ensiná- los sobre educação ambiental. Como respeitar e amar algo que não conheco? Como preservar algo que não passou pelo meu corpo? Concluímos que a melhor forma de ensiná- los é, inicialmente, permitir com que entrem em contato com a natureza! Por isso, brincar e tocar na água, terra, grama, deslizar o barranco é a melhor forma da criança sentir e perceber o quanto a natureza é fundamental! Além do que tocar a natureza possibilita diversas experiências e aprendizagens! E é isso que fazemos na escola, permitimos que as crianças conheçam a natureza pelo e com o corpo inteiro!
Vale lembrar que o tato é o sentido que nos confere a sensação da realidade " não apenas nossa geometria e nossa física, mas toda a concepção do que existe fora de nós, baseiam-se no tato ( RUSSEL, apud MONTAGU, 1988, p.30)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Por uma proposta pedagógica construída sobre o poder constitutivo e criador da Ação Humana

Se formos parar para observar e estudar sobre as crianças, cada faixa etária nos apresenta características e ações bem específicas. No berçário, tudo é estréia, um mundo todo colocado a disposição, onde tudo é novo e é preciso ser conhecido, experimentado, observado, explorado. Coloque uma caixa de brinquedos para que bebês ( 0 a 1 ano e 6 meses) brinquem! O que acontece? De repente, tudo está fora da caixa!Sim, eles exploram e investigam tudo o que é posto, devido a necessidade de desbravar o novo! Infelizmente, já ouvi colegas dizendo: amigo, não precisa retirar tudo da caixa, escolhe um e brinca! É preciso compreender que a aprendizagem numa perspectiva relacional se dá através da ação do sujeito sobre o objeto, porém é preciso ter bem definido que tipo de ação é esta. A ação que possibilita a aprendizagem, dá significado as coisas, possibilita a realização dos desejos humanos e suas necessidades. Assim, bebês necessitam agir sobre tudo o que está posto e precisam ter este direito garantido. Fernando Becker alerta que há a ação aprisionada: interação pautada no treinamento, monotonia da repetição e pela imposição autoritária.
Tenho uma filha de 1 ano, desde recém nascida tentamos possibilitar e garantir que suas necessidades de ação sejam garantidas. Nas fotos abaixo (com 6 meses), ela com um cesto, onde colocávamos vários objetos e as ações pegar, observar, explorar e abandonar se repetia até que o cesto ficasse vazio.











Neste dia, o mais interessante foi que depois de agir sobre tudo o que estava dentro do cesto, o próprio cesto virou um objeto de exploração.


Teve um outro dia, que ela encontrou o pacote de fraldas sobre o sofá, conseguiu pegar e logo já começou a explorar. Quando eu vi, meu impulso quase me levou a chamar a atenção dela, consegui me segurar, afinal ela não sabe ainda que as fraldas são caras e que pode danificar. Resolvi deixar ela explorar e comecei a observar e registrar! Depois fiquei pensando, será que não fui permissiva demais? Obviamente não vou deixar ela brincar sempre com o pacote de fraldas, depois que ela retirou e observou todas as fraldas conversei com ela, ela me ajudou a guardar e disse que ela tinha outros brinquedos adequados. Fiquei feliz, por que permiti que minha filha tivesse sua necessidade de investigação respeitada naquele momento. 




Entro uma vez por semana no berçário de minha escola e lá também tento garantir que os bebês possam agir conforme seus interesses e necessidades. Disponibilizamos diversos cestos pela sala, cada um com objetos diferentes e as interações são das mais diversas. A sala também conta com brinquedos motores onde podem subir, descer, etc.







 Possibilitar ações ricas para as crianças não é fácil, observo que os brinquedos pela sala, visto muitas vezes como "bagunça", a livre exploração, o fato de não estarem fazendo tudo igual ao mesmo tempo incomoda muitos colegas. Mas sei que preciso seguir com o que acredito e cada vez mais me respaldar teoricamente para fazer um trabalho de qualidade e de respeito à infância.