segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Muito mais que....

Alfabetização como um conceito e como uma prática social que devem estar vinculados a configurações de conhecimento e de poder e também a luta política e cultural pela linguagem e pela experiência. Alfabetização poderia ser para o empowerment individual ou social ou para perpetuação de relações de repressão e dominação (trecho de Alfabetização e pedagogia de empowerment político de Henry A. Giroux).
Uauuu!! Como antes não havia percebido que alfabetização é muito mais do que apenas ler e escrever! Sim, a partir do momento em que a pessoa aprende a ler e escrever, ela passa a compreender melhor seu entorno, sua sociedade. Ela se empodera, pois a partir deste ato ela pode desbravar, conhecer, ter acesso a um mundo letrado que revela tantas coisas. Mas é claro, quem não lê e escreve acaba tendo diversas informações, conhecimentos, saberes negados. É preciso sempre de alguém para lhe revelar as mensagens ao seu redor. Quem lê e escreve discerne de alguma forma seu entorno. Quem não lê e não escreve fica a mercê do que outros sabem, dependentes. Talvez por isso a educação em nosso país é tão atacada e desvalorizada. É muito melhor ter pessoas ignorantes, do que pessoas empoderadas de saberes que podem revelar tantas coisas.

O princípio...

Sempre me interessei em saber como se dá o nascimento do pensamento. Bebês pensam? Nascem pensando? A partir de quando isso acontece?

Vigotsky traz alguns esclarecimentos, pois para ele pensamento e linguagem tem origens diferentes. No início da vida o pensamento não é verbal e a fala não é intelectual. O balbucio são estágios do desenvolvimento da fala que não tem relação com a evolução do pensamento. Vygotsky ressalta que a descoberta mais importante da vida da criança acontece por volta dos dois anos, as curvas da evolução do pensamento e da fala se cruzam e se unem para formar uma nova forma de comportamento, surgindo assim a fala racional ou pensamento verbal.

Mas, o que é linguagem?

Linguagem pode ser considerada como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade. Sem ela , o ser humano não é social, nem cultural. E ela que permite as trocas, o conviver, o se relacionar com outros!

Inatistas x Interacionistas

É de extrema importância conhecer as correntes e teóricos que falam sobre a construção da linguagem!
Behaviorismo de Skinner: aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Est;imulo, resposta, reforço.

Inatismo de Chomsky: a linguagem é inata. Para ele a mente deve ser estudada assim como se estuda o corpo humano, cada parte do cérebro tem sua função e existe uma parte responsável pela linguagem. A linguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. Fator biológico e cognitivo.

Interacionismo de Vygotsky: Para ele são encontrados dois tipos de determinação do sujeito (interações com outros sujeitos e linguagem). Destas determinações resulta o sujeito interativo, isto é, aquele que não é ativo e nem passivo, mas que é constituído na e pela relação interpessoal e o sujeito semiótico: sujeito constituído na e pela linguagem, sujeito resultante da relação. Linguagem é processo pessoal e ao mesmo tempo social.

Linguagem, mais que invenção cultural, necessidade humana!

Esses dias peguei uma carona para POA. Comecei um curso e encontrei umas professoras que também estavam indo para o mesmo caminho. Foi meu primeiro contato com elas e mesmo assim, conversamos muito! Fomos o caminho inteiro encontrando assuntos comuns, compartilhando histórias, narrando acontecimentos! Fiquei feliz sobre o momento e pensando sobre o tanto que falamos.
No texto "Aquisição da Linguagem" de Samanta Demetrio da Silva, tem um trecho bem interessante:

Segundo Pinker (2002), a universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural, mas o produto de um instinto humano específico.

Este recorte, me esclarece a cena que citei anteriormente. Me parece que o se comunicar é uma necessidade, é algo que o ser humano precisa fazer e faz. Logicamente cada cultura criou sua forma específica, porém pra mim é sim algo do humano, uma necessidade.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

É currículo!

Sempre me interessei em saber definições claras que me auxiliassem a entender o que é um Currículo. No texto de Jurjo Torres Santomé: Globalização e Interdisciplinariedade, no capítulo sobre Psicologia e Currículo, traz a seguinte conceituação:
Currículo é um elo entre a declaração de princípios gerais e sua tradução operacional; entre teoria educacional e a prática pedagógica; entre o planejamento e a ação; entre o que é perscrito e o que realmente sucede nas salas de aula.

É urgente!

Diante de tantas leituras que nos mostram novas formas de ensino, formas integradas, globalizadas, com sentido para os alunos, etc., fico me questionando sobre a origem de nosso ensino ao qual ainda insiste em operar em nossa sociedade!
O texto de Jurjo Torres Santomé "GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIEDADE", mostra que nosso histórico educacional sofre grandes influencias da revolução que ocorreu no funcionamento dos sistemas de produção e distribuição no âmbito empresarial (início século XX). O Taylorismo "pregava" que seus funcionários deveriam aprender bem somente a sua função, não precisavam conhecer todo um processo de produção e deveriam realizá-las no tempo mais rápido possível. Já o Fordismo, também submetia a pessoa a uma linha de produção, ditada por máquinas, onde saber apenas sua função era o suficiente. Sem contar que as funções eram as mais simplistas, não exigiam esforço cognitivo ou saber algum, apenas reproduzir! Nossas escolas, herdaram estes sistemas, onde os alunos recebem os conteúdos fatiados, fragmentados e o mais sério, não são ensinados a refletir, questionar, criticar, muitas vezes são vistos como os funcionários das fábricas, onde precisam apenas cumprir uma tarefa, reproduzir, assim negando a grande funcionalidade da escola, que é:
Preparar cidadãos e cidadãs para compreender, julgar e intervir em sua comunidade, de uma forma responsável, justa, democrática e solidária!
Precisamos de um movimento de transformação urgente!